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Os quatro anéis da união

A campanha #AudiTogether: Keep distance, stay together, usa as quatro argolas da marca para passar uma mensagem solidária. Se pensarmos bem, há quase 90 anos que eles simbolizam isso mesmo.

#AudiTogether: Keep distance, stay together. Foi este o mote da Audi para sensibilizar para o distanciamento social perante a emergência mundial de saúde pública. Mas também para transmitir esperança e resiliência durante uma crise de expressão mundial. O que nem todos sabem é que aqueles quatro “anéis” da Audi têm mesmo um significado de união em tempos difíceis.

Cada um desses quatro círculos do logotipo da Audi representa um dos construtores que lhe deram origem. Horch, Audi, Wanderer e DKW uniram-se em 1932 para vencer as agruras da grande depressão económica, nascendo assim uma das marcas mais icónicas do século XX: a Auto Union, cujo símbolo – as quatro argolas entreligadas – perdura até hoje.

Parece simples, mas a verdade é que é preciso recuar até ao final do século XIX para contar a toda a história da Audi, tal como a conhecemos hoje.

Horch, Audi, Wanderer e DKW

Em 1899, um engenheiro mecânico fundou o próprio negócio, que levou o seu nome – “August Horch & Cie”. Inicialmente, construiu carros de dois cilindros e, posteriormente, subiu de estatuto, passando aos mais nobres quatro cilindros. Começava a afirmar-se, os Horch até ganhavam um bom prestígio, mas foi sol de pouca dura. Em 1909, após divergências com os seus financiadores e acionistas, deixou a empresa, para fundar uma nova marca nesse mesmo ano. Como o nome Horch já havia sido adotado e ele foi proibido de usá-lo, traduziu o seu apelido para latim: “Audi”. Em 1910, o primeiro carro da nova marca entrava no mercado e ganhava uma atenção única com as três vitórias consecutivas, entre 1912 e 1914, no rali internacional dos Alpes Austríacos, uma das competições mais exigentes daquele tempo.

Já a Wanderer surgiu como uma oficina de reparação de bicicletas no final do século XIX. Mais tarde, em 1901, começou a construir as suas próprias unidades, após o que se aventurou nas motos. Em 1913, surgia o primeiro automóvel, de pequenas dimensões e apropriadamente conhecido como “Puppchen”, um “petit nom” para um pequeno carro. Mas este era apenas o princípio: em duas décadas, a marca acabaria por se destacar pelos modelos tecnologicamente avançados e desportivos, como o W17, que montava um motor desenvolvido por Ferdinand Porsche.

A DKW teve um início semelhante, nas duas rodas, mas, muito pelo génio e iniciativa de Jörgen Skafte Rasmussen, o seu fundador, ganharia uma enorme popularidade. Depois de meia dúzia de anos a produzir motores de dois tempos e de se ter estreado em motocicletas, Jörgen cedo percebeu que o futuro estava na produção dos seus próprios automóveis. Por isso, quando em 1928 adquiriu a maioria do capital da Audi, tinha planos ambiciosos: lançar grandes carros de luxo com enormes motores de oito cilindros. O problema era a concorrência norte-americana. E a grande recessão económica. Os problemas financeiros da Audi, que já tinham levado à entrada de Rasmussen no capital da marca fundada por August Horch, agravavam-se dia após dia. A decisão foi drástica: havia que produzir rapidamente um carro ajustado ao mercado e à conjuntura económica da altura. Em 1930, menos de dois anos depois da chegada do novo patrão, era lançado um carro pequeno, baseado no motor a dois tempos arrefecido a água que equipava as motos DKW, com tração dianteira e uma estrutura de aço de baixo peso. Chamava-se F1 e marcou toda uma era de mobilidade acessível.

Auto Union: a superação constante

A economia – ou a falta dela – acabou por juntar estes quatro construtores definitivamente. Em 1932, com o mundo revirado pela grande recessão, verifica-se a fusão da Audi, Horch, DKW e a divisão automóvel da Wanderer. Estas quatro marcas, que deram origem ao símbolo das quatro argolas que perdura até hoje, passariam a estar unidas sob o grupo Auto Union.

A Auto Union AG tornava-se assim o segundo maior construtor alemão, uma dimensão que, apesar de tudo, manteve a identidade das quatro marcas. À Horch coube a divisão de carros de alto luxo; a Audi detinha os modelos de classe média-alta e alta; a Wanderer dava a sua marca a automóveis médios, enquanto a DKW se especializava nos carros de segmentos mais baixos.

O final da II Guerra Mundial trouxe uma nova realidade ao mundo, à Alemanha e à “jovem” Auto Union. E como tantas outras histórias de superação nesta era, também aqui foi preciso acreditar que era possível ressuscitar a partir dos escombros.

No final de 1945, a sede da Auto Union, em Chemitz, viu-se encurralada na zona ocupada pelas forças soviéticas, que expropriou a fábrica e eliminou formalmente a empresa. Mas em Ingolstadt (cidade da Alemanha ocidental, na Baviera, onde hoje se situa a sede da Audi AG), um grupo de altos funcionários da Auto Union, não se deu por vencido e montou ali um depósito de peças de reposição para os modelos do grupo.

Esta foi a base que levaria, em 3 de setembro de 1949, à formação da Auto Union GmbH, uma fabricante independente que, nesse mesmo ano, deu início à produção de comerciais ligeiros e motocicletas. Neste novo começo da Auto Union eram os modelos DKW que ditavam a lei. Pequenos motores a dois tempos, testados e comprovados, para além de económicos, apresentavam-se como a receita chave para os tempos duríssimos do pós-guerra. No âmbito desta estratégia, foram desenvolvidos modelos como o furgão DKW F89L e a moto DKW RT125W. Estes foram, de resto, os primeiros veículos a serem produzidos em Ingolstadt – de onde hoje saem os modelos premium que compõem a gama Audi…

Ao mesmo tempo, estavam em andamento os trabalhos num modelo de passageiros da DKW, que acabaria por ser lançado em 1950. Nos anos 50 e 60, a marca DKW seria o grande trunfo da Auto Union, confundindo-se ainda hoje com a própria história do grupo das quatro argolas.

A partir de 1954, o industrial Friedrich Flick adquire uma série de participações relevantes no capital da Auto Union GmbH, ao ponto de ganhar poder de decisão para mudar os destinos da companhia. Flick era também acionista maioritário da Daimler-Benz, o que rapidamente fez mudar a sorte da Auto Union: não se sabe bem o que terá vindo primeiro, se a vontade de fazer economias de escala ou a necessidade de haver um novo parceiro para o grupo que nesta altura só produzia DKW… mas a verdade é que, em abril de 1958, a Daimler-Benz AG adquiriu 88% das ações da Auto Union. No ano seguinte, a companhia de Ingolstadt era já uma subsidiária integral do gigante de Estugarda.

A situação, na verdade, começava a ficar crítica. Naquele final da década de 50 e início da década de 60, a Auto Union estava dependente da DKW e dos obsoletos motores a dois tempos, a que acrescia a ausência de uma política de modelos dinâmica e robusta. A cobertura cada vez mais crítica da imprensa fazia o resto. E as vendas não conheciam outro caminho que não fosse o de ladeira abaixo.

Entra em cena o engenheiro Ludwig Kraus, que foi enviado como diretor técnico para Ingolstadt. Como se irá ver mais à frente, este nome seria crucial para a Audi tal como a conhecemos hoje, mas a primeira missão era bem mais prosaica, se lhe podemos chamar assim: adaptar um motor de quatro cilindros e quatro tempos ao modelo DKW F102, lançado em 1963.

Em 1965, a Auto Union produzia finalmente o seu primeiro modelo do pós-guerra com um motor de quatro cilindros a quatro tempos. Foi o começo da era moderna para o fabricante, mas foi também mais do que isso: com este novo modelo surgiu a necessidade de um novo nome, de forma a fazer uma demarcação clara dos obsoletos dois tempos da DKW. A escolha recaiu no nome “Audi”, beneficiando do prestígio e da imagem mais aspiracional. O Auto Union “Audi”, internamente designado F103, tornou-se um sucesso imediato, mantendo-se em produção até 1972.

O corte definitivo com a herança DKW

Este lançamento decorreu já sob os auspícios da Volkswagen AG, que em janeiro de 1965 tinha comprado a Auto Union à Daimler-Benz. E, como se vê, 1965 foi mesmo o ano da mudança mais radical da história do construtor de Inglostadt. Ou, pelo menos, o ano que mais iria definir o seu futuro.

E nem sequer se pode dizer que as coisas tenham começado pelo melhor. Inicialmente, a Volkswagen estava apenas interessada nos ativos industriais de Ingolstadt, de forma a responder à procura de que gozava um certo “carocha” um pouco por todo o mundo.

Apesar do sucesso evidente do Auto Union Audi, os engenheiros de Ingolstadt estavam impedidos de fazer mais.

Só que os novos chefes não contaram com Ludwig Kraus. O tal engenheiro do F103, um ex-Daimler-Benz que tinha decidido continuar com a Auto Union depois da venda à Volkswagen. Na época Diretor de Desenvolvimento e membro do Conselho de Administração, prosseguia, em segredo, com a criação de um novo modelo Audi. E o resultado, que a liderança do grupo em Wolfsburgo finalmente aprovaria, foi apresentado pela primeira vez à imprensa internacional em Ingolstadt, em novembro de 1968. A sua designação? Audi 100 – ele mesmo.

O Audi 100 foi o primeiro veículo a eliminar verdadeiramente todas as ligações genéticas com os modelos antigos da “era DKW”. Mais, o enorme sucesso deste novo Audi provou que os seus criadores estavam certos e, não menos importante, foi determinante para ajudar a Auto Union a preservar a sua autonomia dentro do grupo Volkswagen.

O primeiro carro do resto da vida da Audi estava ali, com toda a sua importância histórica. Exemplos? O slogan “Vorsprung durch Technik” surgiu em 1971 (na altura para promover o avançadíssimo Ro 80 da NSU, marca que fora alvo de uma fusão com a Auto Union em 1969), dando o mote para todos os Audi que se seguiriam: a tecnologia avançada.

O Audi 80, de 1972, com os seus motores de árvores de câmes à cabeça, ou a sua suspensão inovadora, provou que o público estava recetivo ao conceito: mais de um milhão de unidades foram produzidas só nesta primeira geração.

Já sob o comando técnico de Ferdinand Piech, que em 1974 substituiu Kraus nessa missão, a Audi posicionava-se e encontrava o seu caminho como marca premium por mérito próprio e não apenas pelo “fogo de vista”. Os motores de cinco cilindros (1976), a sobrealimentação por turbocompressor (1979) e – claro! – o sistema quattro de tração integral (1980), são evidências claras do novo ADN da Audi.

As inovações subsequentes continuaram a mostrar que a Audi se tinha finalmente encontrado com o seu destino: o uso extensivo de motores a gasolina turbo, o desenvolvimento de motores diesel de injeção direta, a carroçaria de alumínio, os primeiros híbridos, a injeção direta de gasolina e a produção de modelos com motores de oito e doze cilindros são apenas alguns dos muitos marcos que documentam o surgimento da marca como fabricante premium.

E pode parecer simbólico, mas está muito longe disso: em 1985, a então denominada “Audi NSU Auto Union AG” deu origem a uma nova denominação empresarial, simplesmente “Audi AG”. Curiosamente, as marcas Auto Union e NSU são ainda hoje, formalmente, “subsidiárias” da Audi, mas apenas para efeitos de propriedade intelectual e gestão do património histórico.

Absolutamente imutáveis e perenes são aquelas quatro argolas nascidas nos anos 30. E nunca como hoje fizeram tanto sentido, ao simbolizarem um projeto automóvel que morreu e renasceu várias vezes para se transformar numa marca cujos valores se confundem exatamente com a melhor tradição do automóvel: uma fé inabalável na resiliência, na investigação e no desenvolvimento para a superação das dificuldades.

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