Quando um automobilista “ferrenho” compra uma moto 125cc por pura diversão…
Várias são as razões que levam alguns automobilistas a escolher os motociclos com 125cc para as suas deslocações… Existe quem simpatize com as motos mas não queira tirar a carta de condução A, existe quem escolha este tipo de mobilidade por uma questão de economia e há até quem simplesmente queira chegar mais depressa ao trabalho, evitando as filas de trânsito. Neste caso, tratou-se da pura paixão pelos motores e de uma curiosidade já antiga, que se alia ao querer conduzir melhor.
Se se tratasse de uma reunião de “automobilistas anónimos” diria: “Olá, o meu nome é Tiago, sempre coloquei os automóveis no centro da minha vida e estou há uma semana a conduzir uma moto 125cc, enquanto encostei os carros durante uns dias”…
Na verdade, o gosto pelas motos começou quando tinha apenas 8 anos, ao guiador de uma Suzuki Street Magic 50cc Bordeaux que era de um amigo, eu sei, que cor pouco digna! Mas foi naquela simpática moto que me iniciei nas “lides da condução”, até descobrir os Karts de aluguer aos 12 anos, uma paixão para a vida e uma escola sem igual. O meu coração sempre teve 4 rodas, sonhava com automóveis de noite e de dia… Bem, agora que penso nisso, não mudei assim tanto! O meu sonho sempre foi ser piloto de carros de corrida, mal eu sabia em criança como seria dificil…

Vamos crescendo e facilmente percebemos que determinados sonhos requerem muito empenho e dedicação. Felizmente, consegui ter o meu Kart que foi o brinquedo que mais me ensinou a conduzir até hoje, enquanto puder, continuarei a andar de Kart e a aprender a cada curva que faço. Através da imprensa automóvel, conduzi mais de 400 automóveis em poucos anos, alguns destes, bem entusiasmantes! Por último, realizei o sonho e corro em Ralis com um modesto Mitsubishi Colt. Apesar de tudo isto, senti recentemente a vontade de “voltar às origens” e de reaprender a conduzir.
As motos oferecem uma liberdade sem igual. O vento a bater no corpo, o sentir estrada, estar exposto aos elementos… Também existe uma certa liberdade económica, principalmente quando se opta por motos “modestas” que permitem aos utilizadores percorrer muitos quilómetros com um consumo de combustivel muito reduzido.
Há várias coisas que me atraem nas motos: Viajar sem estar muito preocupado a fazer cálculos ao combustível (€€), ouvir o barulho do motor e, acima de tudo, aprender a conduzir e aplicar a condução das motos aos automóveis… Acreditem, aprende-se muito!

Qualquer motociclo 125cc a 4 tempos é mais económico do que um automóvel citadino térmico, em situações normais, por razões óbvias: são mais leves, têm menos cilindrada, menos potência, menos complexidade, entre outros. Em boa verdade, as sensações de um motociclo muito simples são também mais ricas do que num automóvel proporcionalmente simples. Acredito que consigo ter mais prazer a conduzir uma Yamaha N-MAX 125cc do que um Smart Fortwo, por exemplo.
No entanto, tal como acontece nos automóveis, nem todos procuramos apenas economia e um veículo que nos leve do ponto A ao ponto B. Neste sentido, não podia escolher uma qualquer 125. O orçamento era curto mas tinha algumas “palavras de ordem”. A minha moto tinha que ser mecânica, ou seja, mais pura possível e sem grandes “mariquices”, tinha que ter caixa manual e algum estilo… Segui à procura no mercado de usados até que me cruzei com as Mash!
Preços acessíveis, fiabilidade q.b e um estilo vintage bastante agradável. Fiquei convencido com os modelos mais simples a carburador e acabei por ir ver uma Mash Seventy Five cinzenta e castanha bastante “classy”. Tinha finalmente encontrado a moto que me iria colocar novamente o bichinho das duas rodas e muitos sorrisos no rosto.

Em 2 meses já percorri 1000 quilómetros, realizei viagens de 200 quilómetros, andei por montes, vales, serras e estradas à beira mar. Saí com capacete de carro e fui tomar o pequeno-almoço de fato e gravata…(cada um com a sua pancada) Esbocei sorrisos, criei novas memórias e aprendi a conduzir melhor, na minha ótica…
As motos são uma excelente escola, querem exemplos? Um tal Valentino Rossi chegou a “dar bigodes” num carro de Ralis a um tal Sebastien Loeb, o “nosso” Miguel Oliveira ganhou uma prova do WTCR, o grandioso Pedro Lamy começou nas motos… Bom, alguns nomes muito sonantes do automobilismo começaram pelas duas rodas, o que nos faz acreditar que, de facto, as motos são uma mais-valia para quem quer conduzir bem.
Sei que não me vou tornar um piloto de automóveis de excelência por andar de Mash 125 na estrada, para evoluir, o ideal seria dedicar-me aos circuitos ou ao motocross e opções não faltam, deixo a Escola de motociclismo de Sintra como exemplo.

A verdade é que me sinto mais humilde e pior condutor quando ando de moto, o que não é necessariamente mau, obriga-me a estar mais atento e a aprender a reavaliar os comportamentos de um veículo que é quase uma novidade para mim.
Embora tenha começado cedo a andar de moto, também deixei de andar de moto muito cedo. As últimas experiências tinham ocorrido na escola de motociclismo de Sintra para escrever um artigo para este mesmo site. Nessa escola aprendi algumas coisas básicas que são realmente úteis para quem anda na estrada. Apesar dos preciosos ensinamentos do “mestre” Rui Balhecas, as motos continuam a ser todo um novo mundo em que tenho que aprender muitas coisas: Olhar para onde tenho de ir, reaprender a curvar, a travar e a acelerar. Todos estes fatores e novas aprendizagens tornam a nossa condução mais completa, mesmo quando conduzimos automóveis. Nas motos não há tempo para distracções e são veículos que estão sempre a expressar o seu comportamento e a “dar sinais”, o que faz com que nos tornemos mais sensíveis e suaves a conduzir, mais uma vez digo, ótimo para os automóveis!
Relativamente à minha MASH, bem, os bons momentos são constantes! A minha moto é realmente prazerosa de conduzir, não que a minha experiência de motos seja muita, mas o porreiro barulho do motor, a filtragem quase inexistente da estrada e os baixos consumos são motivo de sorrisos sem fim.
Olhar para a minha MASH é também um motivo de satisfação… “Sacana da moto tem pinta!” Jantes raiadas, banco em couro castanho, punhos castanhos e um estilo “café racer” bem na moda que só nos faz querer “andar a espalhar estilo”. Tal como faríamos num automóvel clássico saímos para passear, ir a encontros com malta agradável das motos que tem igual paixão pelos motores, onde não existem “picanços parvos” e todos estamos para o mesmo, aproveitar os bons momentos em duas rodas e os simples prazeres da vida.

Ir de moto com fato e gravata tomar o pequeno-almoço, passear com os amigos ou viajar com a namorada, passaram a ser rituais ainda mais enriquecedores. Quando penso no prazer que tenho com um veículo do mais simples e humilde que existe, tenho a prova de que não precisamos de gastar dezenas de milhares de euros para aproveitarmos a vida e nos divertimos com motores.
Um texto de um tipo dos automóveis que descobriu numa simples 125cc um refugio, uma fonte de felicidade e uma forma de aprender a conduzir melhor.





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