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Desportivos dos anos 90: O equilíbrio perfeito?

No ensaio ao Toyota GT86, juntou-se a nós um Toyota Celica T20 1.8 16v, um automóvel que não é sucessor do GT86, mas que nos colocou a pensar na competência dos desportivos dos anos 90.

Não podíamos começar a escrever este texto sem começar por falar do Toyota Celica T20 cujo proprietário teve a amabilidade de nos ceder durante uns 30 minutos para um breve ensaio, enquanto este, conduziu o Toyota GT86.

O Toyota Celica pode não ser primeiro desportivo a surgir-nos na mente quando pensamos num automóvel dos anos 90. Porém, não deixamos de o achar competente, naquilo a que se propõe. As estética elegante, faz com que fique bem numa estrada de serra ou num casino, uma vez que adopta uma carroçaria comprida de 2 portas estilo coupé, com características desportivas como uma grelha generosa um capô longo e uma traseira curta. As ópticas arredondadas eram herdadas da primeira geração Celica(TA) e os farolins compridos na horizontal ofereciam à traseira um aspecto mais largo.

No interior a posição de condução era mais elevada do que nos desportivos actuais, mas éramos brindados com uma qualidade de construção agradável, com recurso a materiais de qualidade que revestiam não só o tablier, como também as portas. O conforto estava garantido por assentos com apoio lombar q.b e com uma configuração de suspensão que não era excessivamente rígida, as viagens longas realizavam-se sem grandes dores de costas.

Debaixo do capô encontrávamos um motor 1.8 Litros de 4 cilindros a gasolina de 16v com saudáveis 116cv, que se faziam ouvir nas rotações mais elevadas. Neste modelo a direcção podia deixar a desejar, uma vez que não era tão directa como a dos desportivos actuais, mas a caixa de velocidades agradável de manusear, o motor fiável e a carroçaria elegante, podiam facilmente fazer-nos cometer a loucura.

Os desportivos de tracção traseira não têm obrigatoriamente de ser os desportivos de eleição dos “petrolhead”, ou não conheceríamos muito boa gente que delira ao volante de pocket rockets dos anos 90 como uns tais Renault Clio, Peugeot 106, Citroen AX/Saxo, FIAT Uno Turbo I.E, Opel Corsa GSi, entre outros tantos. Seria fácil perdemo-nos a pensar na quantidade de desportivos de tracção dianteira que teríamos na garagem, o que comprova que podem ser automóveis tão ou mais prazerosos do que outros de tracção traseira.

Nos tempos que correm temos os desportivos mais eficazes, seguros e tecnológicos de sempre! Contudo, os desportivos da actualidade não agradam a todos os puristas, que preferem as conduções mais puras e menos filtradas. Será necessário um desportivo dos anos 60, 70 ou 80 para encher o coração dos mais puristas? Apesar dos anos passarem, as marcas de automóveis desportivos têm-se preocupado em garantir o prazer de condução. Embora saibamos que uma troca de caixa manual seja menos rápida que uma troca de caixa automática, há marcas que se preocupam em lançar ambas, porque sabem que só assim irão agradar os clientes mais puristas e mais “cépticos” a modernices.

Se olharmos para os desportivos dos anos 60, 70 e 80, constatamos aspectos mais quadrados, design menos elaborado, construções menos rigorosas em alguns casos, poucas ou nenhumas assistências à condução e falta de elementos de conforto. Contudo, seriamos capazes de abdicar de um ar-condicionado num dia de 40ºC à sombra? Seriamos capazes de abdicar do conforto de um ABS numa situação de travagem mais forte? Há quem diga que sim! Contudo, os desportivos dos anos 90 são provavelmente os desportivos mais equilibrados entre a eficiência, conforto tecnologia dos desportivos actuais, com a pureza de condução e mecânica dos desportivos mais antigos.

Imaginem um BMW M3 E36… Tem ar-condicionado, ABS, direcção assistida, um design apelativo e atraente e ainda assim, só quem tem “unhas afiadas” é capaz de o conduzir no limite ou de retirar todo o partido do seu potencial. Precisávamos mesmo de um M3 E30 para circular no dia-a-dia e sentirmo-nos verdadeiros “bravos da condução”? Creio que não! Porém, não seria capaz de abdicar de um verdadeiro clássico para realizar um rali de regularidade ou um passeio ao domingo de manhã.

O desportivos dos anos 90 reúnem o melhor dos dois mundos, algumas comodidades quase imprescindíveis de um automóvel actual e parte da pureza dos nomes sonantes que surgiram antes da década de 90, nomes que jamais serão esquecidos, mas que provavelmente não conseguiriam satisfazer as expectativas do condutor dos desportivos actuais, que está habituado a sistemas de navegação e multimédia, todos os tipos de ajuda à condução, conforto e comodidade.

É inegável pensar que todos os automóveis são especiais, independentemente da sua época! Todos os automóveis preenchem as expectativas e os gostos de diferentes clientes, caso contrário, seriam todos iguais!

O proprietário deste Toyota Celica T20, teve a oportunidade de experimentar o Toyota GT86 e o sorriso no rosto não escondia o encanto. Porém, a vontade de continuar o restauro do seu Celica T20 continua a ser forte, assim como a intenção de realizar bons passeios em família ou viagens longas à sua terra na beira baixa, quando prefere deixar o BMW Série 1 de 2019 na garagem.

Não se esqueça de ler aqui o nosso ensaio ao Toyota GT86! Aproveitamos para agradecer ao Carlos Sousa (Proprietário do Toyota Celica) a disponibilidade.

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