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Diogo Gago: Entrevista e história de uma promessa dos Ralis!

O Diogo Gago é Algarvio, tem 26 anos, já ganhou várias competições nos Ralis e recentemente recebeu um convite da Hyundai Team Portugal para participar no Rali de Amarante ao volante do Hyundai i20 R5. Esta é a história e a entrevista ao jovem piloto que começou a conduzir aos 3 anos de idade e é uma promessa dos Ralis!

O palmarés do piloto Diogo Gago é invejável, uma vez que ganhou o Troféu FastBravo em 2011, o desafio Modelsland em 2012, a categoria de 2 Rodas Motorizes do Open De Ralis no mesmo ano(2012), foi 5º Classificado na Peugeot 208 Rallycup França em 2013, Campeão Junior 208 Rally Cup 2014 e foi Piloto Peugeot Rally Academy em 2015.

À conversa com o piloto descobrimos que o pai lhe ofereceu o primeiro Kart aos 3 anos de idade, quando ainda nem sequer chegava aos pedais e eram preciso almofadas, para que o pequeno piloto começasse a sua aprendizagem. Este gosto pelos automóveis teve início devido ao pai do Diogo Gago que também correu nos Karts e nos Ralis.

Desde muito cedo foi realizando algumas provas de Karting na Batalha quando tinha apenas 6 anos de idade. Em 2004 os Karts tornaram-se algo mais sério e o Diogo Gago começou a participar no campeonato nacional de Karting ao lado de nomes como António Félix Da Costa.

Mas foi em 2010 que se sentou pela primeira vez ao volante de um Seat Marbella de Ralis no troféu FastBravo acompanhado por Jorge Carvalho, com apenas 2 semanas de carta. De acordo com o piloto esta foi uma evolução bastante complexa e bem calculada para que chegasse onde chegou nos dias de hoje em que é uma das promessas nacionais dos Ralis. O piloto correu em campeonatos nacionais e internacionais, mas não deixa esquecer as dificuldade em encontrar patrocinadores e o budget reduzido para as competições. O piloto algarvio revela ter como “referências” muitos pilotos portugueses que têm levado o nome de Portugal ao nível mais alto dos Ralis.

1. Relativamente ao Rali de Amarante, como surgiu a oportunidade com a Hyundai?
Infelizmente deu-se pela infelicidade de um piloto, do Carlos Vieira, que teve um grave acidente no campeonato nacional. Surgiu esta oportunidade, pela qual agradeço, para representar uma marca que tanto tem feito pelos Ralis em Portugal, como nenhuma marca o faz há alguns anos, algo que é de louvar. O responsável da Sport&You José Pedro Fontes ligou-me no meu dia de anos por coincidência, pois a Hyundai já o tinha contactado. Eu não tive como não aceitar esta proposta, pois era uma oportunidade que já ansiava há muito tempo que eu agarrei como pude.

2.Já estavas à espera de um convite de uma equipa de “topo” dos Ralis em Portugal ou não te passava de todo pela cabeça que algo semelhante pudesse acontecer?
Nada disto me passava pela cabeça. Existem bons pilotos e não estava à espera de ter um convite por parte da Hyundai para conduzir o Hyundai i20 R5. Depois de todos estes anos de Ralis, já não estava à espera de conduzir um R5 devido aos custos elevados, que eu não tenho possibilidade de suportar. Por isso foi uma oportunidade de ouro para mim, poder conduzir um R5 de uma equipa oficial como a Hyundai Team Portugal.

3. Sentes-te satisfeito com a prestação no Rali de Amarante?
Eu e o Jorge fizemos um excelente trabalho, assim como a equipa que colocou à minha disposição um carro fantástico do ponto de vista desportivo e de garantias de chegar ao final do Rali sem problemas. Não tínhamos pressão nenhuma de resultados, efectivamente podíamos ter feito melhor, mas iria estar a arriscar o compromisso de chegar ao final do Rali. Quisemos tentar um nível mais competitivo e sinto-me satisfeito, pois conseguimos rodar abaixo do pelotão que estava a lutar pelo campeonato. Sei que tenho muita margem de progressão, assim como o Hyundai i20 R5, pois fiz apenas 80km de teste antes do Rally e para mim é uma realidade totalmente diferente, porque estou habituado aos automóveis de tracção dianteira com os quais “consigo brincar”, mas com o Hyundai i20 R5 as coisas eram diferentes, tinha uma responsabilidade e não podemos agir por emoção, há que utilizar a cabeça. A vontade de fazer muitas curvas a fundo era enorme, mas não havia necessidade para tal, sem experiência e sem estar à vontade com o carro.

4. Relativamente ao Hyundai i20 R5, cumpriu as tuas expectativas? Foi um automóvel muito exigente de conduzir?
Após o convite estive a ver muitos vídeos de Hyundais i20 R5 e já sabia o que podia encontrar naquele carro em termos de performance. Nos primeiros quilómetros fiquei realmente encantado pois tem um chassi fantástico, muito mais potência do que aquilo que estou habituado e o comportamento geral era algo de “outro mundo”. Posso dizer que o Hyundai i20 R5 superou as expectativas.

5. Onde te imaginas a chegar no desporto automóvel?
Em 2010 quando comecei a correr, o objectivo era chegar ao mundial de Ralis. Actualmente esse objectivo já se afastou um pouco das minhas expectativas, mas tenho vindo a competir em campeonatos internacionais em França e Espanha e já fiz 3 vezes o campeonato Europeu de Juniores, um deles na totalidade, os outros apenas algumas provas. Num total de 10 provas temos 3 vitórias e um 2ª lugar. São campeonatos muito competitivos e era onde me queria encontrar, no campeonato Europeu a conduzir um R5 ou no WRC2 é isso que um piloto da minha idade pretende. Quer sempre competir contra os melhores e ganhar. Todos os pilotos com que competi em França, Espanha e no Europeu, estão a lutar pelas vitórias, se eu competi contra eles e discutia as vitórias com eles, também seria capaz de discutir vitórias no WRC2.

6. Quais são os próximos passos em relação ao futuro?
Espero conseguir mais patrocinadores, pois quando mais elevado é o nível da competição mais dispendioso se torna, o que é dificil suportar devido à falta de apoios e ao “budget” reduzido. Lá fora os campeonatos são mais fáceis, pois há mais apoios, tanto em termos de patrocinadores, como das próprias federações. Cá, creio que chegámos ao nosso limite de gastar dinheiro na competição.

No final da nossa entrevista, o piloto Diogo Gago fez questão de agradecer à Hyundai Team Portugal e a todos os intervenientes, assim como à Sport&You e ao piloto Carlos Vieira.

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