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Hyundai Ioniq Electric: A melodia do silêncio!

O futuro são os elétricos? Há quem acredite que sim e há quem acredite que não, o que nos deixa aproveitar a quantidade enormíssima de alternativas presentes no mercado. Híbridos? Híbridos Plug-In? Mild Hybrid? Gasolina? Diesel? GPL? São realmente muitas as alternativas, o que nos deixa com muito por onde escolher. Os elétricos são os veículos menos poluentes durante a circulação, mas também são os que causam menos poluição sonora. Apesar de sermos petrolheads, quem não gosta da melodia do silêncio? Uma vez ou outra, sabe sempre bem! O Hyundai Ioniq é uma alternativa válida para quem procura o espaço aliado à tecnologia e ecologia, sem esquecer o silêncio claro!

Já está disponível com 3 motorizações, como se costuma dizer: “Ao gosto do freguês”! Há uma motorização híbrida, uma motorização híbrida plug-in e aquela que nos faltava testar… A versão 100% elétrica! Face às restantes versões, as alterações não se resumem à capacidade da bateria de alta voltagem e ao motor.

Começando pela carroçaria, o Hyundai Ioniq Electric não se deixa ser confundido com os seus “irmãos”. A dianteira tem uma grelha fechada e contrastante e as entradas de ar são bastante tímidas, uma vez que os veículos elétricos estão destinados a “mudar” o design automóvel como o conhecemos. O capô é longo, a linha de cintura é elevada e as grades portas oferecem um aspecto mais robusto. O tejadilho é inclinado e desce ao óculo traseiro, que se deixa dividir por um spoiler discreto que alberga a luz do 3º stop.

No exterior, a Hyundai apetrechou esta versão MY20 com tudo o que um automóvel deve ter: vidros traseiros escurecidos, chave mãos-livres, retrovisores com recolha eléctrica, ópticas e farolins LED, jantes de 16 polegadas, antena shark, entre outros.

O acesso ao interior está ao alcance de todos, uma vez que as portas dianteiras e traseiras têm uma abertura condescendente, criando espaço suficiente para os passageiros e condutor acederem ao interior do Hyundai Ioniq. Uma vez no interior, há espaço para dar e vender, tanto nos lugares dianteiros, como nos lugares traseiros, onde quase dá para viajar de perna cruzada. Apesar do formato inclinado do tejadilho, não falta espaço para a cabeça. A bagageira tem 357 Litros de capacidade, que se estendem aos 1417 Litros com o rebatimento dos assentos traseiros.

O espaço no interior não se resume aos passageiros e bagageira, as bolsas das portas dianteiras e traseiras são generosas e há espaço para guardar muitos objectos no apoio de braço central e porta-copos. Se quisermos contar com espaço no porta-luvas este tem capacidade para albergar pouco mais do que a pasta com os manuais.

O Hyundai Ioniq é simplista no que toca ao design interior. Não há grandes elementos decorativos, à excepção do friso que atravessa o tablier. A consola é muito limpa, tendo apenas os comandos da climatização maioritariamente “touch”, um ecrã de multimédia e navegação generoso e um painel de instrumentos digital. Nas portas, a decoração resume-se aos puxadores metálicos. Todos gostamos de uma consola “limpa” e minimalista, porém, a falta de botões na consola, traduz-se em excesso de botões no volante. Comandos importantes como o “Modo de condução”, estão colocados em locais totalmente fora da vista do condutor, obrigando-o a desviar o olhar da estrada para seleccionar o modo de condução ou aquecer o assento.

A qualidade está ao nível do valor de aquisição, principalmente quando falamos de um eléctrico de tamanho generoso, que custa pouco mais de 35.000€. Há acabamentos emborrachados no tablier, contudo, nos painéis das portas este acabamento de melhor qualidade, fica-se pela parte superior da porta, quase ao nível dos ombros do condutor. Felizmente, o couro nos apoios de braço das portas compensam o material mais rígido. Se num automóvel térmico a qualidade e a falta de ruídos importa, num automóvel eléctrico a qualidade de construção ganha outra importância, uma vez que a ausência de ruído do motor, fará com que se note mais ruídos parasitas ou má construção. É importante não esquecer que durante um carregamento rápido, há quem aguarde no interior do automóvel. Viajar no Hyundai Ioniq é agradável, para além do espaço interior, há assentos confortáveis e ergonómicos e uma simpática iluminação ambiente, que oferece um estilo mais moderno e harmonioso a este interior. Durante a condução não ouvimos quaisquer ruídos parasitas.

Se valorizamos o espaço e a qualidade, também valorizamos algo que é realmente imprescindível nos tempos que correm! A tecnologia e o equipamento são algo que o Hyundai Ioniq tem que sobra: ar-condicionado automático com saídas da climatização para os lugares traseiros, travão elétrico de estacionamento com função auto-hold, patilhas de níveis de travagem regenerativa atrás do volante, sensores de chuva e luminosidade, botão start de ignição, assentos e volante aquecidos, sistema de som premium Infinity, carregador de smartphone sem fios, três modos de condução, selector de mudanças shift-by-wire, painel de instrumentos digital de 7 polegadas e sistema de navegação e multimédia em ecrã de 10,25 polegadas com serviços conectados.

O sistema de navegação e multimédia está bem adaptado ao Hyundai Ioniq Electric. Para além de ser funcional e intuitivo, apresenta uma interface simpática e serviços específicos dos veículos elétricos como: pesquisa dos postos de carregamento por corrente contínua ou corrente alternada, programação de horário de carregamento, fluxo de energiae ainda uma bolha de alcance na navegação, que nos apresenta o local até onde nos podemos deslocar no modo normal ou eco, com a autonomia que temos no momento. A estes dados importantes, jutamos a informação da autonomia com a climatização ligada e desligada. Há ainda a informação do tempo de carregamento até 100% com as várias velocidades suportadas pelo carregador integrado. Para além das funcionalidades relacionadas com o sistema elétrico, temos navegação com informação do trânsito em tempo real, estado do tempo e não podia faltar o Android Auto e o Apple CarPlay.

O painel de instrumentos tem um ecrã digital de 7 polegadas com boa imagem e apresentação cuidada. Este painel adapta o estilo e a cor ao modo de condução. A informação apresentada é completa, uma vez que para além da navegação, multimédia e dados relacionados com viagem e consumo de energia, também nos apresenta o fluxo de energia e o tipo de condução, algo que é crucial para “fazer render” a autonomia de um veículo eléctrico.

A condução do Hyundai Ioniq Electric é entusiasmante, não só pelo poder de aceleração típico dos automóveis eléctricos, como também pelo silêncio, que nos permite desfrutar melhor das viagens no meio da natureza ou das músicas que mais apreciamos, sem “ruídos” de fundo. Para além dos prazeres associados à condução de qualquer automóvel elétrico, o Hyundai Ioniq detém um comportamento muito neutro e equilibrado, uma direcção directa q.b e uma posição de condução agradável, que aumenta a sintonia entre o condutor e o veículo.

Debaixo da carroçaria está um motor elétrico de 100kW (136cv) e 295Nm de binário, alimentado por uma bateria de iões de lítio com 38,3kWh. Esta receita permite uma aceleração entusiasmante e uma velocidade máxima de 165km/h, porém, o que os condutores dos automóveis eléctricos menos querem é “correrias”, uma vez que estas proporcionam uma perda significativa de autonomia.

Falando em autonomia, o Hyundai Ioniq Electric tem uma autonomia WLTP de 311km, que pode ser aumentada com “boa vontade” do condutor. Se prescindirmos de alguns confortos como o ar-condicionado a autonomia será também maior, tal como no inverno, também é provavel que esta seja menor, devido ao maior uso de componentes elétricos. A bateria do Hyundai Ioniq tem uma capacidade inferior à de alguns automóveis que têm menos autonomia WLTP. Porquê? Um dos segredos é a aerodinâmica e o Hyundai Ioniq é um dos automóveis do mercado com menor coeficiente aerodinâmico com apenas 0,25. Outro segredo é a travagem regenerativa, as patilhas no volante para regular a travagem, podem não fazer sentido para quem não está habituado a veículos elétricos, porém, são uma mais-valia quando queremos aumentar a nossa autonomia. A travagem regenerativa tem um limite, a partir do momento em que a travagem regenerativa chegou ao seu máximo, é activada a travagem mecânica (pastilhas, discos), as patilhas no volante permitem que esta abrande mais ou menos o veículo, consoante o desejo do condutor, o que é bastante útil na gestão de energia. As patilhas permitem que o Hyundai Ioniq trave apenas o que condutor quer, sem excessos ou carências.

No nosso ensaio, o consumo médio de energia rondou os 13,6 kWh a cada 100km, é certamente possível “fazer melhor”, porém, é surpreendente, uma vez que se trata de um automóvel de tamanho generoso, com um peso que ultrapassa uma tonelada e meia.

Mais importante do que a autonomia é a velocidade com que a recuperamos, uma vez que 300km permitem à maioria das pessoas deslocarem-se 2 ou 3 dias para o trabalho sem ter de recarregar. Quando falamos de carregamento, o Hyundai Ioniq Electric tem um carregador que suporta corrente contínua a 100kW, o que se traduz numa recuperação de 80% da autonomia em apenas 54 minutos. Com uma Wallbox monofásica conseguimos uma velocidade de carregamento de 7,2kW, o que se traduz em 6 horas e 5 minutos de carregamento. O carregamento numa tomada doméstica a 2,2 kWh demora cerca de 35 horas e 30 minutos. Para as tarifas bi-horárias, é possível programar um carregamento para quando a energia é mais acessível.

Na segurança, o Hyundai Ioniq tem equipamento para dar e vender, falamos do cruise control adaptativo com função de paragem e arranque, travagem autónoma de emergência com reconhecimento de peões e ciclistas e sistema de ajuda à manutenção na via. Nos testes Euro NCap o Hyundai Ioniq obteve as 5 estrelas com 91% na protecção dos adultos, 80% na protecção das crianças, 70% na protecção de peões e 82% nas ajudas à condução.

O Hyundai Ioniq electric está disponível a partir dos 35.475,17€ para o nível de equipamento MY20, se quisermos optar pelo nível máximo de equipamento MY20 + Pack Pele os valores começam nos 37.475,17€. Tratando-se de um veículo elétrico não paga Imposto Único de Circulação.

Fotos: João Santos

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