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Fomos ao SEAT OnTour entrevistar líderes da SEAT e da Cupra!

No SEAT On Tour tivemos a oportunidade de entrevistar 4 responsáveis de áreas distintas da SEAT e da Cupra.

Fabian Simmer – Digital Officer Definição e liderança da Estratégia de Digitalização / Mobilidade Inteligente da SEAT, SA

CarZoom: De que forma se diferencia a comunicação ou as estratégias de marketing, das outras marcas do mesmo grupo?
A marca desenvolve a sua estratégia de comunicação, porque cada marca tem um posicionamento de produto diferente. Nós somos um grupo mais jovem, mais urbano, portanto fazemos um comunicação diferente das outras marcas do grupo Volkswagen. E na verdade funciona muito bem, a nível comunicativo temos toda a liberdade, cada marca tem os seus atributos. E sim, falamos uns com os outros, mas não existe uma imposição do grupo, todas as marcas têm total liberdade e normalmente nem nos
tocamos porque temos um público-alvo diferente. Damo-nos todos bem entre as marcas do grupo claro, mas não existe uma ordem do género “tu tens de fazer isto” e “tu aquilo”, e isso é muito bom para a criatividade de cada uma das marcas.

CarZoom: Existem sinergias entre os responsáveis de comunicação e marketing das outras marcas do grupo?
Temos sinergias entre marketing e comunicação internos. Por exemplo vamos ter um grande evento para o lançamento do novo Leon e obviamente eu tenho de falar com o marketing para, em conjunto, podermos fazer o melhor trabalho. Com outras marcas não existem sinergias, no passado quando havia um evento do grupo poderíamos aproveitar para fazer um evento de lançamento nosso também, mas hoje em dia como temos timings diferentes de lançamento de produtos, cada um tem as suas press conferences, as campanhas são diferentes. No entanto, todos temos uma boa relação e temos reuniões periódicas, normalmente juntamo-nos a cada 2/3 meses numa das marcas do grupo, onde estão todos os responsáveis de comunicação e onde apresentamos os nossos best case cenarios onde todos aprender uns com outros.

CarZoom. O que pensa da electrificação automóvel?
Bem, eu pessoalmente como vivo numa cidade muito movimentada, como Barcelona, eu penso que a electrificação vai ajudar a reduzir as emissões. E temos de cumprir as regras dentro das cidades, nós na SEAT estamos muito focados e bem posicionados na electrificação com um espectro muito amplo, com motores para todos os gostos a combustão de baixas emissões, uma oferta de plugin hybrids e agora o lançamento do 100% elétrico El Born e assim abarcamos muitas necessidades.

CarZoom: Vi que falaste na tua apresentação e que estás a trabalhar no protótipo Minimó, o que pretende ser este veículo, uma mota, um automóvel?
Bom, é verdade que estivemos a trabalhar num segway e estamos a trabalhar no Seat Minimó, mas recomendo que continues a ver-nos e à espera das novidades.

CarZoom: Mas pelo que vimos o Seat Minimó é um pouco parecido com o Renault Twizy, em termos de imagem claro…
Sempre que tens um veículo 1+1, quando te sentas um atrás de outro não podes fazer as coisas muito diferentes e quando estás a fazer um carro estreito vai ser sempre parecido com outro. Por exemplo quando tens uma Honda CBR e uma Yamaha R1 parecem iguais, mas na realidade não o são. O Seat Minimó é um veículo de dimensões muito reduzidas com um largura máxima de 1,25m e no processo de desenvolvimento do concept fizemos parcerias com a direção geral de tráfego, empresas de serviços de mobilidade e perguntámos senão podíamos ter uma regulamentação de estacionamento mais flexível nos automóveis. Foi-nos respondido que sim, mas para isso teríamos uma medida máxima de largura de 1,25m, o Minimó tem um 1,24m. Com estas dimensões o Minimó teria uma permissão especial para estacionar em parques de motas, por exemplo. Grande parte do tráfego que tens hoje em dia na cidade é devido às pessoas que estão à procura de lugar para estacionar. O Renault Twizy é um conceito muito interessante, ainda para mais se pensarmos que tem 10 anos, no entanto eu penso que o Twizy saiu para mostrar e dar acesso a mais pessoas ao conceito de mobilidade elétrica com um preço acessível. O Minimó foi
pensado para plataformas de mobilidade, fácil de estacionar, acessível para alugar por minutos, kilómetros, como uma bicicleta por exemplo. Contudo estamos a analisar a possibilidade de o poder vender também a clientes privados, pois quando o apresentámos tivemos muitas reações de pessoas que disseram que o comprariam. Mas a ideia inicial era diferente, a ideia era ter uma frota de Minimós dentro da cidade e tu podias alugar com o teu telemóvel, abrires com o teu telemóvel, ampliar ainda mais a ligação do telemóvel com o veículo. Deste modo, fizemos uma parceria com a Google para termos acesso ao android auto através de wireless e tornar interligação do telemóvel com o veículo mais fluída e natural. O Seat Minimó é um automóvel 100% eléctrico com autonomia suficiente através de uma bateria intercambiável com 4 módulos, podes tirar um ou mais módulos para outro automóvel e desta forma não tens que levá-los a um ponto de recarga, este fato é muito importante para as companhias de carsharing pela dinâmica e facilidade que este conceito permite em evitar deslocações. O processo de carregamento deste tipo de veículos actualmente demora entre 3 a 4 horas e necessitas que uma pessoa vá com o automóvel até ao centro da cidade para o carregar. Este processo não é economicamente muito viável, por isso muitas destas empresas de estão a ter um resultado prático negativo.

Oliver Turk – Chefe do Departamento de Desenvolvimento de Veículos da SEAT, SA

CarZoom: Haverá espaço para os motores a combustão no futuro?
O grupo decidiu desenvolver motores a combustão até 2026, portanto estamos a assistir à última geração de motores a combustão. A decisão na conferência de Paris muito clara, temos de reduzir o nível de emissões. Teremos de optar por estas alternativas, sejam eléctricas ou outras, no entanto não será de um momento para o outro que os motores a combustão irão acabar, step by step, com a introdução de todas as tecnologias, hybrids, hybrids plug in até aos 100% eléctricos serão os passos para se conseguir chegar a esta meta. Nem é possível fazer esta mudança de uma só vez, pois terá de existir uma infraestrutura nas ruas já feita e a trabalhar para poder se poder ter tantos veículos eléctricos a ser utilizados. Imagina que amanha temos todos veículos eléctricos, iria ser o caos nas ruas das cidades. É um problema actual, pois as infraestruturas terão de crescer ao mesmo tempo que todos os mercados, esta é a realidade, não é um problema dos Estados Unidos, Alemanha ou Espanha, é um problema global.


CarZoom: A Seat é uma marca que se distingue pelos seus automóveis com características desportivas vincadas. Será fácil manter a “emoção” com a chegada dos automóveis eléctricos, assim como, a condução autónoma?
Bom, relativamente à condução autónoma, a emoção terá de ser recriada, pois se o automóvel é autónomo e não tem a interferência humana para se movimentar, a emoção terá de passar por outros e novos elementos que possam vir a surgir. Nos automóveis eléctricos penso que já começámos a manter a “emoção”, veja-se o caso do El Born e do protótipo Tavaskan.

CarZoom: Qual é para si o maior desafio das marcas nesta era em que estamos a passar dos motores a combustão para os motores eléctricos?
O maior desafio é precisamente conseguir manter os níveis de emissões dentro dos limites exigidos e ver com as entidades responsáveis crescimento das infraestruturas exteriores de abastecimento de energia para possibilitar que mais pessoas tenham acesso a veículos eléctricos sem tabus. O nosso crescimento em termos de baterias, aerodinâmicas e as demais inovações que vão surgindo com a produção de eléctricos, só podem ser visíveis e práticos se existir um acompanhamento da infraestrutura exterior.

Alejandro Mesonero-Romanos Diretor de Design da da SEAT, SA e Cupra

CarZoom: Como se desenha um automóvel sob uma base que se adequa a tantos modelos diferentes como a MQB A0?
Para mim a plataforma é como um esqueleto de uma pessoa, e é muito importante que este esqueleto ou esta plataforma tenha umas boas proporções que te permitam fazer um bom automóvel ou como dizemos em Castelhano “bien encajado” com umas boas formas. Portanto quando começas a projetar tens de respeitar uma série de pontos, chamados os pontos duros da plataforma, pode-se fazer aqui uma analogia com a moda, pois tens de manter os pontos dos ombros por exemplo. No entanto, não existe nenhuma dificuldade em particular, tens os pontos duros para conservar mas também te dá muita flexibilidade, se quiseres avançar ou atrasar o para-brisas por exemplo, mais alto ou mais estreito. É muito importante que a plataforma seja geneticamente boa e com boas proporções, pois as proporções são a base de um bom design.

CarZoom: Os motores a combustão obrigam os designer a criar elementos que os tornem funcionais como uma grelha ou entradas de ar. Achas que a electrificação pode mudar a visão que temos de um automóvel e proporcionar uma liberdade mais criativa aos designers?
Sim, sim, estou totalmente de acordo, para mim desenhar um carro electrifico é uma oportunidade fantástica porque alguns destes elementos que comentas desaparecem e outros transformam-se. Aparece a aerodinâmica que é muito muito importante num carro eléctrico, porque estamos a falar de autonomia. Aqui há uns anos quando falávamos dos carros eléctricos, havia muita gente, muitos designers que diziam que íamos perder a emoção, que iam ser carros aborrecidos, eu creio que não, e aqui temos
a prova do Tavaskan que é um carro 100% eléctrico e é tão emocionante ou mais como qualquer outro automóvel a gasolina do futuro, eu vejo como uma vantagem.

CarZoom: Mas tu tens de fechar as entradas de ar como disseste na tua apresentação…
Fantástico! Porque se pensarmos nas entradas de ar são um conceito muito antigo, praticamente 100 anos a fazer automóveis com entradas de ar forçadas, pelo que agora temos esta oportunidade de as fechar e parece-me algo fantástico como designer.

CarZoom: Mas no entanto tens outras entradas de ar como no capot do Tavaskan em que tens uma entrada e logo de seguida saída de ar…
AM.

Sim, correto, a tecnologia dá-te uma oportunidade ou uma desculpa para fazeres um bom design como referes no pormenor aerodinâmico do Tavaskan.

CarZoom: Achas que será possível mudar radicalmente o design do automóvel como o conhecemos devido à electrificação?

Eu creio que seja uma evolução muito importante, como podemos ver no Tavaskan, mas não será uma ruptura absoluta de 200%, por isso falámos à pouco das entradas de ar, existem elementos que desaparecem, outros que aparecem, a importância da aerodinâmica. Portanto o tema de fazer um automóvel que visualmente se altera em comparação com um automóvel térmico, até agora, não foi um motivo de preocupação de primeira prioridade.

CarZoom: Qual é o maior desafio da condução autónoma para um designer?
Eu não tenho a experiência da condução autónoma, tudo o que posso falar é de teoria, no entanto creio que a condução autónoma representará também outra oportunidade para os designers para trabalhar toda a experiência e a vida a que poderemos levar para dentro de todo o habitáculo. Mudar radicalmente, deixar de estar concentrado na condução, assim como, os outros passageiros que participam de uma maneira passiva e envolver todas as pessoas de uma forma passiva, ou activa se quisermos, é muito interessante. Estamos a trabalhar no grupo de uma maneira muito intensa, mais concretamente a marca Audi, são os que estão mais focados na condução autónoma e nós a nível de desenho estamos a ter todo este tipo de reflexões.

CarZoom. Tu tens a curiosidade de desenhar um habitáculo de um carro autónomo?
Sim, mas no momento é mudar as regras do jogo, é como estar a jogar tennis com uma raqueta e a partir de agora começas a jogar com uma raquete virtual, portanto vai-se converter em outras coisas, é outra história…

CarZoom: Todos os carros eléctricos são mais altos, por causa da bateria, são SUV’s ou crossover’s, tu pensas que possam existir automóveis mais baixos mesmo com baterias?
Sim, pode haver automóveis com a mesma altura dos actuais, dependendo da disposição das baterias, também as baterias têm a tendência a reduzir, no entanto no geral aos dias de hoje é um tema mais físico, pois se as baterias estão no piso dos carros por causa do centro de gravidade, é um tema físico e é lógico que os automóveis são mais altos. Por exemplo se a pergunta for, poderá haver outro tipo de carros eléctricos que não sejam SUV’s? Eu te digo que sim, hoje em dia a maioria são SUV’s porque o mercado pede SUV’s.

Antonino Labate -Diretor de Estratégia, Desenvolvimento de Negócios e Operação da Cupra

CarZoom: Os modelos Cupra continuarão a ter uma forte influência da Seat no seu design?
Sabes, os modelos da Seat sempre foram desportivos, pelo que a Cupra pode-se dizer que é uma evolução da Seat. Já tens modelos e protótipos só Cupra, como Formentor e o Tavaskan por exemplo. A Cupra é uma marca que fala de paixão direcionada para os apaixonados da pilotagem, das emoções fortes, da emoção, da competição. A Cupra é uma marca nova, contemporânea o que te dá um sem número de possibilidades desportivas. Esta marca fala de valores contemporâneos, como os SUV’s. Podemos fazer um SUV Coupé (Formentor), fizemos o e-racer, são vantagens que não terias noutras marcas, são oportunidades, o protótipo Tavaskan onde podeste
aplicar novas ideias, novas visões.

CarZoom. Qual é o maior desafio de um automóvel eléctrico para se tornar envolvente sem trocas de caixa e barulho de escape?
É muito interessante essa pergunta do som do escape, ainda mais para mim que sou um apaixonado por todo esse som, no entanto os carros eléctricos têm um som, não só do próprio motor mas da aerodinâmica e esse som é incrível. Cada automóvel eléctrico tem o seu som devido precisamente ao trabalho efectuado na aerodinâmica, a passagem do ar pelo automóvel, e não só é incrível pensar neste conceito, como ouvi-lo, ouve o e-racer e depois falamos. Relativamete à emoção, um automóvel eléctrico deve ser emocionante, tem de ser emocionante! O desafio não é a aceleração, pois todos os eléctricos têm um arranque fantástico, é a dinâmica, é na agilidade, porque os carros eléctricos são pesados por causa das baterias e são mais compridos também, e é aí que temos o maior desafio. No entanto, sendo as baterias pesadas ao dia de hoje, estamos a evoluir outros sectores como a aerodinâmica, não só nos automóveis vincadamente desportivos como também nos automóveis do dia-a-dia, como por exemplo o El Born, é fantástico!

CarZoom: O que representa para ti o Tavaskan?
O design do Tavaskan é fascinante e tudo no Tavaskan é funcional, tudo o que vês está lá porque tem uma função, nomeadamente aerodinâmica, explorada ao mais detalhado pormenor, nada é fake e foi projectado para ter as melhores prestações. Pessoalmente o Tavaskan com as ópticas muito angulares como que a agarrar toda a frente, conjugada com as poucas linhas verticais parece-me um capacete, uma viseira de um capacete.

CarZoom: O que achas do El Born?
Na realidade o El Born é um exercício muito interessante e de extrema importância para a estratégia de electrificação da Seat e é o seu primeiro automóvel 100% eléctrico. Eu gosto da dinâmica no seu desenho, a interpretação da electrificação que a equipa do Alejandro fez para lhe dar um carácter próprio, um carácter Seat, mais desportivo, é notável. Tem pormenores de aerodinâmica bem vincados que também não são fake estão lá todos com um propósito e o El Born expressa toda a sua dinâmica através da imagem, muito mais do que outros automóveis elétricos que existem atualmente.

CarZoom: Temos de falar do primeiro Cupra, o Ateca…
Sabes, quando penso no Cupra Ateca, com aquele estilo de condução desportivo, aceleração de 5,2segundos dos 0-100klm/h, os 400Nm de binário… É um carro muito muito especial, mais baixo 10mm do que o Seat Ateca, com tração integral permite-te muito, é surpreendente o desempenho do lauch control, tens de experimentar (risos). Tem tudo de um desportivo que não esperas encontrar num SUV. E agora vamos ter a versão limited edition com o escape Akrapovic que tem um som delicioso para além de
ser 7kilos mais leve.

CarZoom:Reparámos que tens uma tatuagem da Cupra, porque fizeste?
(risos) Cada vez que estou envolvido na criação de uma nova marca nova faço uma tatuagem, também tenho da Abarth, nas costas (risos).
Por falar nisto a Cupra tem um logótipo muito interessante, eu visto Cupra, tenho tatuagem e pulseira de carbono da Cupra, este logótipo nasce de uma criação nova, esta imagem expressa os valores da marca, a determinação, a precisão, a forma do triângulo perfeito… exprime uma cultura tribal, não sendo contudo agressiva. Algumas pessoas falam que parece um símbolo manga, pode ser, mas o que eu acho é que tem muita força e carácter, é um logótipo que se mostra, que se adequa muito bem a diversos suportes, no mundo da competição por exemplo não há nada igual e a imagem do Cupra e-racer destaca-se por isso também.

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