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Peugeot 3008 GT Hybrid4: Leão endiabrado!

A Peugeot tem a gama mais “irreverente” das marcas generalistas. Quer se goste quer não se goste, todos os modelos da gama da marca Francesa sabem dar nas vistas! Desde a gama mais baixa à gama mais alta, estes automóveis franceses não passam despercebidos e continuam a surpreender alguns transeuntes, embora estes modelos abundem nas estradas portuguesas. O Peugeot 3008 foi recentemente atualizado e está agora pronto para enfrentar mais alguns anos de mercado, para isso, também ostenta uma motorização híbrida plug-in com 225 ou 300 cavalos de potência.

Entrar num automóvel com a sigla “GT” gravada no volante é sempre um bom presságio, mas antes de partirmos para o interior, vamos começar pelas alterações e actualizações que a marca do leão realizou neste renovado Peugeot 3008. O estilo desportivo está presente não só neste nível de equipamento GT, como também nos restantes níveis de equipamento da gama 3008, uma vez que se trata de um automóvel com traços bastante futuristas e “robóticos” que lhe concedem um design global bastante dinâmico.

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A nova grelha dianteira com design complexo vinca a identidade deste novo Peugeot 3008, cujo logótipo da marca surge em dimensões generosas no centro da grelha, enquanto a nomenclatura do modelo aparece logo no topo da dianteira. As óticas rasgadas ostentam a nova assinatura luminosa da marca com as “presas” iluminadas a ocuparem os flancos do pára-choques dianteiro quase até ao lábio do pára-choques. Ainda nos flancos da dianteira contamos com duas entradas de ar simuladas destinadas a acentuar o estilo mais desportivo. Na zona inferior da dianteira temos mais um friso cromado e uma proteção plástica da carroçaria. O capô é longo e mergulhante, vincado para os guarda-lamas, que se separam do capô através de um vinco cromado. Os dizeres “Hybrid4” no guarda-lamas não enganam e gritam: “Híbrido muito potente de tração integral!”

Na laterais temos uma linha de cintura elevada e rectilínea que sobe a partir do pilar “C” até à traseira. Há frisos cromados nas portas, moldura dos vidros cromada e protecções laterais que protegem a carroçaria e evitam os vincos causados pelas pessoas mais “distraídas” nos parques de estacionamento. Os arcos das rodas são salientes e também albergam abas plásticas de protecção que não nos deixam esquecer que este modelo é um verdadeiro SUV.

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Por fim, na traseira temos um óculo inclinado e tímido, um spoiler saliente e uma barra preta que junta os farolins traseiros compridos e dinâmicos. A mesma barra também destaca o símbolo da marca cromado ao centro e proporciona à traseira o seu design distintivo que nos leva a reconhecer este modelo à distância. O pára-choques traseiro é saliente, generoso e declivado, mas não deixa de lado o requinte com um friso largo e cromado. Ainda na traseira, a Peugeot volta a “frisar” que se trata da motorização mais espigada e ecológica com o badge “Hybrid 4” e com as duas saídas de escape simuladas.

No equipamento exterior temos: óticas full-led, farolins LED, chave mãos-livres, vidros traseiros escurecidos, pintura bi-tom, retrovisores com recolha elétrica, jantes de 18 polegadas com dois tons envolvidas em pneus 225/55 e barras de tejadilho longitudinais cromadas.

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O acesso ao interior é um ponto forte do Peugeot 3008, que apesar do seu estilo muito dinâmico tem um formato de carroçaria que não penaliza as pessoas de maior estatura. Mesmo que sejamos indivíduos altos, o acesso aos lugares dianteiros é muito simples e o acesso aos lugares traseiros só peca pela abertura pouco condescendente das portas. Apesar disso, há espaço para a passagem da cabeça e dos pés, onde só vamos notar a pouca condescendência da abertura das portas, caso tenhamos de ajudar uma pessoa com mobilidade reduzida ou um idoso a entrar nos lugares traseiros.

Uma vez no interior, espaço não falta! Sentados nos lugares traseiros, temos espaço para os joelhos, ombros e cabeça, arriscamos dizer que viajam 3 adultos de estatura média relativamente à vontade. Em parte, este espaço deve-se aos bancos dianteiros que têm uma zona traseira declivada que facilita a acomodação das pernas dos passageiros dos lugares traseiros. Espaço de arrumação também não falta, uma vez que as bolsas das portas dianteiras são compridas, assim como as bolsas das portas traseiras, em conjunto, proporcionam espaço de armazenamento suficiente para objectos do quotiano (carteiras, chaves, telemóveis), de todos os passageiros. O apoio de braço central dianteiro tem uma arrumação generosa, assim como o porta-luvas. A bagageira dispõe de 395 Litros de capacidade, que se estendem aos 1357 Litros, ou seja, menos 125 Litros que a versão térmica 1.5 Blue HDi. O plano de carga não é direito, no entanto, temos uma abertura no lugar traseiro central, que nos permite transportar um objecto comprido e fino, sem abdicar dos dois lugares traseiros.

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No que toca ao conforto a bordo, esta versão GT não é exemplar. Os bancos proporcionam muito apoio lateral e muito apoio para as costas e pernas, o que é bastante positivo. Contudo, os bancos são algo rígidos e com um design digno de um verdadeiro desportivo, que talvez não seja o que muitos pais de família pretendem. No entanto, a configuração bastante condescendente da suspensão permitiu à Peugeot equilibrar a balança do conforto. Quando passamos em buracos ou circulamos em fora-de-estrada, esta configuração mais condescendente da suspensão quase nos permite beber um café sem entornar a chavena.

Os olhos também “comem” quando se fala do design interior e a Peugeot é uma marca bem-sucedida no design dos seus interiores, que condizem na perfeição com toda a estética futurista. O tablier e a zona da consola central e apoios de braço das portas, formam várias “camadas”. O tablier está numa camada superior e ostenta tem vincos e ângulos, de onde sobressaem o painel de instrumentos e o sistema de navegação e multimédia. A consola central está totalmente focada no condutor, num nível mais baixo, onde temos em acesso privilegiado teclas “deitadas” que nos fazem aceder aos diversos universos do automóvel. O túnel central é elevado e está mais ou menos ao nível dos apoios de braços das portas, em conjunto oferecem uma sensação de robustez e acolhimento no interior.

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A decoração é muito cuidada e caprichosa. Falamos de iluminação ambiente azul colocada nas portas, porta-copos, zona inferior da consola central e painel de instrumentos. Mas há outros pormenores que nos saltam à vista, falamos de aplicações a alcantara nos medalhões das portas e por baixo da consola central, nas aplicações metálicas espalhadas por todo o interior e ainda do pesponto contrastante que se apodera dos bancos, apoio de braço central e apoios de braço das portas.

Todos estes detalhes contribuem para uma qualidade digna de registo, uma qualidade que chega ao detalhe “Premium”, falamos de bolsas das portas forradas. Os materiais são de boa qualidade, o couro, o metal, a alcantara e mesmo os emborrachados no tablier e em metade das portas. A construção também é boa, porém, abundam as pequenas peças e frisos de materiais mais rigidos, que se juntam uns aos outros, o que pode vir a ser fruto de ruídos parasitas com o passar dos anos. No modelo ensaiado, não haviam ruídos parasitas e a insonorização estava ao nível do segmento.

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Conforto nos tempos que correm também está associado a tecnologia e equipamento e nessa temática o Peugeot 3008 tem tudo o que precisamos: ar-condicionado automático de dupla zona, câmara de ajuda ao estacionamento 360º, controlo por voz, carregador de smartphone sem-fios, patilhas no volante para troca de relação, soleiras das portas metálicas “Peugeot”, regulador de velocidade adaptativo com função de paragem e arranque, limitador de velocidade, câmara de visão nocturna, sensores de chuva e luminosidade, painel de instrumentos digital e sistema de navegação e multimédia em ecrã de 10 polegadas.

O sistema de navegação e multimédia permite-nos controlar praticamente todas as funcionalidades do Peugeot 3008. Está bem colocado e acessível, no entanto, alterar a temperatura do A/C, por exemplo, pode levar algum tempo com os olhos desviados da estrada. A apresentação dos menus é simpática e a utilização é bastante intuitiva, porém, o ecrã não tem a melhor definição do seu segmento, mas há que ter em conta que se trata de um modelo lançado em 2016. A navegação é apresentada de forma clara e intuitiva, há logótipos nas estações de rádio e algumas configurações adicionais relativa ao painel de instrumentos, segurança, recepção ao condutor, entre outros. A iluminação ambiente no interior está muito bem colocada e é muito agradável, todavia, só está disponível em azul, o que quer dizer que quem não gosta de azul, ou apaga a iluminação ambiente ou habitua-se!

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Ainda no sistema de navegação e multimédia encontramos algumas “mais-valias” à utilização de um veículo híbrido. Podemos consultar o fluxo de energia, um histórico de consumos e até é possível agendar o horário do recarregamento, uma vantagem para quem tem um contrato de electricidade com tarifa bi-horária. Algumas especificidades dos veículos híbridos plug-in podem ser controladas através da aplicação My Peugeot que permite agendar recarregamentos e programar a climatização.

O painel de instrumentos é extremamente personalizável, apresenta muita informação de forma bastante clara, tem uma parametrização muito simples e é muito agradável à vista, quando o conseguimos visualizar. No nosso caso, ou prescindíamos da nossa posição de condução habitual e mais confortável, ou simplesmente não víamos o painel de instrumentos. Utilizar determinados temas também não era possível porque o volante obstruía quase por completo a vista do painel, o que significava que tínhamos de optar por um tema que nos permitisse ver a velocidades a que circulávamos, uma vez que em alguns temas não conseguíamos visualizar o velocímetro. Os painel adaptava-se ao modo de condução e apresentava informações específicas da motorização híbrida, tais como o nível de autonomia elétrica, nível de autonomia com combustível e ainda o indicador de utilização de energia que nos indica se estamos a regenerar, a consumir de forma económica ou a tentar extrair os 300cv de potência!

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A posição de condução é absolutamente fantástica. O condutor sente-se facilmente envolvido e seguro, como se fizesse parte deste automóvel. Tudo está focado na pessoa que desempenha a tarefa da condução, o que é muito agradável, facilita a vida e faz-nos querer conduzir, mesmo que seja só para ir ao fundo da rua. A visibilidade é boa para dianteira e laterais, na traseira, o “pilar C” é mais estreito do que é habitual nestes veículos, o que facilita a visualização de uma árvore ou poste que surja nesse ângulo. No entanto, o formato da traseira e a linha de cintura crescente não facilitam a tarefa do condutor no estacionamento, embora este Peugeot 3008 seja, ainda assim, mais simpático do que a maioria SUV. Outro ponto a destacar é o volante! À parte da visibilidade para o painel de instrumentos ser francamente má, este volante é uma verdadeira delicia! A fadiga é menor com um volante pequeno, principalmente quando se trata de “dar aos braços” para estacionar, o volante facilita e muito estas manobras! Do ponto de vista da condução, este volante tem uma pega muito agradável um formato desportivo, que nos oferece maior prazer de condução, para além de facilitar as entradas e as saídas.

Na estrada, o Peugeot 3008 tem um comportamento estável. Em curva, a configuração de suspensão mais condescendente faz com que o adornar da carroçaria se note, mas nada que nos tire o sono, pois este SUV curva sob carris! Ao sair de curva, o binário do motor eléctrico às rodas traseiras faz-se notar, e é aqui o calcanhar de Aquiles do Peugeot 3008, que pode assustar os menos experientes. Neste caso, o SUV cola a traseira ao chão, levanta a frente e quase deixamos de sentir direção. Por outro lado, quando deixamos de acelerar, o Peugeot 3008 vai na direcção em que frente estiver apontada. Com uma condução mais despachada e sem excessos, este automóvel é realmente prazeroso e eficaz! Quando pretendemos “sair de estrada” o SUV Francês é uma verdadeira referência. A tração integral funciona muito bem, não deixando o “leão” amedrontado perante subidas mais íngremes ou escorregadias. Na descidas o sistema hill descente control encarrega-se do abrandamento da locomoção, oferecendo uma segurança adicional. Em estradões de terra a suspensão absorve muito bem os impactos e até nos permite algumas brincadeiras e “escorregadelas” controladas quando atacamos o pedal do travão e do acelerador.

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Debaixo do capô encontramos uma motorização híbrida plug-in composta por um motor 1.6 Litros Puretech a gasolina com 200cv de potência e por um motor elétrico colocado na traseira que debita mais 110cv de potência ao eixo traseiro, complementando a tração. Estes motores estão conectados a uma caixa automática de 8 velocidades muito rápida e eficaz, que oferece prazer de condução no modo sequencial, no qual conseguimos efetuar trocas de relação nas patilhas situadas atrás do volante. Esta motorização extrai energia de uma bateria de iões de lítio com 13,2 kWh que permite uma autonomia no modo 100% elétrico que pode ultrapassar os 50 quilómetros.

Para além da potência de 300cv, 520 Nm de binário, tração integral e autonomia elétrica para mais de 50 quilómetros, o Peugeot 3008 Hybrid 4 é um híbrido plug-in de excelência, uma vez que tem como opção um carregador interno de 7,4kW! Para quem isto pode parecer “Chinês”, a maioria dos Híbridos plug-in recarrega a 3,7kW, ou seja, a pouco mais de metade do que o Peugeot 3008. Traduzindo por miúdos, demoramos cerca de 7 horas a 1,8kW, cerca de 4 horas num tomada Green Up a uma velocidade de 3,7 kW e menos de 2 horas num posto publico de recarregamento ou numa wallbox monofásica. Se conseguimos recarregar o nosso híbrido plug-in em menos de 2 horas, é provavel que consigamos assegurar uma mobilidade diária 100% elétrica, mesmo que percorramos mais de 50 quilómetros diariamente! Recarregamos em casa ou no trabalho, ou mesmo quando vamos almoçar ao restaurante mais próximo. A circulação no modo 100% elétrico traduzir-se-á numa utilização muito menos dispendiosa!

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No modo híbrido também gastamos “pouquinho”, uma vez que no nosso ensaio realizámos 100 quilómetros com uma média de 3,4 Litros com o automóvel recarregado. Esta média passa para mais de 8 Litros quando circulamos sem carga na bateria de tração e ai não temos quaisquer benefícios, muito pelo contrário, uma vez que os consumos são superiores ao modelo, exclusivamente térmico a gasolina.

Para além da redução de custos associada à circulação elétrica ou híbrida, há outro factor que nos coloca um sorriso no rosto, a performance! Neste campo o Peugeot 3008 convence, falamos de 6,1 segundos dos 0 aos 100km/h e de 240km/h de velocidade máxima. Um verdadeiro desportivo? Quase! Neste conseguimos quase as mesmas performances com a diferença de haver uma versatilidade muito maior!

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Apesar de ser um automóvel muito potente é possível “domá-lo” ou adequar o seu comportamento ao nosso estado de espírito, falamos dos modos de condução ECO, Normal e Sport. No modo “Eco” encontramo-nos comprometidos com a poupança de combustível, ou seja, com uma resposta ao pedal do acelerador mais retardada e uma performance da climatização com menor rendimento. No modo “Normal” a resposta ao acelerador encontra-se capaz de realizar ultrapassagens ou recuperações, sem prejudicar em excesso os consumos, neste caso, a climatização não sofre qualquer perda de rendimento. O modo “Sport” é aquele que nos permite extrair os 300cv de potência do Peugeot 3008 Hybrid 4, através de uma resposta ao acelerador optimizada e uma assistência à direcção reduzida para melhor feedback ao condutor. Para além dos modos de condução, a bateria apresenta um modo “Save” para pouparmos autonomia para a circulação em “cidades verdes” onde ocorram restrições à circulação de veículos térmicos.

Na segurança, o Peugeot 3008 oferece sistemas como manutenção na via, alerta de ângulo-morto, sistema de assistência ao arranque em subida, sistema de visão nocturna (opcional), travagem de emergência ativa com deteção de peões, luzes de máximos automáticas, entre outros. Nos testes Euro NCap, o Peugeot 3008 obteve as 5 estrelas em 2016 com 86% na proteção dos adultos, 85% na proteção das crianças, 67% na proteção dos peões e 58% nas assistências à condução.

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O Peugeot 3008 começa nos 29.450,00 € para o nível de equipamento Active com o motor 1.2 Litros Puretech (Gasolina) com 130cv. As versões híbridas plug-in de 225cv estão disponíveis a partir dos 44.025,00€ no nível de equipamento Allure. Já a versão ensaiada GT com GT Pack e o motor híbrido plug-in com 300cv esta disponível a partir dos 54.075,00€. A unidade ensaiada custa 57.685,00€ devido à pintura metalizada Branco Nacré (619,00€), Zona de carregamento de smartphone sem-fios (100,00€), Carregador Embarcado (300,00 €), Night Vision (1200,00€) e ao Teto de abrir panorâmico em vidro (1400,00€).

Leia aqui o ensaio à Peugeot 508 SW!

Fotos: João Santos

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