Audi eletrifica o deserto com o RS Q e-tron (vídeos)
O Rali Dakar é uma das provas mais exigentes do desporto motorizado, sendo uma estreia para a Audi Sport com o RS Q e-tron. Um conceito inovador que combina um motor TFSI com uma transmissão elétrica conectada a uma bateria de alta voltagem e um conversor de energia altamente eficiente.
O Rali Dakar é uma das provas mais exigentes do desporto motorizado e uma nova aventura para a Audi Sport no mundo da competição. É a terceira vez que o lendário evento será realizado nos desertos da Arábia Saudita. As equipas terão de superar mais de 8.000 quilómetros, sendo a novidade os três novos Audi RS Q e-tron. A marca dos quatro anéis é o primeiro construtor a enfrentar o Dakar com um conceito de transmissão alternativo que combina uma transmissão elétrica com uma bateria de alta voltagem e um conversor de energia altamente eficiente.
Pouco mais de um ano após a ideia inicial do conceito do RS Q e-tron desenvolvido em tempo recorde, a Audi Sport assumirá um dos maiores desafios que existem no mundo da competição: o Rali Dakar. E chega de uma forma inovadora com um conceito totalmente novo. A aposta recaiu no RS Q e-tron para enfrentar o deserto e a areia escaldante da Arábia Saudita. Se o nome RS Q e-tron sugere que é um veículo 100% elétrico, não é. É, sim, um veículo híbrido.
O novo Audi RS Q e-tron utiliza três motores elétricos (Audi MGU05, um para cada eixo herdado do FE-07 da Fórmula E da última temporada e uma parte do sistema de conversão) com uma potência total de 680 cv (500 kW). Isso permite uma aceleração dos 0-100 km/h em 4,5 segundos quando circula em terreno de baixa aderência, enquanto a velocidade máxima é de 170 km/h (limitado pelos regulamentos do Dakar).
Um terceiro MGU, de conceção idêntica, faz parte do conversor de energia, e serve para recarregar a bateria enquanto se conduz. Além disso, a energia é recuperada durante a travagem. A bateria tem capacidade de 52 kWh com um peso total de 370 kg. Os sistemas de energia elétrica funcionam então com três tensões diferentes: 12V, 48V e 800V. A cablagem instalada dentro Audi RS Q e-tron tem um comprimento total de 4 km, enquanto o carro inteiro é composto por mais de 6.000 componentes diferentes.
Por ser uma prova extremamente complexa e longa, sem paragens intermediárias durante cada troço cronometrado (algumas etapas chegam a ter mais de 800 km num só dia), foi necessário integrar um motor de combustão interna TFSI para fornecer energia para bateria. É um motor turbo a gasolina de quatro cilindros e 2 litros derivado do R5 campeão no DTM em 2020. A rotação varia de 4500 rpm a 6000 rpm, onde se consegue a gama mais eficiente de binário e potência. Parte da energia para recarregar as baterias é recuperada durante a travagem de forma a aumentar ainda mais a autonomia. O conjunto das baterias tem 50 kWh de capacidade e pesa 370 kg (o RS Q e-tron tem um peso inferior a 2000 kg).

Totalmente carregada: a bateria de alta tensão
A bateria de alta tensão está localizada na zona central do Audi RS Q e-tron. Incorpora o coração do inovador acionamento elétrico com conversor de energia. A Audi vai usá-lo para estabelecer o próximo marco no rali mais difícil do mundo e provar, agora também no deserto, a sua proverbial filosofia “Na vanguarda da técnica”.
“Com a configuração de condução no RS Q e-tron, a Audi é pioneira no Rali Dakar”, disse Lukas Folie, o engenheiro da bateria de alta tensão. “Definir os desafios para este tipo de competição foi muito exigente. Simplesmente não há valores empíricos no automobilismo para tal conceito e para este tipo de competição de resistência”.
Em comparação com o Campeonato do Mundo de Fórmula E, que a Audi disputou oficialmente pela última vez na temporada de 2021 com um monolugar 100% elétrico, os padrões no Rali Dakar são diferentes: etapas diárias de muitas centenas de quilómetros, a enorme resistência à condução na areia do deserto, além de altas temperaturas climatéricas e um peso mínimo do veículo, definido pelos regulamentos, em duas toneladas são dados a ter em especial atenção nesta prova de off-road. “Não é possível, com a atual tecnologia de bateria, conceber um veículo todo-o-terreno BEV 100% elétrico para o Rali Dakar sob essas condições”, sublinha Lukas Folie. A equipa de engenharia liderada por Axel Löffler, Designer Chefe do RS Q e-tron teve, assim, que definir “benchmarks” básicos para o conceito geral do veículo com acionamento elétrico e conversor de energia sem quaisquer valores empíricos anteriores. Devido ao curto tempo de desenvolvimento do projeto (pouco mais de um ano), a Audi optou pela comprovada tecnologia de células. A capacidade da bateria de alta tensão é de 52 kWh e, portanto, é suficiente para os requisitos máximos esperados em cada etapa do rali. O peso da bateria de alta tensão incluindo o meio de arrefecimento é de cerca de 370 kg.
Para obter a máxima eficiência no deserto, a Audi também aposta num princípio que já foi usado nos carros que disputaram as 24 Horas de Le Mans e a Fórmula E: o RS Q e-tron recupera energia durante a travagem. As unidades MGU nos eixos dianteiro e traseiro podem converter o movimento rotacional das rodas em energia elétrica. O objetivo é recuperar o máximo de energia. O fluxo de potência durante a travagem não está sujeito às mesmas limitações de potência que ao acelerar. O que parece tão simples requer um complexo Sistema de Travagem Inteligente (IBS). Combina a função de travagem hidráulica com o travão regenerativo elétrico.
À partida e graças a este design, o RS Q e-tron tem um posicionamento excecional. Isso aplica-se não apenas à topologia base do sistema de todos os conjuntos, mas também ao sistema de controlo de energia. Apesar de ter que mover uma massa maior devido aos regulamentos, o RS Q e-tron aplica menos energia que a concorrência. O menor volume do depósito para o conversor de energia especificado nos regulamentos prova que o carro da marca dos quatro anéis é muito eficiente.

O interior do RS Q e-tron
No volante do Audi RS Q e-tron existe um conjunto de oito botões que, entre vários comandos, controlam a buzina, as escovas do para-brisas e as entradas de dados no software se o piloto quiser armazenar uma anomalia com carimbo de data/hora. O limitador de velocidade também pode ser ativado no volante em zonas onde, por exemplo, existe uma velocidade máxima. Segundo os regulamentos do Dakar, a velocidade máxima permitida é de 170 km/h. Atrás do volante está um ecrã que fornece informações sobre a pressão dos pneus, a direção e a velocidade atual. Também contém avisos importantes para que o piloto possa reagir imediatamente em caso de “turn-off” repentino do sistema ou desconexão da bateria de alta tensão.

A equipa da Audi Sport e a 44ª edição do Dakar
A Audi Sport está a participar nesta 44ª edição do Dakar com três RS Q e-tron na categoria “Experimental Ultimate”.
#200 Stéphane Peterhansel/Edouard Boulanger. Stéphane Peterhansel, 56 anos, nasceu a 6 de agosto de 1965 em Échenoz-la-Méline, Alta Saxónia (França). Em jovem foi campeão do mundo de skate, mas as imagens do Dakar dos anos 80, nomeadamente dos seus compatriotas Cyril Neveu e Hubert Auriol nas dunas do Sahara, fizeram alterar os seus planos. E, 40 anos mais tarde, já soma 14 vitórias no Dakar, entre motos (primeiro êxito em 1991) e carros.
#202 Carlos Sainz/Lucas Cruz. Carlos Sainz, 59 anos, nasceu a 12 de abril de 1962 em Madrid (Espanha). Com uma ampla e vitoriosa trajetória desportiva, Sainz foi campeão de Espanha de squash com 16 anos, antes de se iniciar no desporto automóvel: foi campeão do mundo de Ralis nas temporadas de 1990 e 1992 (total de 26 vitórias neste campeonato) e venceu por três vezes o Dakar (2010, 2018 e 2020). O ano passado juntou-se à estrutura da Audi Sport para desenvolver este protótipo 4×4, o RS Q e-tron.
#224 Mattias Ekstrõm/Emil Bergkvist. Mattias Ekström, 42 anos, nasceu a 14 de julho de1978 em Falun (Suécia). Atrás do volante, Ekström é sempre competitivo qualquer que seja o carro e o tipo de terreno. A paixão pelo automobilismo surgiu rapidamente em todos os tipos de veículos nos vastos espaços abertos da sua terra natal. A glória veio depois. Dois títulos no DTM, um campeonato World Rallycross, três vezes vencedor da Race of Champions e, mais recentemente, o primeiro campeão da série Pure ETCR.
O percurso desta 44ª edição do Dakar, que se realiza pela terceira vez na Arábia Saudita entre 1 (dia do prólogo em Haʼil) e 14 de janeiro de 2022 (em Jeddah, nas margens do Mar Vermelho), inclui 12 etapas num total de 8.375 km, dos quais 4.258 km em 12 setores cronometrados.




Sem comentários