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Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2.9 V6 AT8: O Renascimento Divino!

O Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio é o automóvel que nos faz querer deixar de lado os dados técnicos para nos dedicar-mos exclusivamente à emoção, paixão, história e religião. Sim! O Alfa Romeo Giulia é tudo isto! Faz-nos querer falar da história da marca, relembra-nos porque gostamos tanto de automóveis e também nos faz olhar para a nossa própria vida com outros olhos. Perdi a conta aos nomes que outrora fizeram parte da marca, que a viram no seu auge e não paro de pensar no quanto esses senhores ficariam orgulhosos com um automóvel assim! É o Renascer Divino de uma marca que foi a primeira a ser campeã do mundo de Formula 1 e que cometeu “loucuras” dignas de verdadeiros apaixonados por automóveis. Este automóvel leva de novo a Alfa Romeo ao seu lugar, ao seu auge e ao seu pedestal!

Quem gosta de automóveis é obrigado a gostar da Alfa Romeo, pode até não se identificar com as linhas, ou com a filosofia. Mas um verdadeiro apaixonado por automóveis percebe que um Alfa Romeo não é apenas um automóvel, carrega consigo parte da cruz de Cristo, carrega consigo uma história que enriqueceu o automobilismo como poucas marcas, e a tudo isto somos obrigados a adicionar uma dose de drama e paixão como manda a “lei italiana”. Se Jesus Cristo fosse vivo guiava sem dúvida um Alfa Romeo!

Nenhuma outra marca tem uma legião de fãs tão magnifica, nenhuma outra marca tem pessoas que eram capazes de a defender “até à morte” sem ganhar nada com isso. Mas tem razão de ser! O rapaz que vos escreve tem apenas 23 anos, durante toda a sua vida olhou para os Alfa Romeo piscando-lhes o olho, sonhando de dia e noite com alguns automóveis como o Alfa Romeo 158 Tipo B, o Alfa Romeo Bimotore, Alfa Romeo 33 Stradale, Alfa Romeo TZ2, entre outros que ficaram para sempre na história do automobilismo. Estes automóveis eram outrora “venerados” por todas as nações, ganharam corridas e jamais serão esquecidos pelos apaixonados do automobilismo. Eu só tenho 23 anos e cresci a ouvir falar bem da Alfa Romeo no meu meio mais próximo e a ouvir falar mal da Alfa Romeo na escola e noutros meios. Agora entendo porque sou completamente doido varrido por automóveis e os meus “coleguinhas” de escola discutem futebol, culinária, roupa, gajas e afins. Por favor, se não gostam da Alfa Romeo, não falem mal! Ou não são dignos de gostar de automóveis!

Foi em 1950 que a Alfa Romeo se tornou a primeira marca a ser campeã do mundo de Formula 1 com o Alfa Romeo 158, um dos automóveis de corrida mais bem sucedidos de sempre, foi conduzido por Emilio Villoresi, Jean-Pierre Wimille, Nino Farina, Juan-Manuel Fangio e Luigi Fagioli. Todos estes pilotos viram a Alfa Romeo no seu auge, fizeram parte da sua história e ajudaram a marca a ser o que é hoje. Já todos faleceram, mas tenho a certeza absoluta que se estivessem diante nós teriam um orgulho enorme em ver e conduzir um automóvel como o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio. Acredito que posso dizer que o próprio Enzo Ferrari estaria a sorrir e a dizer “Mama Mia!” ao ver que passados todos estes anos a Alfa Romeo não se esqueceu de como se faz automóveis capazes de fazer vibrar toda a industria.

Passados todos estes anos em que fui lendo e pesquisando sobre a marca, percebi e justifiquei cada vez melhor o gosto e a paixão por automóveis e pela Alfa Romeo. É realmente impossível não nos identificarmos com uma história tão rica que nos faz quase pensar que se trata de uma “bíblia automobilística” em que o Alfa Romeo Giulia volta para fazer “renascer” as santidades de outrora. Podia ser advogado, médico, arquitecto, designer, ou ter qualquer outra profissão melhor remunerada… Mas ao guiar o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio percebi mais uma vez porque tinha escolhido escrever sobre automóveis. Apesar de ser CEO da CarZoom, sou mais um como tu ou os teus amigos. Um doido varrido que tenta partilhar experiências e falar do pouco que sabe acerca de automóveis. Caros leitores, o ensaio ao Alfa Romeo Giulia foi algo que o rapaz de 15 anos do 9º ano nunca sonhou. Se ele realmente soubesse que ia alguma vez guiar um automóvel assim, já tinha morrido por falta sono… O Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio é o realizar de um sonho, todos os sentidos se despertam, não só por estarmos a guiar um automóvel que facilmente brinca connosco e nos faz criar ainda mais respeito por ele, como também por estarmos a guiar o verdadeiro renascer da Alfa Romeo.

O Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio faz-nos perceber que a marca italiana não esteve para “meias medidas”. Eles acordaram e disseram: “Vamos lançar uma Berlina de 4 portas com motor Ferrari e terá de ser uma das melhores que o mundo já viu!”

A Alfa Romeo foi uma marca de altos e baixos. Esteve no Auge, passou por uma fase delicada e concebeu modelos de vendas em massa, que apesar de proporcionarem conduções prazerosas e serem automóveis bonitos, não transportavam o pedigree de outrora. De repente, a Alfa Romeo sai-se com uma plataforma totalmente nova que era um verdadeiro “vai ou racha”, a Alfa Romeo investiu o que tinha e o que não tinha no desenvolvimento desta nova plataforma modular que é utilizada no Alfa Romeo Giulia, Alfa Romeo Stelvio e será utilizada em futuros modelos. Este é o primeiro modelo de um investimento de 5 mil milhões de euros!

Os designers da Alfa Romeo liderados por Marco Tencone fizeram do Alfa Romeo Giulia uma das berlinas de 4 portas mais bonitas da actualidade. Ganhou vários prémios de design e nós também o comprovámos. Tiravam-nos fotos nos locais onde passávamos, houve quem fizesse um grande “Fixe”, quem dissesse “Que carro magnifico”, ou ainda quem se assustasse com o ruído de escape intenso no modo “Race”. O design do Giulia faz todo o sentido, tanto nos modelos convencionais, como no Quadrifoglio em que ganhamos um capô em carbono com entradas de ar, um pára-choques mais musculado com aberturas por cima das entradas de ar principais e lábio em carbono, entradas de ar laterais, os inconfundíveis trevos de 4 folhas em ambos os lados, saias mais musculadas com um friso em carbono e na traseira um spoiler em carbono colocado por cima da tampa da bagageira que gera mais downforce, temos ainda um grande difusor traseiro que alberga 4 saídas de escape e não nos deixam de todo esquecer que se trata do modelo mais potente da marca italiana e de uma das berlinas mais rápidas do mundo!

Somos obrigados a dar um especial destaque às jantes, que são um elemento verdadeiramente inconfundivel. Têm 19 polegadas e são envolvidas em pneus 245/35 na dianteira e 285/30 no eixo traseiro. Outros destaques provêm das versões convencionais como as ópticas e farolins LED, antena shark, entre outros.

Voltando ao lado emocional, o Alfa Romeo Giulia Quadrifolgio é um automóvel em que se sente o peso da história em cada milímetro. Quando o vi pela primeira vez não consegui conter o meu sorriso mais idiota, não consegui deixar de sentir um formigueiro no estômago como nenhum automóvel me tinha proporcionado até então. Todo o meu corpo foi invadido por uma felicidade histérica e difícil de controlar, parecia uma miúda de 14 anos à espera de um concerto do Justin Bieber e quando me sentei no lugar do condutor foi como se todo o mundo tivesse deixado de existir. Senti o volante, os assentos, passei a mão nos plásticos e as lágrimas quase me vieram aos olhos. Se o miúdo do 9º ano estivesse ali a ver-se “no futuro” nunca iria acreditar, não só o Tiago de 23 anos ficou feliz, como também o rapaz da escola que passava a vida a sonhar com automóveis se sentiu realizado e agradecido por tamanha oportunidade. Posso dizer que demorei uns 5 minutos a pô-lo a trabalhar e quando finalmente carreguei no botão vermelho da ignição a minha vida tomou outro significado. Nunca antes tinha estado ao volante de um automóvel com tanto significado para uma marca com tanta história, é um dos momentos que jamais esquecerei.

O interior carrega o pedrigree da Alfa Romeo em cada pormenor, o tablier é igual ao das versões convencionais mas tem o friso em carbono. Passamos a ter aplicações em carbono um pouco por todo o habitáculo, desde as portas, ao volante. Temos pele, alcantara e um pesponto verde e branco que contrasta com o trevo de 4 folhas. O painel de instrumentos também não deixa escapar o trevo de 4 folhas e marca os 330km/h. Os assentos são envolventes, confortáveis e têm um apoio lombar de excelência, os encostos de cabeça não deixam de ter o emblema da marca bordado como é já “ritual”. Os pedais são em metal e o volante é em alcantara, pele e carbono.

No equipamento interior temos tudo o que aparece nos Alfa Romeo Giulia convencionais, ar-condicionado automático dupla zona, chave mãos-livres, iluminação ambiente, sensores de estacionamento dianteiros, câmara de ajuda ao estacionamento, volante aquecido, assentos aquecidos com regulação eléctrica, patilhas da caixa de velocidades fixas e de dimensões generosas e um sistema de navegação e multimédia inserido num ecrã de 8,8 polegadas e um painel de instrumentos com ecrã TFT de 7 polegadas. A estes argumentos juntamos o sistema de som Harmann Kardon de 900 Watts, 14 Altifalantes e um subwoofer.

Na dianteira e nos lugares traseiros viaja-se relativamente à vontade e o espaço de bagageira é igual ao das versões convencionais com 480 Litros. Apesar de ser um automóvel verdadeiramente desportivo, conseguimos no modo All Weather viajar com toda a comodidade, uma vez que a configuração das suspensões se torna mais condescendente afim de oferecer viagens com maior conforto.

Apesar de todo o equipamento, o lugar do condutor é onde extraímos o melhor entretenimento. Não falamos da tecnologia, mas sim de todo o ambiente que nos envolve na tarefa da condução, os comandos “à mão” e a conexão homem-máquina que no Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio se consegue na perfeição. A pega do volante é perfeita, as patilhas fixas estão à distância ideal e os pedais estão bem posicionados, o que quer dizer que temos tudo o que é necessário da parte do habitáculo para ter uma experiência de condução memorável.

Quando carregamos no travão e no botão “start” da ignição começa todo um novo mundo em que o som de escape nos invade a cabeça e todos os pelos do corpo e veias se eriçam, as pupilas dilatam e o nosso coração estremece a cada subida de rotação.

Acabámos de colocar a trabalhar uma das berlinas de 4 portas mais rápidas do mundo e um automóvel que conseguiu percorrer o exigente traçado de Nurburgring em apenas 7 minutos e 32 segundos com um senhor que levava vestido apenas um polo de manga curta, calças de ganga e uns sapatos. Imaginem se levasse fato de piloto e luvas!

Detalhes à parte, há uma boa razão que explica este tempo no circuito mais exigente do mundo. Para além da excelente condução do senhor Fabio Francia, o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio tem um dos melhores chassi da actualidade. Esta plataforma que já falámos, vai estar presente nos próximos lançamentos da marca e também teve a sua quota de responsabilidade no fantástico tempo de 7 minutos e 51 segundos do Alfa Romeo Stelvio que é também um dos SUV mais rápidos no inferno verde.

À semelhança do que acontece nos Alfa Romeo Giulia convencionais, o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio tem uma direcção com uma precisão extrema e uma inserção em curva quase digna de um monolugar. O que difere bastante é o que está debaixo do capô, um motor 2.9 Litros Turbo V6 da Ferrari que debita 510cv de potência e 600Nm de binário, associado a uma caixa automática ZF de 8 velocidades obediente e rápida que envia a potência para as rodas traseiras.

Guiar o Alfa Romeo Giulia não é para qualquer um. No modo All Weather o desportivo italiano consegue até desligar cilindros em prol da eficiência de combustível e as ajudas à condução estão em alerta permanente, o que não quer dizer que não fiquemos com os olhos colados à nuca quando carregamos no pedal do acelerador.

O modo “Neutral” é mais “permissivo” no que toca à resposta do pedal do acelerador, os 510cv estão lá, mas o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio não irá “virar-se” ao dono de forma inesperada. Esqueçam o “desligar” dos cilindros e os consumos “mais comedidos” do modo All Weather.

O modo “Dynamic” é espantoso. O Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio torna-se uma verdadeira “besta domesticada”, devido à rápida intervenção das ajudas electrónicas, quando o desportivo italiano “acha” que estamos a ir para lá das nossas capacidades. Corta-nos a potência quando queremos esmagar o pedal do acelerador de forma desmedida à saída de uma curva e passa a ser o nosso “seguro contra todos os riscos”. A resposta do acelerador é muito mais sensível, a direcção torna-se mais comunicativa e a suspensão menos condescendente.

É no modo “Race” que a magia acontece, mas desde logo percebemos que eram “águas perigosas”. No modo Race as válvulas de escape abrem para produzirem uma das mais belas “óperas” da actualidade, ricas em raters e barulhos rocos que nos fazem lembrar uns tais automóveis de Maranello. No modo “Race” as ajudas electrónicas desligam-se e tudo se torna ainda “mais puro”. Este é modo que só deve ser utilizado na pista e convém que seja por quem sabe! Para os “comuns mortais” conduzir o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio neste modo é absolutamente “impossível”. Os erros pagam-se caro e qualquer acção “fora do sitio” pode significar algumas mazelas no corpo e muitas mazelas na carteira.

As velocidades que se atingem num curto espaço de tempo são na verdade assustadoras. Se pretendem um Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio para o dia-a-dia sugerimos que o pé do lado direito não exceda os 15% do curso do acelerador, ou os pontos da carta desaparecem num abrir e fechar de olhos. É fácil numa curta aceleração atingir velocidades bem acima dos 200km/h, ou não estaríamos a falar de uma berlina de 4 portas com prestações que roçam alguns super desportivos com um cavalo rampante ou um touro no capô.

Felizmente a travagem implementada no Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio é na realidade outro “seguro contra todos os riscos”. Um toque mais forte no pedal da esquerda e a velocidade baixa consideravelmente através de uma travagem que não se cansa com o aumento de temperatura e que promete nunca falhar com pinças de 6 embolos no eixo dianteiro e de 4 embolos no eixo traseiro, que mordem os discos de 380mm na dianteira e de 360mm no eixo traseiro. Uma receita que permite ao Alfa Romeo Giulia parar a partir dos 100km/h em pouco mais de 30 metros.

Outra mais valia é o sistema de vectorização de binário que transfere potência para “corrigir” perdas de tracção. Este sistema faz-nos pensar que estamos a curvar sob carris, na realidade, estamos mesmo, uma vez que o sistema de vectorização de binário faz com que a potência seja aplicada de uma forma mais equilibrada proporcionando uma saída de curva mais rápida e eficiente.

À saída de uma curva, quando aceleramos quase conseguimos sentir a transferência de massas a ser compensada com um “arrear” da traseira e um pontapé nas costas. Quanto maior é a velocidade mais sentimos a presença de determinados apoios aerodinâmicos que não surgiram em vão… Falamos do lábio dianteiro dinâmico que altera o seu posicionamento para gerar mais força centrifuga e o pequeno spoiler em carbono colocado em cima da tampa da bagageira que cola ainda mais o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio ao chão através da criação de mais força centrifuga.

Não só a travagem, a direcção, a vectorização e a aerodinâmica são surpreendentes. O Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio tem uma distribuição de peso de 50/50 e uma relação peso/potência de apenas 3kg/cv, uma vez que pesa cerca de 1500kg e que tem 510cv de potência.

Todos estes argumentos fazem com que o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio precise apenas de 3,9 segundos para ultrapassar a barreira dos 100km/h e que atinja os 307km/h de velocidade máxima. Números capazes de “assustar” alguns super desportivos com nomes conceituados na praça.

Os consumos, ao contrário do que possam pensar não andam longe dos de alguns desportivos bem menos potentes. Graças ao sistema de desactivação de cilindros, o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio consegue um consumo médio que ronda os 12,5 Litros a cada 100km, numa condução “comedida” e sem trânsito. Com o pé direito em posição mais vertical e modo “Race”, o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio torna-se o melhor cliente das gasolineiras ao marcar consumos próximos dos 30 Litros a cada 100km. Caros Leitores, não há milagres!

Não só de performance, história e religião se faz um automóvel. O Alfa Romeo Giulia é seguro e quem o diz é a Euro NCap que o classificou com as 5 estrelas nos testes de colisão, onde obteve 98% na protecção dos adultos, 81% na protecção das crianças, 60% na protecção dos peões e 60% nas ajudas à condução. Na ajuda à condução temos reconhecimento de sinais de trânsito, cruise control adaptativo, sistema de travagem activa de emergência, espelho retrovisor interior com escurecimento automático, aviso de transposição involuntária de faixa e luzes de máximos automáticas.

No que toca a preços, o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio está disponível desde 100.600€ (sem despesas de legalização e transporte). A versão ensaiada tem o custo aproximado 112.500€. Podemos ainda optar pelos discos de travão em carbono e cerâmica por 7.600€ e Backets Sparco por 3.750€. IUC: Sob Consulta.

Fotos de: João Santos e José da Palma
Agradecimento: Plasoeste

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