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Alfa Romeo 4C Spider Itália: A princesa italiana!

A CarZoom testou o Alfa Romeo 4C Spider Itália, que é um modelo especial não só por ser um Alfa Romeo 4C, mas também por esta ser uma versão limitada às 108 unidades para todo o mundo. Uma versão recheada de pormenores exclusivos que a tornam única e inesquecível. Aproveitamos este ensaio para vos contar todas as “peripécias” ao volante de um automóvel que tem de constar na lista de quem gosta realmente de conduzir.

Não podemos negar que dos mais de 250 ensaios e testes a automóveis, são os desportivos que nos aceleram mais a alma e fazem o sangue correr mais depressa nas nossas veias, ou não nos intitularíamos como “petrolheads”. Como “puristas” que somos, nada é tão bom como um automóvel mecânico, que nos fornece uma das melhores experiências de condução que se pode ter ao volante. Sabemos que quando vamos ensaiar um desportivo italiano, teremos obrigatoriamente uma experiência de condução memorável, do mais simples Abarth 595 ao mais poderoso Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio.

O desportivos italianos são pura poesia, automóveis que se tratam com amor e carinho, como se tratasse de uma verdadeira obra prima. Passamos a ser “pintores” da nossa felicidade, proporcionada por tudo o que há de mágico na condução dos desportivos italianos, seja o poder de aceleração, o barulho ensurdecedor do escape ou simplesmente pela história de marcas como a Alfa Romeo, FIAT, Lancia, Maserati, Abarth ou claro a Ferrari! Um verdadeiro “petrolhead” sabe que quando vai guiar um automóvel italiano, não guia apenas um desportivo, guia um pedaço de história e uma verdadeira obra de arte sobre rodas.

Seria injusto dizer que não há desportivos tão bons, porque efectivamente não é verdade, teríamos de depreciar umas quantas marcas icónicas que ajudaram a construir a história do automobilismo. Contudo, e apesar da qualidade dos desportivos alemães, britânicos, suecos, holandeses, franceses e todos os outros, não podemos deixar de assumir que os desportivos italianos têm uma essência inexplicável, que faz com que os pelos dos nossos braços se arrepiem e que surja naturalmente um dos maiores sorrisos que se pode ter ao volante.

Qual seria o entusiasmo de escrever acerca de automóveis se não for para falar de emoções? Talvez por isso o slogan da CarZoom seja: “Mais perto da emoção”. É dificil testar automóveis como o Alfa Romeo 4C e ser totalmente racional. Os desportivos italianos não são racionais, nem nunca o serão, ou o coração nunca se opunha à razão. Quem quer saber da utilização no dia-a-dia, quando tem entre as mãos um automóvel que lhe trará histórias para contar cada vez que roda a chave na ignição? Esqueçam! O verdadeiro “petrolhead” nunca se vai importar de andar com dores nas costas ou com a dificuldade em estacionar. Se há pouco espaço no interior e lugar apenas para dois, há que fazer escolhas… Ou a bagagem, ou o passageiro… Uma vez que guiar um automóvel aborrecido é absolutamente impensável.

Intitula-mo-nos de “amantes” de automóveis, porque são estas máquinas com 4 rodas que tornam toda a nossa vida mais fácil. Não falamos do ponto de vista da mobilidade e de todas as vantagens a ela associadas, mas sim pelo ponto de vista emocional. A quem nunca aconteceu estar chateado com alguma coisa, mas não conseguir deixar de contemplar o super desportivo que passou na avenida? A quem nunca aconteceu fazer-se à estrada para desanuviar a cabeça? Provavelmente a uma boa parte da população creio. Mas os “petrolhead” têm todo um outro nível de dedicação aos automóveis, uma dedicação que merece ser quase comparável à dedicação de artistas como Picasso, Van Gogh, Mozart e muitos outros que trabalharam para que as duas obras sejam recordadas até aos dias de hoje. Assim são os “petrolhead” que trabalham com o intuito de participar naquele evento de automóveis, para comprar peças para o seu carro, ou simplesmente para tentarem comprar o mais parecido com o automóvel dos seus sonhos. Assim são os artesãos da Alfa Romeo, dedicam-se para que as suas obras sejam recordadas durante várias décadas, ou não se falaria nos dias de hoje de um tal Alfa Romeo 158, Alfa Romeo 33 Stradale, Alfa Romeo RZ, Alfa Romeo Disco Volante, Alfa Romeo GTV, Alfa Romeo Giulia, Alfa Romeo Spider, Alfa Romeo Montreal, Alfa Romeo 8C, Alfa Romeo 6C e muitos outros. Esperemos que a Alfa Romeo nunca acabe. Esperemos que continue década após década, a conceber automóveis que nos fazem sonhar. Mas mesmo que um dia tudo corra da forma menos desejada, os artesãos da Alfa Romeo terão a certeza que as suas “obras” nunca serão esquecidas.

O Alfa Romeo 4C é um dos automóveis que nos lembra que a Alfa Romeo é uma marca com uma herança invejável. Podemos até chamá-lo de “Princesa” italiana se pensarmos nos seus antepassados que carregavam consigo a letra “C” associada ao número de cilindros do motor. Como seria de esperar, o Alfa Romeo 4C é aquele que tem a letra mais baixa face aos seus antepassados, mas outros argumentos se levantam.

O design do Alfa Romeo 4C faz com que se pareça um super carro, para além de assustadoramente baixo, é curto e largo. As grelhas dianteiras ocupam uma boa parte da frente e ajudam no arrefecimento da travagem, nesta versão Spider Itália surgem aplicações a preto brilhante. O tejadilho é inclinado e os pilares “A” recebem uma moldura em carbono, as portas são de grandes dimensões e quando terminam oferecem espaço para mais duas entradas de ar de tamanho respeitável, que se encarregam do arrefecimento do compartimento do motor. Ainda temos jantes de liga-leve de 18 polegadas na dianteira e 19 polegadas na traseira, cuja decoração são os tradicionais círculos típicos da Alfa Romeo. As pinças dos travões são pintadas a amarelo. Pouco acima da embaladeira, a Alfa Romeo faz notar a versão especial limitada às 108 unidades com os dizeres “Spider Itália”. Na traseira as alterações são notáveis com o difusor preto brilhante exclusivo desta versão e o escape Akrapovic com duas saídas colocadas ao centro, também exclusivo desta versão. A cor especifica é o Misano Blue que é perito em “dar nas vistas”.

Outros destaques incluem faróis de xénon, moldura das ópticas em carbono e farolins em LED.

Todo o design foi pensado em prol da aerodinâmica e obviamente da beleza. Factos que pudemos constatar pela quantidade de pessoas que nos abordou durante a nossa sessão fotográfica, ou pela quantidade de pessoas que nos faziam um “fixe” à nossa passagem. Houve ainda quem simplesmente apontasse com um ar estupefacto. Muitas dessas pessoas pediram para tirar fotografias com o Alfa Romeo 4C Spider Itália e também elogiaram a sua presença e a sua beleza. Houve inclusive um senhor com os seus 80 anos que afirmou que se tivesse um Alfa Romeo 4C Spider Itália, que o teria na garagem e se limitava a contemplar a sua beleza. Dá gosto circular com um automóvel assim, não só pelo impacto que causa a quem passa por ele, como também por toda a envolvência do design e da condução.

No interior temos o equipamento de um automóvel com pelo menos 15 anos no que toca ao conforto. Esqueçam o ar-condicionado automático ou o sistema de navegação e multimédia, temos um rádio com Bluetooth, USB e Aux e elementos decorativos limitados. Nesta versão Spider Itália temos aplicações em alcantara no volante, assentos desportivos em alcantara com logótipo Alfa Romeo a amarelo, placa numerada “Spider Itália” e pesponto amarelo exclusivo nas portas, tablier e volante. Ainda no tablier temos uma barra metálica que dá ênfase à versão limitada “Spider Itália”. Ainda no interior continuamos a obter o estilo “super carro”, devido ao facto do Alfa Romeo 4C ter um monocoque em carbono. Entrar e sair não é tarefa fácil, uma vez que nos sentamos ao volante de um automóvel com uma posição de condução digna de um “Sport Protótipo”, onde todo o conforto é pura miragem para privilegiar o prazer de conduzir. O volante tem uma boa pega e os pedais em alumínio são dignos de um automóvel de competição, pois apresentam-se totalmente na vertical.

O painel de instrumentos é certamente o elemento mais “digital” do Alfa Romeo 4C. É completo e faculta informações de viagem e consumos, adequando as cores ao modo de condução, indicando a mudança engrenada, o modo da caixa de velocidades, temperatura exterior, pressão do turbo, temperatura do motor, e horas. Para além do velocímetro e conta rotações. Escusado será dizer que com o escape Akrapovic e o modo Dynamic pouco nos preocupámos em perceber a qualidade do sistema de som premium Alpine.

Rodamos a chave na ignição e temos automaticamente a sensação de que quereríamos casar com esta princesa italiana para toda a vida. O barulho é ensurdecedor e elucida-nos acerca da experiência de condução que estamos prestes a contemplar. A direcção é directa e nada assistida, o acelerador é sensível e o chassi exige do condutor. Podemos dizer que o Alfa Romeo 4C é um automóvel para todos no modo mais comedido e um automóvel para quem sabe quando decidimos desligar todas as ajudas e frequentar o modo mais “agressivo”. O pouco peso na dianteira e a ausência de direcção assistida, pode facilmente pregar sustos quando aceleramos à saída das curvas, a frente leve torna-se ainda mais leve, e a direcção fica mais leve do que aquilo que queríamos. O mesmo acontece nas irregularidades da estrada, em que o Alfa Romeo 4C nos exige que seguremos com firmeza o volante, sob pena da direcção ganhar “vida própria”.

Apesar destas características o Alfa Romeo 4C é um automóvel muito competente. O chassi é leve, a direcção é precisa, a caixa de velocidades automática é rápida e as suspensões são muito pouco condescendentes. O motor chega e sobra para o tamanho e peso do Alfa Romeo 4C, assim como os travões com pinças de apenas 4 embolos na dianteira, realizam na perfeição a sua função acompanhadas pelos discos perfurados na dianteira e traseira. Estas características fazem com que este automóvel seja exigente com o condutor, quando este pretende “explorar” as suas capacidades. A rapidez da aceleração faz com que se atinja velocidades altas, que nos fariam perder todos os pontos da carta de condução nas auto-estradas e que se tornam assustadoras numa estrada de serra com curva e contra-curva. Apesar de tudo isto, o Alfa Romeo 4C agarra-se à estrada como uma lapa, oferecendo confiança para usar e abusar da travagem que apresenta alguma resistência à fadiga. Durante travagens fortes, há que ter em atenção os desníveis das estradas, que podem fazer com que o resguardo por baixo do Alfa Romeo 4C raspe no chão, se não for durante as travagens, as lombas e inclinações farão com que este “pobre resguardo” sofra, apesar de todos os cuidados por parte do condutor.

No modo All-Weather o Alfa Romeo 4C ajusta as ajudas electrónicas para a utilização quotidiana, em qualquer condição climática, faça chuva, faça sol, o Alfa Romeo 4C tem uma resposta ao acelerador progressiva e ajudas electrónicas em estado de alerta, este modo também beneficia os consumos. O modo normal permite-nos ter uma resposta ao acelerador mediana, em que conseguimos sentir parte da rebeldia do Alfa Romeo 4C. O modo em que mais circulámos, seja depressa ou devagar, foi o modo “Dynamic”, aquele em que o Alfa Romeo 4C se torna mais agradável e “ensurdecedor”, principalmente devido ao escape Akrapovic desta versão Spider Itália, que faz com que seja um autêntico aproximar do “Apocalipse”. Nas “ruelas” da Ericeira, houve quem abrisse a janela para ver o que se passava e quem colocasse as mãos nos ouvidos sorrindo para o desportivo italiano. Neste modo tudo se torna mais puro, a aceleração, o escape, a direcção e a nossa vontade de esquecer o consumo de combustivel ou mesmo os pontos da carta de condução. Para quem realmente percebe de condução, deixamos o modo “Race”, que desliga todas as ajudas electrónicas e ainda nos dá o diagrama de força “G”.

O som do escape Akrapovic é das óperas mais maravilhosas que ouvimos nos últimos tempos, talvez seja por isso que nem sequer tentei emparelhar o telefone com o carro, o som é absolutamente intenso e transporta-nos para o interior de um autêntico automóvel de corrida. Todo este “alarido” junta-se a uma essência inexplicável e a uma conexão quase divina de homem-máquina. É impossivel que mesmo o piloto mais experiente se sinta indiferente a guiar um automóvel tão puro e único, capaz de alterar o nosso estado de espírito como uma ida à igreja, ou simplesmente fazer-nos viver o sonho dos automóveis de uma só vez. É no Alfa Romeo 4C que todas as emoções sobem à flor da pele, que os sorrisos mais sinceros surgem e que a impressão na barriga se torna constante acompanhada uma histeria quase incontornável.

O nome 4C provém do motor, que é um 4 cilindros em linha, o “C” associado ao número de cilindros provém de uma linhagem digna dos réis: 16C Bimotore, 6C 1750 e 2500, o 8C 2900, ou mesmo o mais recente 8C com o motor do Ferrari F430. O motor do Alfa Romeo 4C motor com 1750cc e turbo está colocado ao centro, debita debita 240cv às 6000rpm e tem 350Nm de binário das 2200rpm às 4250rpm. Esta potência é enviada para as rodas traseiras através de uma caixa TCT de 6 velocidades, rápida e “obediente” no modo sequencial, com funcionamento intuitivo através de 3 botões. As patilhas atrás do volante podiam ser maiores, ainda assim, esta receita permite ao Alfa Romeo 4C Spider atingir uma velocidade máxima de 258km/h enquanto precisa apenas de 4,5 segundos para atingir os 100km/h com recurso ao launch-control.

A luta pelos baixos consumos é uma constante. Não que seja dificil realizar baixos consumos no 4C, o dificil é realmente ter vontade de o colocar no modo All-Weather que proporciona consumos mais simpáticos. Nos 500km de teste ao Alfa Romeo 4C, apenas 80 foram realizados no modo All-Weather e mesmo assim conseguimos na totalidade dos 500km uma média de 8,8 Litros a cada 100km. No tempo em que circulámos no modo All-Weather os consumos foram realmente surpreendentes, apresentando-se em torno dos 7,6 Litros. Nada mau, para um automóvel que percorreu o circuito de Nurburgring em menos 1 segundo do que o BMW M3 E92, ou seja, em 8 minutos e 4 segundos.

Na segurança, temos sistema de monitorização da pressão dos pneus, sensores de estacionamento e cruise-control. O preço da versão ensaiada é de 91.643,98€.

Fotos de João Santos

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