Alfa Romeo 16C Bimotore: O primeiro automóvel de corridas da Ferrari?
Esta é a história de um automóvel dos mais impressionantes dos anos 30, contava com o símbolo da Alfa Romeo na grelha e tinha o logo da Ferrari nas laterais. Era capaz de intimidar os Formula 1 dos dias de hoje, com uma performance estonteante que era difícil de colocar no chão e arrasava pneus como ninguém. Um dos automóveis mais “inguiáveis” de sempre!
Em 1934 as marcas alemãs dominavam a Formula 1. A Mercedes e a Auto Union estavam mais fortes que nunca e a Alfa Romeo estava desesperada por conseguir recuperar a sua superioridade. A Scuderia Ferrari foi incumbida pela Alfa Romeo de construir o seu próprio Formula 1. O diretor técnico da Ferrari de longa data, Luigi Bazzi, não fez por menos, nem se ficou por meias medidas! Como responsável por esta grande loucura, tinha a seu encargo uma equipa de 30 funcionários, era toda a Scuderia! Luigi Bazzi projectou um chassi especial baseado em num Alfa Romeo P3, que foi esticado e passou a albergar dois motores de 8 cilindros que estavam colocados à frente e atrás do piloto.

Uma versão utilizava duas unidades iguais de um motor 2,9 litros, enquanto outra usava dois motores de 3,2 litros. O diferencial estava colocado ao centro e a potência dos dois motores era enviada para as rodas traseiras através de eixos de transmissão duplos em formato de “Y”. Os depósitos de combustivel estavam situados nas laterais. A concepção deste automóvel durou apenas 4 meses! Os dois motores eram de 8 cilindros em linha e o mais potênte debitava 540cv.
Este automóvel estava destinado a circuitos muito rápidos como Tripoli e Avus, que eram eventos de Formulas Livres que não se regiam pelas regras dos Formula até 750kg. A ideia na altura era utilizar pneus Dunlop que eram os melhores em termos de velocidade, contudo, a Dunlop não assumiu a durabilidade para provas de estrada, por isso a Alfa Romeo viu-se obrigada a utilizar pneus Engleberts.

Foram concebidos apenas dois Alfa Romeo 16C “Bimotore” e os dois foram inscritos no Grande Prémio de Tripoli sob a regras de Formula Livre. No lugar do condutor estavam Tazio Nuvolari e Louis Chiron. Assim que arrancaram, os Mercedes levaram logo a melhor, até que Nuvolari consegue ultrapassar Fagioli que seguia no Mercedes nº2, as coisas estavam bem, até que os pneus derreteram por completo à 3ª volta e Tazio Nuvolari foi obrigado a parar para uma troca de pneus. O conjunto de pneus seguinte durou apenas 4 voltas, era fácil apanhar os Mercedes na rectas, mas quando chegavam às curvas os Alfa Romeo 16C Bimotore tinham dificuldades em colocar a potência no chão. No fim da corrida conseguiram apenas um 4 lugar, sendo o Mercedes de Caracciola a conquistar o lugar mais alto do pódio. Apesar de ser um automóvel de poucas vitórias, com as razões bem à vista, foi um marco importante na história da Alfa Romeo e principalmente da Ferrari. Conseguiu o recorde de velocidade na época, quando atingiu os 321km/h na auto estrada de Florença com pneus Dunlop.
Este automóvel utilizava um chassi totalmente feito pela Ferrari, com dois motores da Alfa Romeo. Há quem diga que este foi o primeiro automóvel de corridas da marca do cavalo rampante e foi a partir do Alfa Romeo 16C Bimotore que se passou a dizer que a Alfa Romeo é a mãe da Ferrari.

A falta de sucesso deste “Formula 1” foi atribuída à potência extrema e ao consumo de pneus e combustivel, que não chegavam a dar voltas suficientes para ganhar qualquer corrida que fosse. Um destes automóveis ficou destruído num acidente e o outro foi na altura vendido ao piloto amador Austin Dobson para provas e eventos nacionais em Donington.
Actualmente o automóvel encontra-se em exposição na casa museu Enzo Ferrari em Modena.













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