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Honda-e: O génio da cidade!

Já alguma vez teve a oportunidade de falar com uma pessoa e ficar a achar que esta é um génio? Bem, esta foi a sensação com que ficámos ao volante do novo Honda-E, uma “conversa” entre condutor e automóvel que nos causou uma boa impressão. O Honda-e é um verdadeiro génio urbano!

Se nós pensarmos num “Top 10” dos automóveis mais vistosos com que já circulámos, constariam nessa lista veículos como: Caterham Seven 275, Alfa Romeo 4C, Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio, Ford Mustang, Toyota Supra e… O Honda-e! Há algum tempo que não nos sentíamos tão observados, um sinal de que os tempos estão a mudar e que a mobilidade elétrica começa a dar nas vistas.

Parecia impossível não olhar para o Honda-e. Enquanto circulávamos na via mais à direita do IC-19, foram vários os automobilistas da via da esquerda que passaram para a via do meio e abrandaram de forma acentuada, só para observarem o pequeno e futurista Honda-e… O design? Está aprovado e parece ter partido corações, apesar deste ter saído de um pedaço de papel em branco, como explicou Kohei Hitomi, o responsável de projecto Honda-e.

Enquanto a maioria dos automóveis se inspira num protótipo que dará origem a uma versão de produção, no caso do Honda-e, a história é outra… Apesar de existir um esboço de um protótipo, a Honda optou por dar primazia ao veículo de produção, antes da apresentação do protótipo Honda Urban EV Prototype.

Como marca experiente na concepção de veículos de reduzidas dimensões mas divertidos de conduzir, a Honda teve este conceito com base para “dar vida” ao Novo Honda-e, que também foi concebido com o propósito de ser divertido, manobrável e diferente de todos os outros veículos que circulam na estrada.

Há quem o ache futurista e quem o ache “retro”, apesar disso, o responsável de design da Honda, Ken Sahara, afirma que nunca lhe passou pela cabeça tentar conceber um automóvel com um estilo “antigo”.

Embora as opiniões se dividam não podemos negar que o Honda-e é um automóvel com um exterior extremamente agradável e diferente. Nele encontramos linhas bastante direitas, óticas e farolins que lhe redondos que lhe proporcionam o aspecto “retro” e também encontramos contrastes de cor fortes. Falamos do declive dianteiro que substitui uma grelha, no lábio do pára-choques dianteiro, nas embaladeiras e também na traseira que recebe um declive muito semelhante ao da dianteira, que alberga os farolins. O que ajuda a realçar ainda mais todos estes pormenores é a pintura bi-tom.

Ainda no exterior temos óticas e farolins LED, jantes de 17 polegadas com pneus 205/45, chave mãos-livres, vidros traseiros escurecidos, puxadores de porta dissimulados na carroçaria e ainda câmaras que substituem os retrovisores. Algumas destes elementos “pouco comuns” em automóveis deste segmento levam a que a curiosidade acerca deste modelo seja ainda maior.

Quando queremos aceder ao interior é bom que seja aos lugares dianteiros, uma vez que a acessibilidade para os lugares traseiros não é exemplar. A causa não tem a ver com uma abertura tímida das portas, mas porque a ausência de espaço os lugares traseiros pode ser um problema para os adultos, que terão dificuldades na acomodação das pernas e até dos pés, uma vez que o espaço debaixo dos assentos dianteiros está longe de ser generoso. Ainda nos lugares traseiros conseguimos acomodar apenas duas pessoas, nesta fila de assento único, sem apoios laterais ou divisão dos lugares sentados.

Na dianteira circulamos à vontade e temos à nossa disposição alguns espaços simpáticos para arrumação. Falamos das bolsas das portas dianteiras que conseguem guardar uma garrafa de 1,5 Litros e ainda armazenar alguns objetos, o porta-luvas permite-nos guardar apenas os manuais do automóvel e pouco mais, devido às suas dimensões reduzidas. Há ainda um porta-copos no túnel central que se abre com uma pega em couro e uma pequena bolsa por baixo da consola central que tem praticamente um propósito estético, uma vez que só nos permitirá guardar uma carteira ou um telemóvel. Entre os lugares dianteiros há uma zona simpática para armazenamento de objetos que conta com umas divisórias.

Nos lugares traseiros as portas oferecem apenas um porta garrafas que nos permite guardar uma garrafa de 1 Litros, por exemplo. A bagageira não é surpreendente, pois tem apenas 171 Litros de capacidade, que se estendem até aos 857 Litros com o rebatimento da fila do assento traseiro.

Se o exterior do Honda-e é verdadeiramente agradável, o habitáculo não fica atrás. O Honda-e é um citadino muito requintado. Tem como argumentos bons materiais, boa construção e tecnologia que nunca mais acaba! Apesar do design minimalista, adota tecido nas portas acima do nível da cintura, há madeira no tablier e túnel central e uma quantidade imensa de ecrãs que pertencem ao sistema de navegação e multimédia ou às câmaras que substituem os retrovisores.

Equipamento não falta, temos iluminação do interior em LED, entradas USB, Aux e HDMI, travão elétrico de estacionamento, assentos dianteiros aquecidos, ar-condicionado automático, botão start da ignição, modos de condução, vários níveis de regeneração, câmara de ajuda ao estacionamento, volante multifunções, entre outros. Os passageiros dos lugares traseiros ainda têm direito a duas entradas USB, tejadilho panorâmico e ISOFIX.

Ao volante dedicamo-nos à tarefa da condução, que é entusiasmante. No lugar do passageiro, também nos podemos “divertir” com o sistema de navegação e multimédia bastante completo e intuitivo, que ainda nos fornece entradas HDMI para ligarmos computadores, câmaras, etc.

Este sistema de navegação e multimédia é bastante “revolucionário”, a começar pela quantidade de ecrãs, que nos permitem colocar as aplicações que mais precisamos durante uma viagem em cada um destes, permitindo-nos alterar a sua disposição com apenas 1 clique. Este sistema, para além da navegação e multimédia, também está preparado para Android Auto e Apple CarPlay, o mesmo, não prescinde de aplicações relacionadas com a condução elétrica como o fluxo de energia, histórico de consumos, programação do recarregamento e climatização, navegação adaptada ao sistema elétrico com alcance da bateria e procura por postos de carregamento. A personalização também está garantida com as imagens de fundo para os ecrãs, que podem ser as imagens facultadas pela marca que o Honda-e traz de série ou imagens extraídas de uma PEN USB. A cereja no topo do bolo é o centro de aplicações da Honda e o Wi-Fi.

O painel de instrumentos também é totalmente digital, apresenta dados de consumos e viagem, velocidade, informações relacionadas com os sistema de segurança e modos de condução, navegação, entre outros.

É agradável estar ao volante do Honda-e, pois este modelo é um verdadeiro “génio da tecnologia”. Se achamos que os ecrãs que substituem os retrovisores são de “difícil adaptação”, só temos de nos apoderar do lugar do condutor e começar a conduzir, para deixarmos de parte todas as ideias pré-concebidas.

O Honda-e é um automóvel muito fácil de conduzir, tem uma direção muito direta e prazerosa e um comportamento em estrada bastante estável e previsível, mesmo quando adotamos um estilo de condução mais despachado. Os modos de condução também ajudam a adequar o Honda-e às nossas necessidades, o Modo Sport torna a resposta do pedal do acelerador mais rápida, enquanto o modo normal ajusta a resposta do pedal, em prol de uma utilização mais comum, que não nos limita excessivamente a resposta deste Honda-e, como também não o deixa excessivamente “estrangulado”.

Para conduzirmos praticamente com o pedal do acelerador, só temos de carregar num botão presente no túnel central. Para ajustarmos a quantidade de regeneração nas desacelerações, só temos de clicar nas patilhas atrás do volante. Há 3 níveis de regeneração, estes podem abrandar de forma mais significativa o automóvel, se assim o pretendermos, ajustando a desaceleração às descidas ou à necessidade de antecipação a um semáforo, trânsito parado, entre outros.

A outra boa notícia surge ao nível da visibilidade, uma vez que a ausência dos espelhos retrovisores torna a visibilidade para os flancos dianteiros mais “limpa”. As câmaras que substituem os retrovisores funcionam na perfeição durante a circulação, mas a “coisa fica preta” quando tentamos estacionar em garagens, uma vez que a tonalidade das câmaras torna-se excessivamente avermelhada. A visibilidade para os flancos traseiros também não é má, uma vez que o Pilar “C” é mais fino do que os da maioria dos automóveis.

O Honda-e tem um motor elétrico que pode ter 136cv ou 154cv de potência, dependendo se optamos pelo Honda-e(136cv) ou Honda-e Advance(154cv). Independentemente do nível de potência, o motor está associado a uma bateria de 35,5kWh, que proporciona uma autonomia elétrica a rondar os 220km WLTP.

Se 220km parece pouco, relembramos que para muitos condutores, os trajetos diários não passam dos 50km, o que faz com que o Honda-e possa ser recarregado uma ou duas vezes por semana. Quando deixamos de pensar na autonomia e pensamos nos custos, as vantagens são significativas, pois o preço por cada 100km de autonomia pouco ultrapassa os 2,00€, o que é uma redução significativa quando comparada a um automóvel térmico.

Viagens mais longas? O Honda-e tem a capacidade de recarregar em corrente contínua, o que significa que em apenas 30 minutos conseguimos ter novamente os 220km de autonomia. O recarregamento rápido não deve ser o mais utilizado, porque não só pode comprometer a fiabilidade da bateria de tração, como também deixa de ser viável do ponto de vista de económia, uma vez que um recarregamento rápido é tão ou mais caro do que abastecer um automóvel a diesel, para realizar os mesmos quilómetros.

Para quem pretenda recarregar em casa com uma wallbox de 7,4 kW corrente alternada monofásica, o Honda-e tem um carregador interno que suporta recarregamentos até 6,6kW, o que significa que demora perto de 6 horas a conseguir os 200km de autonomia. As médias no nosso ensaio rondaram os 15,5kW a cada 100km.

Na segurança, o Honda-e vem equipado com uma série de ajudas à condução que funcionam na perfeição: travagem de emergência ativa, alerta de arranque do veículo que circula na dianteira, assistência na manutenção de faixa, limitador inteligente de velocidade, reconhecimento de sinais de trânsito, função de seguimento a baixa velocidade, aviso de ângulo morto e monitor de trânsito lateral. Na lista de destaques incluímos os encostos de cabeça dianteiros antichicotada.

O Honda-e está disponível a partir dos 36.000,00€ e o Honda-e Advance (154cv) está disponível por mais 2.500,00€. Como veículo 100.000€ elétrico abaixo dos 62.000€, ainda têm direito a benefícios fiscais como: isenção de IUC, dedução de IVA a 100% para empresas e não paga tributação autónoma.

Fotos: João Santos

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