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Jeep Wrangler Sahara 2.2 Multijet: A BAJA do dia-a-dia!

O Jeep Wrangler é um jipe para homens de barba rija, homens que não se satisfazem com um “suvezeco” de subir passeios. Esta versão de 4 portas tem versatilidade suficiente para tornar o Wrangler um automóvel utilizável no dia-a-dia para quem tem família, o automóvel ideal para verdadeiros aventureiros que precisem de levar os miúdos à escola durante a semana e que gostem de andar com lama até à testa aos fins-de-semana!

É um automóvel inconfundível, não só pelo seu estilo retro que se mantém há várias gerações, como também por ser um automóvel único, cheio de pormenores e características exclusivas. Concebido para andar no mato, o Jeep Wrangler promete não nos deixar ficar mal, ou não estaríamos a falar do “menino dos olhos da Jeep” que é provavelmente a marca com mais tradição no todo-o-terreno.

O formato da carroçaria do Jeep Wrangler é o mesmo desde que nos lembramos da sua existência, o que quer dizer que o modelo americano tem o design de um tijolo e a aerodinâmica de uma parede. Contudo, o seu design permite-lhe ser bom nas tarefas para as quais foi concebido, ser um automóvel “versátil” e endiabrado no todo-o-terreno. Ou seja, temos um design quadrado, mas boa visibilidade, temos eixos próximos das extremidades da carroçaria para ângulos de ataque, saída e ventrais dignos de registo e ainda temos portas, pára-brisas e tejadilhos prontos para serem retirados em pouco tempo, de forma a que consigam proporcionar uma experiência ainda mais diferente a quem viaja neste automóvel.

Se há uma explicação para os elementos de design serem tão idênticos há vários anos… Há pois! Falamos de um tal Jeep Willys que foi o modelo que deu inicio à marca Jeep. Apareceu para uso exclusivamente militar na segunda grande guerra e este automóvel era apreciado devido ao baixo peso e capacidades no todo-o-terreno, que fizeram dele um dos melhores jipes que o mundo já viu. Desde a “aposentadoria do Jeep Willys” que o Jeep Wrangler defende o seu legado. Embora seja mais moderno e mais bonito, o Jeep Wrangler defende a mesma filosofia do Jeep Willys. Contudo tem assumido uma praticabilidade capaz de agradar não só aos aventureiros do todo-o-terreno como famílias que gostam da aventura que um automóvel deste estilo lhes pode proporcionar.

A frente é direita e tem um pára-choques plástico generoso que alberga os faróis de nevoeiro embutidos em molduras contrastantes. Como seria de esperar, a grelha é herdada do Jeep Willys, assim como as ópticas em circulo que conservam o aspecto mais “antigo” do Jeep Wrangler. O capô tem dimensões generosas e é direito, o pára-brisas dianteiro é generoso e tem pouca inclinação, os pilares “A” são finos e pouco obstruem a visão do condutor ou passageiros, a linha de cintura é direita e divide quase a meio a carroçaria do Jeep Wrangler o que se traduz num interior mais luminoso e menos “claustrofóbico”, devido às grandes dimensões dos vidros laterais. Na traseira temos um pára-choques plástico de grandes dimensões, roda sobressalente envolvida em lona “Jeep” e temos a tampa da bagageira direita e desagregada do óculo traseiro.

No exterior há ainda algumas novidades que podem passar despercebidas aos mais distraídos. Falamos de ópticas dianteiras LED, farolins traseiros em LED com uma assinatura luminosa agradável, temos novas jantes de 18 polegadas com dois tons e referência ao Jeep Willys envolvidas em pneus 255/70 e vidros traseiros escurecidos. No Jeep Wrangler é possível remover as portas, ou o tejadilho na totalidade, ficando apenas o roll-bar para que possamos usufruir de “passeios de cabelos ao vento”.

No interior o Jeep Wrangler temos materiais de qualidade e boa construção. Não havia ruídos parasitas, mesmo na unidade ensaiada, que tem uma utilização intensiva, com vários tipos de condução e em quase todos os terrenos, com ensaios bastante “exigentes” do ponto de vista técnico no fora-de-estrada.

O design está mais requintado, há borracha em torno do sistema de navegação e multimédia, couro couro no tablier e assentos, assim como pespontos contrastantes no volante, tablier, caixa de velocidades, travão de estacionamento e guarnições das portas. O toque premium vê-se acentuado pelo alumínio encontrado nos punhos da caixa e tracção, puxadores das portas, saídas da climatização e volante.

Acessibilidade ao interior não é a melhor. Apesar do generoso ângulo de abertura de portas, a elevada altura ao solo faz com que pessoas de estatura mais baixa, com mais idade ou mais debilitadas tenham maiores dificuldades e entrar e sair do Jeep Wrangler. O espaço interior é agradável, uma vez que viajamos à vontade nos lugares dianteiros e traseiros, devido ao formato alto da carroçaria as pessoas mais altas não correm o risco de ficar com a cabeça muito próxima do tejadilho, o que também pode ser bom se algo correr “menos bem” no todo-o-terreno. A bagageira tem 533 Litros de capacidade que se estendem aos 1044 Litros com o rebatimento dos assentos traseiros.

O interior do Jeep Wrangler é “lavavel”, o que faz com que a tarefa de ter os miúdos a comer dentro do carro, ou os sujos passeios na lama aos domingos, não se tornem um verdadeiro pesadelo.

O conforto está sempre presente, devido não só à suspensão extremamente condescendente, como também devido à boa ergonomia e apoio satisfatório dos assentos tanto ao nível das costas como ao nível das pernas.

Como já tínhamos mencionado, a visibilidade é boa para as laterais e dianteira, onde conseguimos ver parte do capô e ter a perfeita noção de onde acaba a largura do Jeep Wrangler. Contudo, a visibilidade para trás é prejudicada pela roda sobressalente colocada na tampa da bagageira que apesar de ocupar pouco o óculo traseiro, ocupa o suficiente para dificultar determinadas manobras, uma característica que é facilmente “compensada” pela câmara de ajuda ao estacionamento.

O equipamento e a tecnologia presentes no interior do Jeep Wrangler estão ao nível de alguns automóveis de segmento “D”, encontramos ar-condicionado automático de dupla-zona com saídas para os lugares traseiros, assentos dianteiros aquecidos, volante aquecido, assento do condutor com regulação eléctrica, pára-brisas aquecido, botão start da ignição, sistema de ajuda ao estacionamento com câmara, cruise-control, limitador de velocidade, sensor de luminosidade, chave mãos-livres, porta-luvas com fecho por chave, computador de bordo em ecrã TFT, várias entradas USB e AUX, entradas USB nos lugares traseiros, sistema de som premium Alpine e sistema de navegação e multimédia em ecrã de 7 polegadas.

O sistema de navegação é intuitivo, tem boa imagem e é rápido q.b. Tem uma navegação eficiente, uma loja online que nos permite descarregar várias aplicações e como é quase “obrigatório” neste tipo de sistemas está preparado para o Android Auto e Apple CarPlay. Seria também de esperar que um automóvel de uma marca tão focada no todo-o-terreno tivesse também no sistema de navegação e multimédia, uma aplicação relacionada com o “fora de estrada” e tem mesmo. O “Off-Road Pages” mostra-nos a aceleração e inclinação do veiculo, carga da bateria, utilização da tracção, temperatura da transmissão, temperatura do óleo, temperatura do liquido de refrigeração, entre outras informações que podem ser úteis na hora de “sair de estrada”.

No painel de instrumentos temos um computador de bordo completissimo que para além das informações relacionadas com viagens e consumos, nos apresenta as informações relacionadas com o todo-o-terreno, navegação, multimédia, tracção, temperatura exterior e horas, entre outros.

No lugar do condutor todos os comandos estão acessíveis e são intuitivos. A pega do volante é ergonómica e a posição de condução é alta e agradável. Conduzir o Jeep Wrangler não é para qualquer um, mas podemos dizer que é uma agradável tarefa.

O comportamento do Jeep Wrangler em estrada está longe de ser igual ao de qualquer outro automóvel. A velocidades mais altas em auto-estrada é comum termos de ajustar o volante à vontade da carroçaria que sofre deslocações com o vento e adorna de forma pouco subtil para poder curvar, algo que facilmente intimida os menos experientes. A direcção está longe de ser directa, mas não deixa de nos dar feedback das reacções mais tipicas do Jeep Wrangler. O ensaio da CarZoom ocorreu num fim-de-semana de chuva em que conseguimos ter uma maior noção do comportamento invulgar. Bastava desligar o “ESP” que soltar a traseira do Jeep Wrangler se tornava algo “comum”.

É quando entramos em caminhos mais acidentados que o Jeep Wrangler faz todo o sentido, passa por cima de qualquer buraco sem comprometer o conforto no interior, sendo o automóvel mais “desenrascado” em todo-o-terreno que se pode adquirir. As subidas inclinadas com irregularidades passam a ser mais um bocado de estrada e é fácil entrar por “caminhos apertados” mesmo para quem não tem experiência. Felizmente temos um rollbar que pode facilmente evitar maiores preocupações em caso de capotamento. Infelizmente a versão ensaiada vinha com pneus mistos que impossibilitavam maiores aventuras devido à falta de tracção, mesmo com uma abordagem mais suave às subidas mais íngremes.

Nesta nova geração temos eixos com tubos mais rijos e uma travagem mais eficiente de maiores dimensões.

Debaixo do capô está um motor 2.2 Litros Turbo Diesel com 200cv de potência e 450Nm de binário. Apesar da menor cilindrada face à anterior geração este motor mantém a potência e ganha binário tornando-se ainda significativamente mais económico. A caixa de velocidades é nova, tem 8 velocidades e é surpreendentemente rápida, oferece uma utilização agradável tanto no modo sequencial, como no modo automático. Como seria de esperar a tracção é configurável com o sistema selec-trac onde temos tracção integral automática em que é accionada a tracção dianteira quando há perdas de tracção. Tracção apenas traseira para a circulacção em estrada, tracção integral “alta” que nos permite circular a rotações mais elevadas com a tracção integral ou a tracção integral em baixas para percursos mais ingremes e acidentadis onde se privilegia a força para sair de locais dificeis ou ultrapassar obstáculos mais exigentes.

No que toca aos consumos conseguimos no nosso ensaio a surpreendente média de 8,6 Litros a cada 100km, com duas saídas de estrada em que obviamente os consumos são bastante sacrificados. Já as performances satisfazem com uma aceleração dos 0 aos 100km/h em 8,9 segundos e uma velocidade máxima de 180km/h.

Se for para ter um acidente é melhor que não seja no Jeep Wrangler. Apesar da segurança ter melhorado face à anterior geração devido à Monitorização dos Ângulos Mortos e Deteção de Veículos em Aproximação Traseira, nos testes Euro NCAP o Jeep Wrangler obteve apenas 1 estrela, sendo um dos piores automóveis da actualidade nos testes de colisão. Este resultado implica 50% na protecção dos adultos, 69% na protecção das crianças e 49% na protecção dos peões e 32% nas ajudas à condução.

No que toca a preços a versão ensaiada custa 67.961,72€, tem 5 anos de garantia ou 75.000km e realiza manutenções de 20.000 em 20.000km. Paga de IUC: 61,72€.

Fotos: João Santos

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