Entrevistas

Rosário Sottomayor: A senhora que ensinou os homens a perder na Formula Ford em 1993!

Entrevistámos a Rosário Sottomayor, uma piloto que apareceu numa altura em que quase só os homens tinham oportunidades no desporto automóvel. Apesar de muitas dificuldades conseguiu aos poucos ensinar os homens a perder nos circuitos!

1. Como surgiu o gosto pelos automóveis?

Eu nem sei como surgiu o gosto pelos automóveis! Desde que me lembro de existir que eu sempre fui louca por corridas e eu comecei a fazer corridas de carrinhos de rolamentos tinha cerca de 2 anos ou 2 anos e meio, eu e um amigo da minha idade. Todos tínhamos irmãos mais velhos, os nossos irmãos mais velhos faziam as corridinhas deles e nós como éramos uns miuditos pequeninos que andávamos sempre com eles, os nossos irmãos faziam karts ao nosso tamanho e nós andávamos sempre na picardia uns com os outros. Eu lembro-me de toda a minha vida só gostar de carros, eu tinha bonecas e nunca brinquei com bonecas, brincava sempre com os carrinhos do meu irmão. Foi uma paixão que nasceu comigo!

2. É um gosto de família?

Não tenho ninguém na família ligado ao desporto automóvel e esse foi um dos meus grandes problemas para poder entrar no meio. Hoje em dia já não, mas antigamente só entrava no desporto automóvel que já tinha familiares, fossem pais, tios, primos… Antigamente era mais difícil entrar no desporto automóvel do que é agora e eu como não tinha qualquer tipo de relacionamento nunca consegui. Infelizmente aquelas “promoções” que houve na época do troféu primavera e do “onde está o ás” sempre ocorreram em alturas onde eu nunca conseguia participar, ou já tinha passado a idade como acontecia nos karts por exemplo, ou ainda não tinha idade nem condições, apanhei sempre os intervalos em que nunca consegui participar em nada. Foi muito complicado. A porta que vi mais aberta para entrar no desporto automóvel foi fazer-me comissária de pista no autódromo Estoril em 1984. Em 1985 veio cá a Brands Hatch racing school fazer a demonstração de Formula Ford, ai fiz uns cursos de Formula Ford. Se calhar havia já a intenção oculta, não sei bem, de trazer a Formula Ford para Portugal. Eu penso que essa vinda da escola cá, foi para fazer um “chamamento”, quando vi o anúncio inscrevi-me de imediato para fazer o curso, que de certa forma me abriu as portas, uma vez que entre 800 concorrentes fiquei em 5º lugar sem experiência de espécie alguma, acho que isso chamou a atenção de algumas pessoas que acabaram por me ajudar a entrar no meio.



3. Quando é que guiaste pela primeira vez?

Eu comecei a guiar aos 6 anos ao colo do meu irmão, porque não chegava aos pedais e só aos 7 com muitas almofadas é que comecei a guiar sozinha Inicialmente eram só arranques e coisas simples. Tudo com muita dificuldade, pois via a estrada pelo intervalo entre o tablier e o volante. Os meus pais tinham um NSU e foi nesse NSU que aprendi a guiar. Mais tarde o meu irmão foi para o serviço militar e deixei de poder guiar, tudo isto era feito às escondidas, depois só quando ele regressou é que eu voltei outra vez a guiar e depois os meus pais deixaram de ter carro e ai só voltei a guiar quando tirei a carta de condução.

4. Qual foi a tua primeira experiência na competição?

A primeira experiência de pilotagem foi com a Brands Hatch Racing School. Eu não fazia a mais pequena ideia de como se guiava em pista. Apesar de ser apaixonada, não sabia! Quando veio cá essa escola, foi quando me apercebi que era preciso uma condução especifica, que era preciso fazer trajectórias, que era uma palavra que não existia no meu dicionário até à data e que havia regras para se entrar nas curvas, para travar, para entrar e sair das curvas, de maneira que houve uma aula teórica. Foi um curso muito pequenino de apenas 1 ou 2 dias que tinha parte teórica muito sucinta, apenas com princípios básicos. Nessa parte teórica a minha cabeça foi um verdadeiro “mata borrão”, pois tentei absorver tudo aquilo que disseram, para mim era tudo novidade e só ai é que me apercebi que apesar de ter uma paixão enorme pelas corridas e de ver tudo o que era Formula 1 e 24h Le Mans que dava na televisão na altura eu via, eu não percebia nada de nada. Dentro daqueles princípios que eles ensinaram tentei aplicar e o resto dai para a frente foi “aprender por conta própria”.

5. Qual foi o carro de corridas que mais te marcou?

Basicamente foi os Formula Ford porque foi a Formula Ford que eu fiz, eu ainda passei pelos turismos mas carros fraquinhos, nunca guiei carros bons. Os formula sempre me marcaram de uma forma muito especial. Para mim os formulas são os carros com que mais me identifico, apesar de muitos pilotos não gostarem. É um carro que é feito ao nosso tamanho, vamos muito perto do chão, sentados ao centro e as suspensões são uma extensão do nosso corpo, portanto, piloto e o carro funcionam como um todo. Esta é a minha forma de ver e sentir as coisas. Fiz uns testes de Formula 3 também, mas os Formulas são de facto os carros que mais me marcaram.

6. Qual foi o carro de estrada que mais gostaste de guiar?

É difícil dizer, já guiei tantos carros de estrada… Houve dois carros que me marcaram de sua maneira e um deles eu adquiri que é o Peugeot 205 GTi. Quando experimentei o carro, houve uma paixão mutua e eu acabei por comprar um, ainda hoje o tenho, é o meu “leãozinho” de estimação e há-de ir comigo para a cova. O outro foi o Lancia Delta Integrale, eu sempre gostei muito de Ralis e sempre acompanhei os Ralis e sempre tive uma paixão muito grande pelo Integrale. Na minha passagem pelo jornalismo, tive a oportunidade de experimentar o “Deltona”… Quando experimentamos um carro que não conhecemos, há sempre um período de adaptação ao carro, sentir como funciona, como reage e tudo isso. São carros com alguma potência e alguma performance e essa adaptação demora algum tempo, não é algo imediato. O Deltona marcou-me porque eu sentei-me no carro, arranquei e tive a sensação de toda a vida ter andado no carro. Foi uma habituação instantânea, foi um carro que adorei guiar e de facto marcou-me por isso. Houve muitos outros, mas andei com o carro 3 dias e marcou-me porque era a pura sensação de ter guiado o automóvel toda a vida e era um automóvel que não era nada fácil de guiar, mesmo nada fácil!

7. Se pudesses fazer qualquer disciplina, qualquer troféu ou campeonato. Qual escolhias?
Eu neste momento, qualquer coisa para mim era o ideal! Há tanta coisa que eu gostava de fazer! Gostava de experimentar sport protótipos, gostava de experimentar a Formula 3 actual, embora não saiba se teria mãos para isso, uma vez que preparação física não teria de certeza! Mas gostava de experimentar para ver como é que era! Talvez num universo mais improvável e difícil de alcançar, gostava muito de experimentar as provas de resistência.

8. Soubemos através de um “antigo adversário” que sempre investiste muito na Formula Ford. Há alguma razão para isso?

A Formula Ford era o que havia em Portugal que era possível fazer e a minha paixão sempre foi formulas. Quando era criança, o sonho era chegar à Formula 1, qualquer piloto tem o sonho de chegar à Formula 1. Mas também sempre fui muito realista, até porque todo o meu percurso nos automóveis foi rodeado de diversos problemas, principalmente financeiros. Quando comecei a correr na Formula Ford, comecei a correr em condições que a grande maioria dos pilotos se recusaria a correr, foi com dificuldades muito grandes e eu aproveitava o material que os outros deitavam fora para poder correr. Os discos de travão, entre outros componentes que estavam melhores que os do meu carro e eu ia aproveitando, geralmente era o material que deitavam fora. Eu sabia que nessas condições nunca teria hipótese de mostrar qualquer tipo de resultado e isso ainda durou bastante tempo. As dificuldade financeiras fizeram com que fosse sempre eu e o meu irmão que éramos os dois “novatos” nas corridas e não tínhamos qualquer experiência em termos de competição automóvel. O meu irmão é um “crânio” fantástico e uma pessoa fora de série, facilmente “apanha” tudo e mais alguma coisa, foi sempre ele que me afinou o carro, não tínhamos equipa a trabalhar connosco, fomos sempre nós os dois. Éramos muito empenhados, muito interessados, investigávamos muito, trabalhávamos muito e fazíamos o que gostávamos. Ele dedicou-se mais à parte do chassi e eu depois de uma série de situações que me fizeram ignorar os motores adquiridos fora, passei a ser eu a fazer a preparação dos meus próprios motores. Os Formula sempre foram o que mais gostei, Formula Ford era a única coisa que existia, daí o empenho ter sido sempre na Formula Ford. Na altura a Formula Ford também era o campeonato nacional de velocidade, era a única modalidade que permitia ao campeão fazer uma carreira internacional. Eu nunca pensei muito nisso, pois sempre estive muito ciente das minhas limitações e só quando tive um carro novo, que eu andei sempre com carros antigos, é que me apercebi que o material era realmente importante. De repente, com menos esforço, comecei a disputar lugares no pódio e comecei a pensar obviamente em ganhar o campeonato. A história de correr no estrangeiro era sempre um bocadinho subjectiva, eram preciso apoios para se continuar a correr no estrangeiro e isso não era fácil. Eu nasci na Formula Ford, comecei a correr na Formula Ford, infelizmente a minha carreira terminou na Formula Ford porque tive um acidente muito grave e não pude continuar a correr, acabei por ficar por ali. Ainda tive oportunidade de fazer o Troféu AX duas vezes, só que os troféus eram muito complicados. Nós na Formula Ford tínhamos uma postura em pista muito mais respeitadora, os carros tinham as rodas de fora e não nos permitiam andar ali aos “toquezinhos”, os troféus na altura eram complicadissimos, eram o “salve-se quem puder” e era tudo aos toques e eu não estava habituada. Sofri muito no meio dos troféus, nunca tive maus resultados, embora a segunda vez que fiz o troféu AX as coisas tenham corrido muito mal, mas o carro também não era “grande espingarda”. No primeiro ano as coisas até correram muito bem, mas era um ambiente muito complicado para quem não estava habituado a andar aos toques. Nos troféus na altura e hoje ainda continua a ser assim safa-se quem tem o hábito de andar aos “toquezinhos”, eu ai era um bocado “anjinho” demais e sofri por causa disso. Havia também uma separação muito grande entre o pessoal que fazia os Formulas e o pessoal que fazia os carros de Turismo, éramos uns miúdos postos de parte pelo pessoal do nacional e dos troféus, chamavam-nos “as abelhinhas” e olhavam para nós sempre assim um bocadinho “de lado” e pronto, fui-me mantendo no universo da Formula Ford que era o que eu gostava.

10. Enquanto rapariga, como foi vencer na Formula Ford em 1993 com tantos bons pilotos na grelha?

Fui campeã de Formula Ford em 1993, o que irritou muita gente. Foi muito complicado, o campeonato já estava em vista desde 1991 que foi quando tive um carro novo pela primeira vez, logo em 1991 quando tive o carro novo comecei logo a andar nos lugares da frente. Infelizmente nesse ano tive alguns problemas. Logo na primeira prova parti um pé e não pude correr, a recuperação foi difícil e as provas seguintes estiveram bastante condicionadas por causa disso. Entretanto o primeiro lugar passou a estar fora de questão, nessa altura quem estava a disputar o primeiro lugar creio que era o Manuel Gião e o Azevedo. Passou a estar no meu objectivo o 3º lugar em que andei o ano inteiro a lutar com o Paulo Longo, depois houve inúmeras situações e acabei por não conseguir. Na última prova aqui no autódromo do Estoril aconteceu uma coisa muito aborrecida, sem necessidade nenhuma. Tive uma prova giríssima com o Paulo Longo, passávamos um pelo outro 2 ou 3 vezes por volta e na altura eu para ficar em 3º eu precisava que ele ficasse dois lugares atrás de mim. Mesmo que ele ficasse imediatamente atrás de mim ele ficava em 3º lugar na mesma, não havia hipótese, ficávamos separados por 1 ponto, mas ele ficava à mesma com o 3º lugar. No final da recta da meta eu passava-o sempre, em todas as voltas eu o passava no final da recta da meta. Na última volta ele dá-me um toque, mas um toque tão subtil que eu nem percebi que foi um toque, só percebi depois pelas marcas que ficaram no carro. Entrei disparada pela gravilha, rebentei com o radiador e como fiquei na gravilha também perdi o 4º lugar do campeonato para o Frederico Viegas. Desci para 5º e foi das coisas que mais me doeu. Em 1992 troquei de carro, voltei a ter um carro novo com chassi de 1992, mas foi um chassi que veio mal montado de fábrica e deu-me imensos problemas, não consegui terminar quase nenhuma prova e foi uma época muito complicada. Tivemos de desmontar o carro todo peça por peça e tivemos de o voltar a montar todo de novo. Em 1993 o carro já estava certinho e bonitinho e eu não tinha qualquer patrocínio ainda por cima. Arranquei para a 1ª prova, que era a única que eu ia fazer, eu não planeava fazer a época sequer. O carro estava todo certo, os problemas que tínhamos tido no ano anterior já estavam ultrapassados e eu arranco para a primeira prova que era dupla e ganhei as duas provas, então, com o prémio de ter ganho as provas fiz a prova seguinte, voltei a ganhar e fui fazendo o campeonato com os prémios das provas que ganhei, sem saber se fazia a prova seguinte, eu precisava de ganhar ou ficar nos 3 primeiros lugares para ter o prémio para poder fazer a prova seguinte. E fiz a época toda assim e acabei por ganhar o campeonato. Foi muito complicado porque em 1993 começou também o campeonato dos Formula Ford 1800, só que esse campeonato tinha muito poucos carros e a Ford optou, para mal dos 1600, que corressem todos juntos. Os 1800 eram mais potentes que os 1600, eram mais rápidos em recta, mas eram mais lentos a sair das curvas. Eu como tinha o carro muito equilibrado e conseguia meter a potência toda no chão, conseguia aproveitar ao máximo o carro e andar no meio dos 1800, pois havia 1800 que eram mais lentos do que eu. Esta situação obviamente gerou muita polémica… “Como é que um 1600, andava no meio dos 1800?”. Fizeram-me a vida negra durante todo o ano e a acusarem que o carro não estava legal, eu tive sempre o carro à disposição para quem quisesse ver, porque nós todos sabíamos o que é que cada um fazia. Eu sabia que o meu carro estava 100% legal, mas que o dos outros não estavam, ainda assim foi uma guerra psicológica muito grande durante o ano inteiro. Até que houve alguém que fez um “alarido” muito grande, eu na altura estava a discutir o primeiro lugar com o Nelson Bastos, que era um brasileiro que corria cá. Alguém dizia que o carro não estava legal. Eu disse que o carro estava ali e que podiam verificar tudo. O meu carro de todas as provas, e eram sempre 6 carros que ficavam na verificação, era o único que tinha o motor aberto todas as provas. Todas as provas abriam a cabeça do motor e mediam tudo e mais alguma coisa e nunca encontraram nada, porque o carro e o motor sempre estiveram legais. Certo dia chatearam-me “a sério” e eu disse: “O carro está aqui para quem quiser protestar ou experimentar, o carro é vosso!” Quem quiser protestar, tem o carro protestado também e nunca ninguém teve coragem de o fazer… Claro que eu não protestava ninguém porque eu não tinha dinheiro para isso, mas na altura disse que sim… Foi um ano muito complicado porque não aceitavam que uma rapariga andasse à frente deles. Quando comecei a correr, os outros pilotos eram os “Pêquêpês”, o Mário Silva, essa malta toda, achavam muita graça e o “Pêquêpê” ajudou-me muito no inicio a dar-me dicas como se afinava o carro e tudo mais. Enquanto eu era uma Rookie muito Rookie achavam muita graça, quando comecei a mostrar resultados deixaram de achar graça, mas eu estou habituada, tem sido assim a vida inteira!

12. Qual é para ti a maior dificuldade das mulheres no desporto automóvel?

A falta de orçamento é mais evidente nas mulheres e eu sofri muito isso na pele. Recebi respostas negativas mais do que uma vez, ainda hoje apresento projectos todos os anos e mesmo na altura da Formula Ford tinha resultados para apresentar e foi frequente ir “bater à porta” de empresas, apresentar projectos em reuniões e a resposta foi muitas das vezes: ” Isto é muito giro, mas nós preferimos apoiar um piloto ganhador.” Algumas dessas empresas patrocinavam pilotos que andavam sempre atrás de mim e ainda hoje gostava de saber qual era o conceito de “piloto ganhador”. Sempre achei que o facto de ser mulher não inspirava muita confiança para resultados e de facto na altura havia muito poucas mulheres a terem resultados, hoje em dia já é hábito as mulheres andarem à frente e a darem cartas. Na altura não era e o facto de ser mulher sempre foi um handicap enorme para mim. É difícil para todos arranjar apoios, mas para as mulheres é mais difícil, embora hoje em dia a ideia seja que como é mulher dá retorno e é mais fácil. As pessoas pensam isso, mas quando chega à hora de investirem já não pensam nisso. Espero que as coisas entretanto tenham mudado, mas sempre tive muitos problemas nesse campo.

13. Ainda pretendes continuar a correr durante muitos anos?

Eu espero continuar a correr, enquanto os dedinhos mexerem, tiver força para virar o volante e que não me torne nem perigosa, nem uma vergonha em pista. Eu sinto-me como me sentia antigamente, o meu espírito e a minha vontade é exactamente igual. Claro que há inúmeros factores que condicionam os resultados, mas enquanto sentir vontade, prazer e sentir que não vou fazer figuras tristes nem ser um perigo para os outros pilotos, tenciono aproveitar as oportunidades todas. Eu nem sequer consigo imaginar o não correr, porque é aquilo que mais gosto de fazer, sempre foi o que mais gosto de fazer e tenho aquela “competitividade” na minha maneira de ser e estar a vida em tudo, mas o que realmente me dá prazer é estar numa pista e tentar ser melhor que os outros, ou pelo menos a tentar ser melhor que eu mesma volta a volta. Enquanto eu sentir tudo isso tenciono continuar. Às vezes falo com ex-colegas e eles não são da mesma opinião, perderam a pica, perderam a vontade e aquele prazer que as corridas lhes davam. Eu não sei o que isso é por enquanto nem sei se isso vai acontecer, é natural que sim porque não sou diferente das outras pessoas, mas enquanto não acontecer tenciono andar desde que tenha oportunidades para isso.

14. Qual seria o teu próximo passo na competição? O que ambicionas?

Neste momento não sei. Tenho estado muito empenhada no projecto em que estou actualmente, embora não esteja a correr como eu gostaria. O carro com que estou a correr agora não é um Formula Ford, corre juntamente com os Formula Ford mas é um Formula Tuga, é um carro construído em Portugal e tem uma história fabulosa. É concebido por um engenheiro do Porto e o bonito da historia é que ele nunca esteve ligado ao desporto automóvel, ele é um teórico, ele é um estudioso e construiu um carro com base na teoria, nos estudos e cálculos que fez. Tem muito potencial mas precisa de ser desenvolvido, a ideia é desenvolver o carro que tem um motor de moto à semelhança dos outros Formula Tuga, só que o chassi é diferente e tem umas dimensões e um peso diferente de um Formula Ford. Neste momento é mais pesado e mais curto que um Formula Ford e isso tem equilíbrios diferentes e transferências de massas diferentes, o que interfere muito com os ajustes e configurações de suspensão. O carro neste momento não está com o setup ideal porque está a utilizar o setup de um Formula Ford que não é o ideal para este carro. Isso é o que tem de ser trabalhado, mas infelizmente a falta de apoios não o permitiu, de maneira que vamos fazendo algumas alterações prova a prova, mas têm estado a surgir problemas de juventude. O carro só fazia rampas e os períodos de andamento eram muito curtos, porque se sobe um bocadinho e depois volta-se a parar e não andam 20 minutos à voltas a fundo. Há problemas que vão surgindo e que nunca tinham surgido até agora, por isso a prioridade é ultrapassar esses problemas. A parte do desenvolvimento tem ficado para trás e por isso não está como eu gostaria que estivesse. Do pouco que o carro andou até agora e pelo pouco que tivemos e com os problemas, acho que é um carro que tem bastante potencial e era o que eu gostava de desenvolver. A ideia este ano era realizar um desenvolvimento a sério, mas não se conseguiu os apoios e não sei se para o ano vou conseguir. Ainda não se sabe o que vai acontecer no futuro. Gostava de continuar a desenvolver o carro, mas não sei se será possível. Não sei se o Roy, que é o dono do carro se quer continuar neste projecto, uma vez que já está cansado também.

As fotos colocadas na entrevista foram cedidas pela piloto Rosário Sottomayor e não são da autoria da CarZoom

A carreira em números (à geral em: F. Ford 1600; Nac. Velocidade; AXA Golden Cup; F. Tuga)

. Vitorias: 14

. Poles Positions: 10

. Voltas + Rápidas: 11

. 2º Lugares: 17

. 3ª lugares: 4

Palmarés:

1986 – Estreia absoluta nas “3 Horas de Resistência do Estoril” com 16º lugar

1987 – 4º Classe, 11º geral Camp. Nacional Formula Ford

1988 – 2º Classe, 10º geral Camp. Nacional Formula Ford

1989 – 7º lugar Camp. Nacional F. Ford

1990 – 1º Classe, 6º geral Camp. Nacional F. Ford

1991 – 5º lugar Camp. Nacional F. Ford

8º lugar Trofeu Citroen AX

1992 – 6º lugar Camp. Nacional F. Ford

1993 – 1º lugar Camp. Nacional F. Ford 1600 (Campeã Nacional)

1999 – 1º lugar AXA Golden Cup

1º lugar AXA Ladies Challenger

2000 – 1º lugar AXA Ladies Challenger
5º lugar AXA Golden Cup

2002 – 2º lugar Camp. Nacional de Velocidade Gr.1 (Vice-Campeã Nacional)

2007 – 5º lugar Troféu FEUP
1º lugar Troféu Feminino FEUP

2008 – 6º lugar equipas Troféu FEUP
1º lugar Troféu Feminino FEUP

2010 – 10º lugar equipas Troféu FEUP I
1º lugar Troféu Feminino FEUP I

2017 – 2º lugar F. Tuga

2018 – 2º lugar F. Tuga

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