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KIA e-Soul 64kWh: O elétrico vale a pena quando a alma não é pequena!

Talvez o título seja exagerado, uma vez que os eléctricos ainda não estão ao alcance de todos. Contudo, quando estão criadas todas as condições para ser 100% amigo do ambiente durante a utilização, esta é uma hipótese cada vez mais tida em conta! Ainda assim, há quem tenha automóveis elétricos e sinta a ansiedade de autonomia, pois bem, no KIA e-Soul temos uma autonomia WLTP de 452km, que chega e sobra para ir de Lisboa ao Porto, embora o aspecto deste automóvel transpire cidade e talvez seja por isso que ganhou o prémio “Carro Urbano do ano 2020”.

O KIA e Soul provoca reacções extremas, há quem goste bastante e há quem odeie. Sejamos realistas, o seu design é intrigante, ou não estaríamos a falar de um automóvel que é perito em dar nas vistas e cuja sua silhueta parece os desenhos que fazíamos quando tínhamos 5 anos. (Confesso que nunca fui muito bom a desenho)

O estilo urbano é acentuado pelos pára-choques extensos, portas altas, traços rectos e iluminação espampanante. Porém, estas características também oferecem ao KIA e-Soul um aspecto robusto, que nos faz perceber que não se trata de um convencional crossover de segmento B.

Não há quem possa dizer que o exterior do KIA e-Soul é incompleto, uma vez que está dotado de tudo o que começa a ser “obrigatório” nos automóveis de hoje, mas que ainda se paga na maioria dos modelos. Falamos de ópticas e farolins full-led, vidros traseiros escurecidos, chave mãos-livres, jantes em liga-leve de 17 polegadas, antena shark, faróis de nevoeiro, entre outros.

As portas traseiras “curtas” e com uma abertura algo tímida fazem com que a acessibilidade ao interior do KIA e-Soul não seja brilhante, todavia, não falta altura, uma vez que o design “rectilíneo” do tejadilho facilita a entrada às pessoas mais altas. O acesso aos lugares dianteiros é simpático q.b.

Uma vez no interior, há espaço q.b para pernas e cabeça, algo em que o formato da carroçaria volta a ajudar. Viajamos com conforto, embora tenhamos notado alguma falta de apoio lateral nos assentos traseiros. Nos lugares dianteiros há apoio lateral q.b e viajamos com toda a comodidade.

Num automóvel, não valorizamos apenas o espaço para os passageiros, convém que tenhamos locais de arrumação. O porta-luvas do KIA e-Soul não é o mais generoso e as bolsas laterais das portas também não, o que compensa são os espaços de arrumação nas laterais do túnel central, porta-copos e apoio de braço central, estes são os elementos que garantem que temos locais suficientes para guardar objectos. A bagageira não é a mais famosa do segmento, uma vez que se fica pelos 315 Litros.

Enquanto no exterior temos um design mais “quadrado”, no interior temos uma consola central arredondada, botões arredondados e um tablier com algumas curvas, o que nos oferece uma ideia de “modernidade”. No que toca à qualidade, temos plásticos “slush” acima da cintura nos lugares dianteiros e plásticos rígidos nos lugares traseiros, onde a KIA adicionou apoios de braço com couro nas portas dianteiras e traseiras, que para além de aumentarem o conforto, também aumentam o requinte e a qualidade percebida. As cores da unidade ensaiada não eram propriamente “folclóricas”, o que permite a quem goste de tons mais sóbrios, não se enjoar com azuis, vermelhos, entre outros.

Uma vez que o e-Soul é um KIA, já podemos estar à espera de equipamento para dar e vender. O KIA e-Soul só tem um nível de equipamento, que nos oferece ar-condicionado automático, carregamento de smartphone sem fios, travão elétrico de estacionamento com auto-hold, modos de condução, botão start da ignição, patilhas para regulação da travagem regenerativa, sensores de chuva e luminosidade, câmara de ajuda ao estacionamento traseiro, soleiras das portas com inscrição do modelo, sistema de navegação e multimédia de 10.25 polegadas, painel de instrumentos TFT de 7 polegadas e um “delicioso” sistema de som Harman/Kardon.

O sistema de navegação e multimédia é agradável, começando pelos gráficos de qualidade e ecrã de tamanho generoso que “rouba” todo o destaque do interior do KIA eSoul. Este sistema de navegação e multimédia é transversal a toda a gama KIA, mas nos automóveis elétricos, híbridos e híbridos plug-in recebe mais argumentos que facilitam os utilizadores deste tipo de automóveis, que requerem algumas adaptações e mudanças de hábitos. O fluxo de energia, tempos de carregamento em corrente alternada, tempos de carregamento em corrente contínua, histórico do consumo de energia, comparação com automóveis térmicos, planeamento de temperatura e carregamento, delimitação da autonomia no modo normal e modo eco, entre outros dados, são acrescentados ao sistema de navegação e multimédia da KIA, que passa a estar devidamente enquadrado na utilização de um automóvel electrificado.

O painel de instrumentos é totalmente digital e também ele está perfeitamente adaptado ao KIA e-Soul, apresentando dados de consumo de energia e viagem, mas também quantidade de regeneração, estilo de condução, fluxo de energia, entre outras informações que facilitam a vida ao condutor de um veículo electrificado.

A posição de condução é relativamente alta, permite-nos até ver um pouco do capô, embora isso se deva ao facto deste ser bastante direito e não mergulhante como é habito nos novos crossover. A visibilidade para a dianteira não é má, mas também não é brilhante, os pilares “A” são finos, mas os elementos relativos aos retrovisores ficam no raio de visão do condutor, prejudicando ligeiramente a visibilidade. Já a visibilidade para as laterais não se vê prejudicada pelos pilares “B”, mas quando a necessidade nos obriga a olhar para o flanco traseiro tudo se torna mais complicado, uma vez que a única coisa que vemos é um 3º vidro minúsculo, colocado numa posição alta e que pouco ou nada beneficia a visibilidade. Devido ao design irreverente, o óculo traseiro de dimensões muito reduzidas, não nos permite ter uma visibilidade brilhante quando queremos efectuar manobras de estacionamento.

É fácil conduzir o KIA e-Soul, a direcção é leve mas comunicativa q.b e as suspensões são firmes mas não afectam excessivamente o conforto a bordo. O peso das baterias faz com que o KIA eSoul curve bastante bem, mas quando carregamos no pedal do acelerador de forma repentina e desmedida a meio de uma curva, não irá tardar um desvio repentino de trajectória, que requer um maior cuidado e atenção do condutor, uma vez que apesar dos 200cv não se trata de um automóvel desportivo ou com intenções de ser um.

A manobrar a versão ensaiada para as fotos, percebemos rapidamente que o KIA e-Soul se adapta perfeitamente à selva urbana, mas que não foi feito para subir passeios mais altos ou para “sair de estrada”, principalmente quando tentamos abordar de frente algum buraco ou subida, o pára-choques dianteiro extenso “avisa-nos” de imediato que não é boa ideia fazê-lo.

Debaixo do capô está um motor elétrico com 204cv de potência e 395Nm de binário, a bateria tem uma capacidade de 64kWh. A performance é convincente e chega para intimidar alguns automóveis com características mais desportivas, falamos de 7,9 segundos dos 0 aos 100km/h, que é pouco mais do que o tempo que demora um Toyota GT86 a ultrapassar a mesma barreira. A velocidade máxima fica-se pelos 167km/h.

Falando em tempos de carregamento, o KIA e-Soul tem um carregador de bordo que suporta corrente monofásica até 7,2 kWh, o que se traduz em 9 horas e 35 minutos de carregamento em casa com uma Wallbox monofásica. Se decidirmos optar por um carregamento doméstico a 2,3kWh (10A), o tempo de carregamento vai ser consideravelmente superior, chegando às 29 horas. Se precisarmos de ir ao Porto e estivermos com receio que a autonomia não chegue, paramos num posto de carregamento rápido de 50kWh e em pouco menos de uma hora conseguimos mais de 200km de autonomia. O carregador de bordo do KIA e-Soul suporta carregamentos rápidos até 100kWh, embora os carregamentos rápidos a 50 ou 100kWh não devam ser a principal forma de carregamento ou utilizados com muita frequência.

Os modos de condução alteram-se num botão da zona central, que nos obriga a desviar o olhar da estrada, estes modos alteram as respostas do acelerador e o tema do painel de instrumentos. Como os próprios nomes indicam, no modo Sport temos uma resposta de acelerador mais rápida, enquanto no modo normal não temos restrições ou aumentos de potência, o modo ECO vai limitar a performance da climatização e reduzir a resposta do acelerador. Há ainda um MODO ECO + que não nos permite ter a climatização ligada com ar-condicionado.

Nos testes EuroNCAP o KIA e-Soul obteve as 4 estrelas, em 2014, com 84% na protecção dos adultos, 82% na protecção das crianças, 59% na protecção dos peões e 56% nas ajudas à condução.

O KIA e-Soul tem apenas um nível de equipamento que está disponível a partir dos 48.000,00€ P.V.P e 43.000,00€ Preço campanha. Por ser um veículo elétrico abaixo dos 62.500€ (Valor de fatura sem IVA), o KIA e-Soul deduz o IVA a 100% nas empresas, não paga tributação autónoma, IUC ou ISV. Para além de todos estes apoios à mobilidade elétrica, mencionados no orçamento de estado 2020, a KIA pretende ainda tranquilizar os seus clientes com 7 anos de garantia ou 150.000km.

Fotos: João Santos

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