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Mazda MX-5 2.0 SKYACTIV: Carícias ao corpo numa só carícia à alma!

Chegou o grande momento, o momento em que ensaiamos o Mazda MX-5 2.0 SKYACTIV, o que era perfeito, tornou-se ainda melhor… Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! Já dizia Álvaro Campos, o heterónimo de Fernando Pessoa.

Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos… Revejo-me nestas palavras, relembrando o momento em que finalmente me sentei ao volante do Mazda MX-5 2.0 SKYACTIV, e escrevo rangendo os dentes, lembrando-me de um mundo totalmente revolucionado pelo motor de 160cv aliado a um peso pluma, que é capaz de colocar em alerta todos os nossos sentidos, arrepiando cada pelo que existe no nosso corpo.

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A paixão começa ao carregar no botão “Start”, quando os versos de Fernando Pessoa começam realmente a fazer sentido: “Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes… Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

Um automóvel tem de ser realmente especial, para que Fernando Pessoa pudesse escrever sobre ele, mesmo sem saber e sem sonhar que alguma vez este perfeito Nipónico haveria de se tornar realidade muitos anos mais tarde.

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A geração ND do Mazda MX-5 é a revolução do termo “bonito e elegante”. Até agora nunca tantas cabeças se tinham virado à passagem de um automóvel. É raro o carro que nutra uma beleza tal, capaz de fazer com que toda a população de um pais se apaixone, aponte e comente. Ouvimos comentários de adultos, crianças e idosas, que passam na rua de andarilho, mas não ficam indiferentes com a beleza desta maravilha de 4 rodas.

A versão que ensaiámos contava não com o motor 2.0 SKYACTIV de 160cv, como também contava com o Pack Recaro, que tinha duas backets que nos seguravam como se de um abraço forte e apertado se tratasse. Todo este ambiente nos envolve e faz com que nos sintamos mais uma vez como Fernando Pessoa: “Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com o que eu sinto!”

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É quando ligamos o motor que realmente começa o verdadeiro sonho, a verdadeira vontade de viver, uma emoção que sentimos poucas vezes na vida, excepto se o conduzir-mos todos os dias… Este é o automóvel que nos põe à prova. Devido à potência e ao diferencial “torsen” é mais fácil de segurar que o 1.5 de 131cv, no entanto, a velocidade com que chegamos à curvas é também maior e as acelerações são ligeiramente mais rápidas, o que faz com que deixe de ser “um brinquedo” para que passe a ser um automóvel capaz de nos colocar a suar e mais uma vez a sentirmos-nos como Fernando Pessoa: Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

É um excesso de ânsia e vontade de carregar no pedal do lado direito, fazendo com que o ponteiro chegue aos regimes mais elevados, soltando o ruído que nos enche os ouvidos e a alma.

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O Mazda MX-5 2.0 SKYACTIV é o objecto desnecessário, é o querer ter mais sem realmente precisar de… Não nos podemos esquecer do diferencial, das jantes de 17 polegadas, do pack Recaro, uma maior rigidez e claro passamos a ter um roadster com um motor de um desportivo, para deixar de ter um roadster com um motor de baixa cilindrada que se “mexe bem”. Claro que… Tudo se paga!

Este Mazda MX-5 2.0 SKYACTIV de 160cv com 200Nm de binário é dotado de pedigree e performance, os médios regimes notam-se mais do que no 1.5 SKYACTIV, como é natural e o peso só aumenta em 25kg. A aceleração dos 0 aos 100km/h cumpre-se em 7,3 segundos, cerca de 1 segundo de diferença face ao 1.5 e a velocidade máxima é de 214km/h, portanto mais 10km/h de velocidade máxima. O Mazda MX-5 1.5 SKYACTIV é ligeiramente mais rotativo, no entanto, menos equipado se o quisermos utilizar em circuito! Já o 2.0 SKYACTIV tem um preço mais elevado que não justifica para quem procure apenas divertimento e uma utilização diária. Estamos a falar de quase 10.000€ de diferença, por um automóvel que recupera ligeiramente melhor, que consegue menos 1 segundo dos 0 aos 100km/h e que é ligeiramente menos confortável. O que nos voltou a impressionar foi o consumo, chegamos a fazer 6.8 Litros aos 100.

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A caixa mantém-se manual com 6 velocidades, mais precisa do que nunca e fornece um prazer de condução sem igual. A direcção é precisa. O volante podia ser regulado em profundidade, no entanto, depressa encontramos uma boa posição de condução.

Esta versão que ensaiamos contava com o sistema de navegação e multimédia da Mazda, aviso de ângulo morto, alerta de transposição involuntária de faixa, colunas de som nos encostos de cabeça, luzes de estrada automáticas e sistema de travagem activa.

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A versão ensaiada do Mazda MX-5 2.0 SKYACTIV custa cerca de 42.821€. Paga de IUC: 230.49€

Tiago Neves
Fotos de: José da Palma
Em: Aldeia da mata pequena

Leia também o ensaio ao Mazda MX-5 MKI e ao Mazda MX-5 1.5 SKYACTIV

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