Rampa de Porto de Mós by NDML: Muito mais do que uma corrida!
A CarZoom esteve com o seu projeto “Low Cost” na Rampa de Porto de Mós, organizada pelo Núcleo de Desportos Motorizados de Leiria! Quase 400 quilómetros percorridos ao volante de um automóvel de competição! Um fim-de-semana em pleno, que foi mais do que uma experiência automobilística. Misturámos o “Life Style” dentro do projeto “Low Cost”, mas caprichámos na gastronomia de ir à lágrima!
Inscrevemo-nos na Rampa de Porto de Mós, que é uma rampa em Regularidade Sport Plus. O objectivo destas provas é ser o mais rápido e consistente possível! Mas a nossa “aventura” até ao distrito de Leiria começou muito antes da rampa propriamente dita. Uma prova realmente dura para o nosso Mitsubishi Colt “Low Cost”!
Quando preparámos este automóvel para competição, preocupámo-nos em tornar todos os processos realmente “baratos” de fio a pavio! Não “inventámos” ao nível do motor e não “inventámos” ao nível da caixa de velocidades. Limitámo-nos a melhorar a suspensão, pneus, temos uma ponteira de escape e um filtro de ar cónico, porque o barulho aumenta o entusiasmo… Bem… Dependendo da ocasião… Para ser um projeto sustentável, solicitámos à FPAK (Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting) o passaporte técnico, mas também a documentação que nos permitiu solicitar uma matricula de competição… Esta matricula evita que seja necessário um atrelado ou um serviço de reboques para transportar o nosso veículo para as provas, uma vez que permite a deslocação na via pública com um automóvel de competição para uma prova federada… Foi o que fizemos!
No Sábado, dia anterior à Rampa de Porto de Mós, fizemo-nos à estrada para um percurso com 160 quilómetros de Mafra até São Pedro de Moel! Atestámos o nosso Mitsubishi (ainda em Mafra) com cerca de 55 euros de gasolina e entrámos na autoestrada. Rapidamente percebemos que seria uma viagem dificil! As baquets estão longe de serem tão confortáveis como os bancos de origem, e o facto do nosso Mitsubishi não ter quaisquer materiais para o isolamento acústico, faz com que ao fim de 5 quilómetros nos tenhamos arrependido de não trazer uns headphones ou tampões para os ouvidos. A 120km/h o barulho era absolutamente ensurdecedor! Nem conseguimos dizer se o pior era o ruído do escape ou o ruído dos Toyo R888 Semi-Slick. O que sabemos é que era uma barulheira que não se podia! Só tínhamos que aguentar mais 150 quilómetros nos quais optámos por circular a 100km/h em autoestrada, uma velocidade que nos pareceu mais “cómoda”.
Na viagem, as reacções de espanto chegam até a ser cómicas! Não é todos os dias que se vê um carro de corridas na faixa da direita de uma autoestrada e dá para perceber isso quando olhamos para a cara de alguns condutores ao passarem por nós.
Finalmente chegámos a São Pedro de Moel, bem a tempo de almoçar no primeiro restaurante que apareceu! Esta localidade é realmente especial! Está inserida na freguesia da Marinha Grande e foi nela que decidimos aproveitar o dia anterior à Rampa de Porto de Mós, que fica a cerca de 30 quilómetros deste local. São Pedro de Moel é uma pequena localidade realmente simpática, onde respiramos ar puro com cheiro a maresia, observamos as casas com cores alegres de primavera e onde podemos saborear um belo gelado da gelataria Iceberg, comer nos maravilhosos restaurantes, ir até às praias de mares bravos ou ainda observar o farol do Penedo da Saudade. Fizemos tudo isto ao volante do nosso pequeno Colt, sem estorvar ou arreliar as pessoas que connosco dividiam a via pública, uma experiência que corria às mil maravilhas!
Infelizmente não conseguimos ficar hospedados na magnifica localidade de São Pedro de Moel, uma vez que não encontrámos hotéis ou alojamentos locais com parqueamento ou garagem. Acabámos por ficar alojados em Pedra de Ouro, uma outra localidade a 4 quilómetros de São Pedro. Encontrámos um simpático alojamento local, baratíssimo, bem cuidado, com staff simpático e um parque de estacionamento exterior associado a este alojamento local apelidado Albergaria Pedra D´ouro.

A “loucura” ocorreu à hora do jantar… Procurámos o restaurante mais próximo do local onde estávamos alojados para que pudéssemos ir dormir o mais cedo possível! Efetivamente encontrámos um restaurante muito próximo da Albergaria Pedra D´Ouro, mas falhámos redondamente o deitar cedo e dormir! A 20 metros do alojamento local está um restaurante chamado “Mar D´ouro”… Como o próprio nome sugere, é dificil entrar neste restaurante com a ideia de comer carne! Não que a carne seja má! Mas não conseguimos dar-lhe oportunidade, uma vez que o marisco não nos deixou propriamente de estômago vazio! Os percebes representaram uma entrada sublime, que se seguiu de umas gambas fritas deliciosas e das melhores ameijoas à bulhão pato que alguma vez saboreámos. Tudo estava maravilhoso! Os colaboradores deste restaurante eram muito prestáveis, simpáticos e faziam com que nos sentíssemos em casa!
De barriguinha cheia fomos tentar dormir… Acordámos no dia seguinte às 6:15 da manhã, para estarmos nas verificações técnicas da Rampa de Porto de Mós às 7 horas da manhã! Depois daquele fantástico manjar dos deuses, ninguém merece! Para ajudar a acordar e facilitar a nossa viagem, enfrentámos um verdadeiro diluvio! Como se diz em bom português: “Chovia que Deus andava!” O carro embaciava, o piloto limpava os vidros com um pano e os pneus semi-slick Toyo R888 portavam-se melhor do que esperávamos! Apesar disso, o piloto (autor deste texto) não parava de pensar que não queria competir à chuva pela primeira vez!
A magnifica experiência da Rampa de Porto de Mós começou logo nas verificações! Encontrámos uma organização fantástica, comissários prestáveis e uma população fabulosa, que facilitava sempre as passagens no troço de ligação. Este ambiente de cooperação proporciona aos participantes a possibilidade de usufruirem de uma experiência automobilística plena, com toda a segurança e alegria que o desporto automóvel deve sempre ter.
A primeira subida de reconhecimento com algumas partes da estrada mais húmidas começou bem, embora devagar… 1 minuto e 47 segundos foi o nosso primeiro tempo! Na segunda subida de reconhecimento, com o piso totalmente seco, conseguimos baixar 5 segundos (1 Minuto e 42 segundos), um tempo que mantivemos na 1ª, 2ª e 3ª subida cronometrada sem co-piloto. A regularidade estava lá, os tempos estavam longe de ser os mais rápidos, mas não foram maus para um automóvel de 75 cavalos e, mais importante do que tudo, chegámos ao fim com o carro intacto, sem problemas mecânicos e prontos para uma viagem de mais 160km de regresso a Mafra.
Antes de sairmos de Porto de Mós, permanecemos no largo do Mercado! Foi neste local que assistimos à entrega de prémios aos vencedores da Rampa e a uma merecida homenagem ao falecido membro do NDML Samuel Jorge! Foi também neste local que percebemos que o Núcleo de Desportos Motorizados de Leiria não se limita a organizar eventos motorizados. O clube, que completou esta semana os seus 39 anos de existência, também tem um papel ativo na sociedade! A realização desta rampa serviu para oferecer computadores ao agrupamento de escolas lá do sítio! Uma atitude louvável, de uma organização que realmente promove o desporto automóvel e não se limita a receber o dinheiro das inscrições dos participantes.
Rumámos a Mafra com o ruído infernal do nosso Colt, com um sentimento de dever cumprido e ansiosos pela próxima experiência automobilista organizada pelo Núcleo de Desportos Motorizados de Leiria! Uma aventura que ocorreu sem contratempos ou dissabores! Se houvesse um “Eco Challenge” tínhamos ganho qualquer coisinha! O depósito atestado em Mafra serviu para viajar até São Pedro de Moel, duas ou três deslocações turísticas, realizar a Rampa de Porto de Mós e regressar a casa! Mais uma prova de que não é preciso ter um automóvel muito potente para se satisfazer o sonho do automobilismo.
Fotos: Núcleo Desportos Motorizados de Leiria / Tiago Neves (CarZoom)









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