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Entrevista Ana Matos: Uma piloto em pistas de terra e alcatrão!

Entrevistámos a piloto Ana Matos! É de Aveiro, tem 30 anos e corre em Ralicross desde os 18 anos, ao volante de automóveis com potencias respeitáveis!

CarZoom: Como é que surgiu o gosto pelos automóveis?
Os meus pais tem um negocio de família no ramo automóvel e eu “Nasci no meio dos carros”.
O desporto automóvel surgiu por influencia do meu irmão, que desde muito cedo me levava com ele a ver corridas. Mais tarde ele começou a participar no Campeonato Nacional de Autocross e eu acabei por “tomar o gosto”.

CarZoom: Com que idade começaste a conduzir?
Comecei a conduzir e a competir apenas aos 18 anos. No Ano 2007 fiz a minha primeira prova de Autocross na pista de Murça.

CarZoom: Começaste logo pelos automóveis ou outro tipo de veículos?
Sim, a primeira vez que competi foi logo nos automóveis.

CarZoom: Qual foi o primeiro carro que conduziste?
O primeiro carro foi um Audi 80 Quattro. Um carro 4×4 muito simples que já tinha feito umas épocas com o meu irmão ao volante.

CarZoom: Quando decidiste que querias começar a correr?
Eu queria ter começado mais cedo, por volta dos meus 15/16 anos, mas os meus pais não autorizaram. Ainda tiveram fé que eu desistisse da ideia até ser maior de idade!

CarZoom: Qual foi a tua primeira prova?
A primeira prova foi a prova do campeonato nacional de Autocross em Murça em 2007. No ano seguinte iniciei os primeiro passos no Ralicross, aos comandos do Mitsubishi Colt 4×4 na divisão 1 da Taça Nacional de Ralicross.

CarZoom: Tens alguma corrida que te tenha marcado mais?
Tenho algumas… Curiosamente as últimas provas dos anos 2008 e 2009. A que me marcou mais negativamente foi a última prova da Taça nacional de Ralicross em Lousada no ano 2008. Era a última prova de um campeonato que me tinha corrido muito bem, precisava apenas de obter os pontos de presença na final para poder sagrar-me vencedora da taça nacional da divisão 1. Infelizmente o pequeno Colt não colaborou e bloqueou a caixa de velocidades com a marcha atrás engrenada ao sair da box para alinhar na final. Perdi ali o meu primeiro campeonato a escassos metros da vitória.

A prova que me marcou mais positivamente foi em Montalegre, última do campeonato de 2009. Estava novamente a discutir o titulo quando tive um acidente com consequências muito graves para o carro, mas graças à dedicação brutal da equipa após uma noite de trabalho, no segundo dia fomos à prova e trouxemos o titulo. Aliás, trouxemos dois, porque tivemos a oportunidade de festejar o meu titulo na divisão da Taça Nacional de Ralicross e o do meu irmão no Campeonato Nacional divisão 1. Foi um fim de semana pleno!

CarZoom: Tens algum episódio em particular que te tenha causado algum receio?
Sim, quando tive um acidente e me apercebi das consequências umas horas depois. Apesar disso, umas semanas depois estava bem novamente e já não haviam receios.

CarZoom: Como encaram o facto de seres rapariga no mundo do Ralicross?
É normal, felizmente acho que nos dias de hoje já não há muito a distinção de ser rapariga no “mundo deles”. Somos raparigas e somos respeitadas como tal. Quando eu comecei a competir há 12 anos também era normal, até ao momento em que a rapariga ganhava! Havia algumas piadas entre eles (os homens) mas não passavam de brincadeiras.
Agora já somos algumas raparigas no ralicross e confesso que somos muito bem tratadas pelos concorrentes e pelos clubes. Claro que na hora em que colocamos os capacetes e vamos todos para a pista, somos adversários e estamos lá para ganhar independentemente de quem vá ao volante. O ralicross é um desporto de contacto e nunca deixaram de ir “à luta” comigo só porque era uma mulher debaixo do capacete.

CarZoom: Porquê o Ralicross?
Porque é um desporto muito divertido e exigente quer do ponto de vista físico, quer do ponto de vista estratégico, onde se pode competir por um preço mais acessível se formos a comparar com os Ralis ou com a Velocidade.

CarZoom: Tiveste oportunidade de experimentar outro tipo de automóveis de corrida sem ser os de Ralicross?
Infelizmente não. Essencialmente porque os apoios financeiros nunca me permitiram experimentar outros voos.

CarZoom: Se te dessem a oportunidade de correres em qualquer disciplina o que escolherias?
Eu gostava de experimentar ralis pela adrenalina da velocidade no desconhecido. Nunca sabemos muito bem se a próxima curva está da mesma forma que a deixámos quando passámos lá na última vez.

CarZoom: Qual foi o carro de corrida que mais te marcou?
Sem duvida o Mitsubishi Evo VI, que é um carro super divertido de conduzir.

CarZoom: No mundo das corridas quem é a tua maior ajuda?
O meu pai e o meu irmão sem duvida! São eles que trabalham noites e fins-de-semana a fio para que o carro possa estar no ponto certo para mais um fim-de-semana de corrida. A minha equipa também é essencial, estão lá sempre para dar o máximo em cada corrida.

CarZoom: Qual é para ti a maior dificuldade no desporto automóvel?
Os apoios financeiros são demasiado escassos para o custo da modalidade.

CarZoom: E carro de estrada? Qual é o carro dos teus sonhos?
Eu não tenho um carro de sonho. Mas se pudesse comprar um carro qualquer sem que o dinheiro fosse um problema, compraria o novo Alfa Romeo Giulia, só porque é lindo e brutal para se conduzir! E já que falamos de sonhos, seria o Quadrifoglio.

CarZoom: Pretendes voltar ao desporto automóvel?
Neste momento estou parada por questões profissionais. Vou estar fora do pais por um período de 3 anos e até lá vou apenas limitar-me a marcar as viagens para vir assistir às corridas.

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