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Tiago Neves: Emoções da primeira corrida e início de uma vida “sobre rodas e motores”!

Decidi utilizar a CarZoom para partilhar algo mais pessoal que tem a ver com a temática dos automóveis, mas algo que é realmente “íntimo” e que não se lê todos os dias. Quem nos segue, sabe que saem noticias escritas por mim… Mas sabem quem é que na realidade está atrás do computador a perder horas de descanso para vos trazer noticias, artigos e ensaios? Hoje vou escrever sobre mim, sobre como nasceu o meu amor pelos automóveis e sobre as emoções da minha primeira corrida que ocorreu no sábado que passou.

Sou o Tiago Neves, tenho 23 anos, comecei a gostar de automóveis desde que me lembro e o meu sonho sempre foi ser piloto de Formula 1… Já perceberam que não consegui, pois infelizmente, um desporto tão caro só está ao alcance dos que tem mais posses, o que não é o meu caso… Limitava-me a sentar ao lado do meu pai ao Domingo a ver a Formula 1 na RTP1, o Campeonato do Mundo de Ralis, Le Mans, GT entre outros. Cada vez que via aqueles homens atrás do volante, só sonhava poder vir um dia a ser um deles, mal eu percebia o quanto era dificil, no fim de contas era apenas um miúdo bastante sonhador que pensava de dia e de noite em “veículos” com motores e rodas.

Mal sonhava que iria ter um site de imprensa automóvel e poder experimentar alguns automóveis de sonho, sentindo prazer e satisfação não apenas a conduzir como também a escrever.

Comecei a andar nas motos de um grande amigo com cerca de 8 anos de idade, ainda hoje lhe estou grato por tamanha oportunidade e confiança… Obrigado Mark! Desde então o bichinho pela condução foi crescendo e tornando-se algo cada vez mais incontrolável. Não importava o que estava a conduzir, se era uma acelera, uma moto 4 ou mesmo uma bicicleta, gostava de guiar e sempre gostei. Na minha adolescência passava a vida na internet a falar com miúdas e a ver Moto 4, Kartcross, Karts e todas as formas possíveis e imagináveis para satisfazer a vontade que tinha de conduzir… Queria simplesmente aprender a conduzir bem, se fosse uma scooter, trotinete a motor, ou qualquer outra coisa que se movesse a gasolina e tivesse rodas, estava bom!

Aos meus 11 anos de idade, o meu pai levou-me ao Kartódromo de Odivelas, onde tive o privilégio de conduzir um Kart pela primeira vez, foi amor à primeira vista. Desde então passei a sonhar em ter uma coisa daquelas e cada vez que recebia dinheiro nos anos, dos meus avós ou padrinhos, esse dinheiro tinha destino… Andar de Kart! Era ao volante dos Karts que satisfazia o maior amor que já tive na vida, o amor aos automóveis e à condução, era o realizar de um sonho durante aquela meia hora ou dez minutos.

Comecei a trabalhar, comprei carro e um amigo aproveitou-se do meu “temperamento impulsivo” para me dizer que tinha um Kart à venda… Deixei de ir de carro para o trabalho, comprei o passe do comboio e fiquei cerca de 2 meses sem sair de casa nem aos fins-de-semana para pagar o Kart, posso dizer que nunca me arrependerei de o ter feito. Consegui aos 21 anos satisfazer um dos sonhos daquele miúdo de 11 anos, lembro-me que estava radiante, irrequieto, histérico… Com um comportamento semelhante ao daquelas “miudas” que vão aos concertos do Justin Bieber… Deixo o meu agradecimento ao Nelson Silva, por me ter vendido o meu primeiro Kart e por me ter dado as primeiras luzes de como devia agir e proceder… Obrigado pá!

Desde que comprei o meu primeiro Kart que fui obrigado a andar praticamente todo sujo de óleo, mesmo sem perceber nada do que estava a mexer ou a fazer… Ainda hoje… Afinar carburador? MEDO!!! Fui andando de Kart e só Deus sabe o quanto a minha condução evoluiu e o quanto aprendi ao volante de algo tão simples e tão puro como este tipo de veículos, que são a modalidade “mais básica” do desporto automóvel… Aprendi da forma mais dolorosa, pois tinha um Tony Kart Extreme com um motor Vortex 100 Inter A, andava um “bocadinho mais” que os de aluguer… Acho que das primeiras vezes, fui o campeão de piões do Kartódromo de Odivelas!

Geralmente chegava à pista e andava 10 minutos, as outras 3h era a gastar dinheiro e a perceber porque é que o Kart não funcionava, até que apareceu o Paulo Ramos, um senhor com um ar meio alucinado que nunca mais me deixou tocar com um dedo que fosse num Kart, pelo menos na parte mecânica, ainda hoje oiço constantemente “É melhor não mexeres senão estragas!”. O Paulo Ramos, colocou-me realmente a andar, ensinou-me formas mais correctas de guiar, deu-me “calduços” com fartura e apresentou-me a um dos senhores do Karting em Portugal, o Raul Silva. Ao conhecer estas duas personagens, a minha vontade de prosseguir com esta modalidade foi cada vez maior, a simpatia, a dedicação, os ensinamentos foram para mim algo formidável com que sempre sonhei, no fim de contas estava e estou a ter um acompanhamento “de topo”.

Depois de 2 anos ao volante do velhinho Tony Kart, comprei um Kosmic com motor Iame X30. Agora tudo ficou mais sério, tenho um Kart em condições, tenho duas pessoas que me ajudam bastante e tenho as condições mínimas para ir satisfazendo o meu gosto pelas corridas e pelos automóveis. Ainda tenho tanto para aprender, mas não fico triste com isso. Ao contrario de muitos rapazes da minha idade, eu comecei há pouco tempo e por isso, nada mais me resta do que adoptar a postura do “Gentleman Driver” e conduzir por amor e gosto aos automóveis. É o que tenho tentado fazer…

Este ano já cometi duas loucuras… Participar no KIA Racing Opportunity onde cheguei à semi-final e realizar a minha primeira corrida de Karts a 2 tempos, que comece a verdadeira aprendizagem!

É verdade… Neste fim-de-semana corri pela primeira vez de Kart, numa pista onde não andava há 10 anos e a ultima vez foi de Kart de aluguer. Falo do mítico circuito da Batalha, uma pista exigente, trapaceira e técnica. Inscrevi-me na categoria Livre 2 tempos da Taça Euroindy e parti para a aventura. O Kart está nas melhores condições, ou não seria preparado pelo Paulo Ramos e pelo Raul Silva, só faltava o mais dificil, ter “cabeça” e o famoso “Kit de unhas”.

Sendo a minha primeira corrida de Karts a 2 tempos o receio estava ao rubro, ia estar com pilotos mais experientes, numa pista praticamente desconhecida e basicamente estava a pensar que seria “passado a ferro”. Qual era a melhor atitude? “Tiago, não vais ganhar nada, sê Gentleman Driver e aproveita o momento”… Foi com esse espírito que me desloquei ao kartódromo da Batalha, os nervos eram mais do muitos, mas no fundo sabia que ia estar a altura do desafio. O desafio era tentar vencer miúdos com metade da minha idade, é verdade, neste troféu estavam alguns miúdos da escola Euroindy que me deram água pela barba. Com cadetes e um Rotax Junior, Karts muito menos potentes que o meu, ensinaram-me como se conduz a sério e não é vergonha nenhuma, até porque pilotos como o Diogo Faria, que tem apenas 13 anos são o futuro, eles serão os próximos pilotos de GT e Formulas daqui a 10 anos, qual é a vergonha de perder contra miúdos que conduzem como gente grande?

Para mim foi uma experiência única e fantástica, apesar de não conhecer ninguém, aquele era o meu habitat, foi ali que me senti bem e a fazer o que gostava, não importa em que lugar fique, sei que conduzo por amor e pretendo continuar a fazê-lo, tanto de Kart, ou quem sabe num Formula ou num carro de Ralis… Novidades para breve? Quem sabe, se o orçamento o permitir, o que realmente importa é conduzir e satisfazer o sonho dos automóveis.

Fotos Taça Euroindy: Elia Faria

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