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Sebastião Dominguez: Dos Skates ao Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno!

O Sebastião Dominguez é vice-campeão nacional de Todo-o-Terreno na categoria T8. É um jovem Luso-Francês, que vem de uma família com história no TT e que iniciou a sua vida desportiva nos Skates e Skimboards.

CarZoom: Sebastião de onde veio o teu gosto pelos automóveis?

O gosto pelos automóveis tem passado de geração em geração. O meu avô, Henrique Diaz Dominguez, foi o grande impulsionador do Todo-o-Terreno. Iniciou-se em Portugal nos pequenos Fiat Panda e chegou a fazer algumas digressões a Marrocos. Mais tarde, com um grau de exigência superior, participou na travessia do Monte Branco de Land Rover Defender.

O meu pai, Henrique J. Dominguez, seguiu-lhe as pisadas. Na altura utilizava no seu dia-a-dia um Toyota Land Cruiser HDJ80, com uma ligeira preparação para caminhos fora de estrada, foi desafiado por um amigo, responsável por uma escola de Todo-o-Terreno na zona de Sintra, para fazer uma prova do CNTT. Com um orçamento limitado, prepararam o Toyota segundo o regulamento e normas de segurança e realizaram a Baja Telecel, em 1997. De seguida, participou durante 4 anos no Troféu Terrano II em dupla com o meu tio. Além disso, o meu pai participou também durante dois anos no Campeonato Espanhol de Todo-o-Terreno, com um Terrano II Protótipo, e por fim, o último projecto da carreira automobilística foi o Dakar em 2008, que acabou por não se concretizar, após meses de preparação contra o cronómetro de um novo carro Mitsubishi Pajero Ralliart. O objectivo era lutar pelo primeiros lugares da categoria Produção. Este mesmo Mitsubishi ficou parado durante 8 anos, sem nunca ter visto terra, até eu me estrear em Portalegre, em 2016.

CarZoom: Começaste a conduzir muito cedo? Qual foi o primeiro veiculo que te colocaram nas mãos?

As primeiras experiências que tive com um carro não foram tão cedo quando isso, mas aos 16 anos já conseguia guiar
sem qualquer problema um carro manual e ainda fazer algumas derrapagens num Golf Plus 2.0 ou Seat Ibiza.

CarZoom: Quando começaste a competir? Foi em que modalidade?

Desde cedo que fui atraído pela competição, mas nem sempre com motores! Em 2009 na categoria Sub -14 alcancei o
3º lugar no Campeonato Nacional de Skate e também fiz algumas provas esporádicas em Skimboard. A minha primeira prova federada pela FPAK, foi a Baja Portalegre 2016, onde ganhamos a Categoria de Promoção e ainda conseguimos um 7º Lugar no Evento Nacional. Fiz a Baja com um amigo e sem qualquer estrutura de apoio, foi uma vitória.

CarZoom: Porquê o todo-o-terreno?

Acho que os interesses da minha família explicam o porquê do todo-o-terreno. Desde muito cedo que vivo o TT de perto e identifico-me muito com a condução de improviso que me exige. Fora isto, o TT comparado ao Rali ou outras modalidades automobilistas, ocupa-nos muito pouco tempo, são 6 fins de semana e mais alguns pequenos testes antes das provas, não esquecendo as paisagens incríveis por onde passamos durante os sectores selectivos.

CarZoom: Qual foi a tua melhor prova? Tens alguma que te tenha marcado mais?

A prova que mais me marcou foi provavelmente a primeira que participei, a Baja Portalegre 2016, pois levei um amigo como Navegador, sem conhecimento na área, e uma equipa de assistência muito improvisada. Não sabia o que esperar, e por isso fiquei surpreendido com o nosso desempenho. A melhor prova talvez tenha sido a Baja Pinhal 2018, com um 2º Lugar no T8 e 10º Lugar da Geral, em condições meteorológicas radicais. Choveu torrencialmente durante toda a prova e a serra da Sertã tornou-se um “mar de lama”, foi um excelente desafio.

706 Sebastião Dominguez / Nuno Batalha – Mitsubishi Montero . Baja Portalegre 500 . 25 a 27 / 10 / 2018 . ©2018 Ricardo Fonseca / APERSPEED.COM . All rights reserved

CarZoom: Ficaste satisfeito com as tuas prestações no campeonato nacional de todo-o-terreno ou achas que podia ter corrido melhor?

No Campeonato Nacional 2018 alcançamos o 2º lugar na Categoria T8, num ano em que a categoria tinha uma lista de inscritos de luxo e um parque automóvel invejável. A estratégia foi muito bem definida desde início: com o orçamento reduzido que tínhamos e com o carro que corri, com características de produção, só nos restava jogar pela consistência de resultados e deixar os outros que tinham carros mais evoluídos com Caixa Sequenciais e chassis tubulares tivessem problemas ou saídas de estrada.

CarZoom: Para além do todo-o-terreno, sabemos que treinas em várias modalidades, até porque ficámos a conhecer-te nos karts. Para além dos Karts tens alguma outra vertente da condução que te entusiasme?

Na minha opinião, o Kart funciona como uma escola de condução, além de me divertir imenso, retiro muitas coisas dos karts para o todo o terreno, por incrível que possa parecer. Pontos de travagem, trajetórias, reflexos e muita resistência física, porque os “Shifters” dão cabo de mim em 5 voltas. Até há muito pouco tempo fazia Track Day de Yamaha R6 no autódromo do Estoril.

Este ano optei por fazer um curso de condução no gelo numa escola de Rali do Ari Vatanen na Lapónia (Norte Finlândia), aprendi muito, diverti-me e ainda tive oportunidade de conhecer alguns pilotos do Mundial de Ralis que estavam a treinar para o Rali da Suécia de WRC que se realizava na semana seguinte.

538 Sebastião Dominguez / Bruno Sá – Mitsubishi Montero . Baja TT Idanha-a-Nova . 7 e 8 / 09 / 2018 . ©2018 Luís Fonseca / APERSPEED.COM . All rights reserved

CarZoom: Qual dessas vertentes do desporto motorizado te dá mais gozo?

Tudo o que tenha 4 rodas e um rollbar para mim é interessante, mas dou preferência ao deslizar na Terra (TT ou Rali).

CarZoom: Qual é o carro de corrida que mais gostaste de conduzir até hoje?

BMW PROTO X1 – Chassi Tubular, Caixa Sequencial SADEV, 8 Amortecedores ohlins, gestão electrónica MOTEC. Acontece tudo muito mais rápido do que estou habituado, o carro permite passar em zonas de mau piso a velocidades absurdas.

CarZoom: E carro de estrada? Tens algum carro favorito ou algum que te tenha marcado?

Gosto muito do Alfa Romeo 156 3.2 V6 GTA com que tenho dado umas voltas ao fim de semana. Contudo, qualquer carro com características de um desportivo me coloca um sorriso na cara, tenha 100cv ou 500cv.

CarZoom: O que pretendes no futuro em termos de desportos motorizados? Pretendes voltar a correr de forma federada em algum campeonato?

Gostava de continuar a fazer provas esporádicas no Campeonato de TT e quem sabe voltar num futuro próximo com um Projecto sólido na categoria rainha T1 e ver onde nos situamos na tabela classificativa. Tendo plena consciência que em Portugal qualquer modalidade automóvel nunca poderá passar de um simples “hobbie”.

538 Sebastião Dominguez / Bruno Sá – Mitsubishi Montero . Baja TT Idanha-a-Nova . 7 e 8 / 09 / 2018 . ©2018 Luís Fonseca / APERSPEED.COM . All rights reserved

CarZoom: Se te dessem a oportunidade de correres em qualquer disciplina sem olhar a custos, qual seria?

Sem dúvida que permanecia no CPTT , que é actualmente a referencia da modalidade na Europa, mas talvez fizesse
também algumas provas do Campeonato do Mundo de Rali Raid e provavelmente o Dakar.

CarZoom: Tens algum piloto que tenha sido uma “fonte de inspiração” desde miúdo ou alguma referência nos desportos
motorizados?

O Michel Vaillant, embora seja uma personagem fictícia de uma série de livros de banda desenhada, marcou a minha
infância, e pilotos como o Colin Mcrae e o Sébastien Loeb têm sido as minhas referências.

CarZoom: Qual é para ti o maior problema nos desportos motorizados?

O maior problema do desporto motorizado em Portugal é que na maior parte dos casos só está ao alcance de pessoas
com muita disponibilidade financeira. Além disso, é muito difícil justificar às empresas o retorno do investimento quando as abordamos em busca de Patrocínios e apoios, apesar da publicidade das empresas ter mudado radicalmente, com as novas formas de publicidade através Internet e das Redes Sociais, que permitem chegar a um maior número de pessoas.

Nos dias de hoje, não basta ser bom piloto, é necessário ser um piloto que “venda”. Um excelente exemplo disso é a
Marca Ford ter um maior retorno com o Ken Block ,que apenas faz vídeos promocionais, do que com o Sébastien Ogier, actual Campeão do Mundo de Ralis, por 6 vezes consecutivas.

Os valores são muito elevados e as despesas são muitas, ou seja, existem grandes diferenças de orçamentos dentro da
mesma modalidade, o que logicamente causa desequilíbrio na performance dos pilotos. Uma solução para este problema seria o aparecimento de troféus monomarca nas diversas modalidades para conseguirmos um maior equilíbrio económico e, em consequência, de performance.

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