Entrevistas

Nuno Caetano: Do Isle Of Man TT à KIA Picanto GT Cup!

Alguma vez tiveram interesse em saber como um piloto de motociclismo se adapta aos automóveis? Nós tivemos e quisemos perceber como foi a vida desportiva do piloto Nuno Caetano e como é que depois de participar na corrida mais perigosa do mundo se vê num trófeu monomarca de carros citadinos.

Como começou o gosto pelos motores?

Já não me recordo muito bem, mas desde muito pequeno. Tenho fotografias do rali de Portugal com 7 ou 8 anos.

Começaste a guiar muito cedo?

Comecei relativamente cedo quer carros quer motas, mas na maior parte do tempo guiava às escondidas. Não venho de uma família com tradição nos desportos motorizados.

Esta foto não é da autoria da CarZoom

Começaste pelos carros ou pelas motos? Qual era o modelo?

Comecei pelas motos, por uma Casal Boss, mas rapidamente passei para a clássica Yamaha DT50 LC.

Quando é que foi a tua primeira corrida? Foi de moto?

Foi uma resistência de moto em
2009 no Estoril. Lembro-me bem, choveu e não tínhamos pneus de chuva. Foi uma
luta para chegar ao fim!

Esta foto não é da autoria da CarZoom

Sabemos que entraste várias vezes naquela que é considerada a corrida mais perigosa do mundo, o Isle Of Man, que de certa forma te tornou conhecido pelos Portugueses. As decorações da tua moto levam-nos de facto a assumir que estás a levar o nome de Portugal ao estrangeiro.

Porquê o Isle Of Man TT?

Aconteceu naturalmente. Era amigo e seguia activamente o Luis Carreira. Fui vê-lo à ilha em 2010 e foi aí que fiquei a saber que havia uma outra corrida mais calma no mesmo traçado mais tarde, o Manx Grand Prix. Inscrevi-me em 2011 pensando que ia acabar por ai, mas correu bem, acabei por ganhar o prémio de melhor “principiante” internacional e convidaram-me para passar ao evento principal em 2012.

Esta foto não é da autoria da CarZoom

Qual é o teu último pensamento antes de arrancares para a corrida mais perigosa do
mundo?

Antes de mais não sei se a ilha de man é a corrida mais perigosa do mundo, pois há muitas outras corridas do género que são igualmente perigosas. Os pensamentos são os mesmos em todas as corridas e resumem-se a uma combinação de concentração com nervoso miudinho. Normalmente passa tudo assim que arranco!

Sentes que os Portugueses valorizam a tua boa representação no estrangeiro?

Sim. É incrível a popularidade do road racing em Portugal.

Esta foto não é da autoria da CarZoom

As pessoas reconhecem-te na rua e felicitam o teu percurso?

Mais nas redes sociais!

Qual foi o episódio que mais te marcou até hoje no mundo dos motores?

Perder o campeonato nacional de Promocup por causa de um filtro de combustível. Uma peça de 10 ou 15 euros estragou um ano inteiro de trabalho.

Foto: Nuno Organista

Como surgiu a KIA Picanto GT Cup?

Literalmente do nada. Estava a ver TV quando apareceu um resumo / apresentação do novo troféu. Ainda não tinha acabado o programa e já tinha mandado uma “mensagem de interesse” ao Tiago Raposo Magalhaes da CRM. Dai até à Rampa da Falperra foi um piscar de olhos

Já tinhas feito corridas de automóveis antes?

Tinha feito FunCup em inglaterra e algumas resistências piratas em Espanha.

Foto: Nuno Organista

A KIA Picanto GT Cup cumpriu as tuas expectativas?

Excedeu em todos os aspectos. A começar pela organização, a continuar pelo grupo e o carro em si que para além de ágil, ensina e obriga a saber conduzir.

Apesar de toda a tua experiência, achas que a KIA Picanto GT Cup te proporcionou novas aprendizagens?

Sem duvida. Os carros são todos muito idênticos, por isso, a afinação e o piloto fazem a diferença. Por acaso acho que a minha experiência anterior não ajudou muito. Nas motos as coisas passam-se de maneira diferente. É necessário ser mais agressivo nos “inputs”. O Kia Picanto GT Cup tem de ser conduzido de forma linear.

Foto: Nuno Organista

Qual foi o teu melhor momento nos Picanto?

Vários! Destaco Vila Real, a última corrida à chuva no Estoril que foi o meu melhor resultado e a minha fatídica participação no rali das Camélias que infelizmente acabou com um despiste, mas ganhei um novo vicio, os ralis.

Como se sente um piloto do Isle Of Man numa corrida de automóveis citadinos?

Consegues sentir adrenalina à mesma?
Sem duvida. Sempre que estejas no limite a adrenalina sobe, seja a 100 ou a 300 kmh.

Foto: Nuno Organista

Tens alguma referência nos automóveis e nas motos?

Nos automóveis o eterno Ayrton Senna e todos pilotos de ralis no geral. Nas motas tenho vários também. Nas motos de pista Casey Stoner, nas corridas de estrada Dean Harrison e Peter Hickman que são inacreditáveis no Isle Of Man e no fora de estrada o Travis Pastrana, pelo que faz de moto, mas também pelo percurso que está a desenvolver nos automóveis que é impressionante.

Qual foi o melhor carro e a melhor moto que guiaste até hoje?

Mclaren GT3 e Kalex Moto2.

Foto: Nuno Organista

Vais participar na Picanto GT Cup em 2019?

Sem duvida.

Pretendes continuar com as corridas sob 4 rodas?

Absolutamente. Em varias vertentes – Kia Picanto, Nurbrugring RCN/VLN, Campeonato Nacional de Ralis e ainda dar uma perninha nos SSVs.

Qual é a tua maior dificuldade nos desportos motorizados?

Peso! Sou um rapaz bem composto! Peso mais de 90kg e a média dos meus concorrentes quer de carro quer de mota anda pelos 70 e pouco. Faz uma grande diferença principalmente nas motos!

Fotos: Nuno Organista

Artigo anterior

Tesla lança "Dog Mod", um sistema que protege o seu cão!

Artigo seguinte

Mazda MX-5 NB Roadster Coupe Type S está "à venda"!

1 Comentário

  1. Carlos Makwa Barreto
    23 Fevereiro, 2019 a 04:52 — Responder

    Boa sorte Nuno, vamos acompanhar a tua nova carreira. Abç

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.