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Caterham Seven 275 S: O lado emocional do automobilismo!

Este é o artigo sobre o melhor carro! Sabem porquê? Porque é neste artigo que falamos de tudo aquilo que é realmente maravilhoso na condução! Neste artigo falamos de nostalgia, amor, paixão, pornografia e felicidade! Esperemos que seja lido por maiores de 18 anos, pois tal como o Caterham Seven fornece uma condução sem filtros, também nos aplicamos em não colocar qualquer filtro neste texto ou nas emoções que este automóvel proporciona. Mais do que ensaiar automóveis, estamos mais perto da emoção!

Imaginem um automóvel de baixo peso, com um design que nos leva de volta aos anos 70 e que nos cheira a gasolina logo que chegamos perto dele. É um regresso ao passado, é uma vontade de voltar aos tempos heróicos em que o desporto automóvel era louco, insano e altamente mortífero.

Ao volante do Caterham Seven, sentimo-nos como uns verdadeiros heróis da Formula 1, como um dos verdadeiros pilotos de barbas rijas, totalmente lunáticos e “atrofiados” do sistema. Aqueles que aceleravam a fundo para ganhar um lugar na grelha, mesmo que ao virar da curva pudesse estar a sua morte.

O Caterham Seven é um regresso à genuinidade da condução, é um regresso aos tempos áureos do desporto automóvel e um choque por nos fazer perceber que até então, nunca tínhamos conduzido um automóvel a sério! Arrisco dizer-vos, esqueçam Porsche, Ferrari, Lamborghini ou qualquer super desportivo da actualidade. Dificilmente vos irá levar de volta para a condução pura e dura de outros tempos e dificilmente serão fonte de tanta diversão.

Este automóvel de baixo peso, inspirado no Lotus Seven é uma das coisas mais maravilhosas do mundo, é um sonho de automóvel para os verdadeiros petrolheads. É o carro que nos coloca todos os sentidos em alerta. É o carro que nos pode transmitir as sensações mais agradáveis e desagradáveis. É o automóvel que nos transmite confiança e medo ao mesmo tempo. Faz-nos saber que se tivermos um acidente a alta velocidade só temos tempo de dizer: “Mãe vem buscar o corpo do teu querido filho!” Esta é a nostalgia do tempo dos nossos pais e avós. Este automóvel é um sonho de criança tornado realidade, nunca antes tinha tido vontade de chorar de emoção ao volante de um carro!

Poderia esquecer o mundo, quem sabe o trabalho, os amigos, a família, todo o passado e o futuro, para ter um presente capaz de me tornar histérico vezes e vezes sem conta.

O Caterham Seven é absolutamente sexual, mais do que uma actriz pornográfica! Ligamos a bomba de combustivel no painel de controle e sentimo-nos ao volante de um automóvel de corrida de outros tempos, ouvimos o combustivel a passar por baixo do nosso traseiro e quando carregamos no botão vermelho da ignição a nossa vida passa a ter outro significado!

Aceleramos até às 6.800rpm e é absolutamente genial! Um gemido sexual sem fim! É como as tais actrizes que dizem: Sim! Sim! Mais mais! Não pares! Dá-me mais! Com uma voz tremula de prazer que nos leva a tornar aquele momento verdadeiramente inesquecível! E quanto mais as rotações do motor sobem, mais pornográfico se torna, quanto maior é a velocidade, menos coragem temos de pestanejar. O Caterham Seven é exigente, pouco filtrado, puro e absolutamente assustador! E é quando chegamos a uma curva a reduzir em ponta-tacão que a actriz pornográfica tem o seu gemido final que nos leva a revirar os olhos de prazer e a pensar: “sobrevivi outra vez!” Bwoooooaaaaaaa, bwom, bwom, bwom!

Nas curvas a direcção altamente directa como um monolugar, arrepia-nos os braços e faz-nos contrair todos os músculos do corpo. É uma máquina estonteante que não nos deixa margem para erros, que nos leva a pensar numa liberdade que nunca tivemos e no quão insignificantes somos perante um automóvel tão maravilhoso. Aposto que muitos de nós petrolheads poderíamos abdicar da nossa dignidade de homens, à troca de um automóvel assim e não haveria uma única mulher no mundo, que nos fizesse abdicar de tamanha paixão. É quase como: Angelina Jolie ou Caterham Seven?? Acho que já sabem a resposta!

Nos anos 60 e 70, os Formula 1 eram também autênticos automóveis de Rally! Se não acreditam que aqueles homens tinham capacidades sobrenaturais, pensem em estradas pouco largas, com saltos, velocidades acima dos 250km/h, a chapa das carroçarias pouco mais grossa que uma folha de papel, motores potentissimos e direcções e travões que metiam medo. As protecções tinham acabado de deixar de ser fardos de palha e no pavimento existia: óleo, gasolina, entre outros fluidos que poderiam ter como resultado, uma tragédia… Aqueles óculos e capacetes também estavam longe de ter qualquer sistema evoluído de limpeza ou protecção, chegava a uma altura em que as luvas sujavam mais do que limpavam. Muitos daqueles pilotos sabiam que podiam não terminar uma corrida, mas eram lunáticos, apaixonados, playboys e alucinados, entravam nos carros sem segurança nenhuma e corriam pela vida! E assim se criou a história do automobilismo!

Os Caterham também surgiram nessa época, inspirados no Lotus Seven que surgiu em 1957! A evolução natural dos tempos foi tornando os Caterham mais evoluídos, mas não os deixou perder a sua essência e a sua principal filosofia, que é o prazer de condução.

O “Seven” que testámos era o 275 S e conta com um motor semelhante ao utilizado na Formula Ford, um 1.6 Litros de 4 cilindros e 137cv de potência com 165Nm de binário. Uma receita que é suficiente para o fazer acelerar dos 0 aos 100km/h em apenas 5 segundos, antes de atingir a velocidade máxima de 196km/h. A caixa manual de 5 velocidades é absolutamente fantástica, rija como uma pedra e transmite o som de um autêntico carro de corridas. A todos estes factos juntamos o seu baixo peso de apenas 540kg.

A posição de condução faz-nos sentir que estamos ao volante de um verdadeiro automóvel de competição, ou não fosse o Caterham Seven um “pseudo Formula” de dois lugares homologado para a via publica, uma vez que tem as rodas de fora da carroçaria. Os pés entram “lá para a frente” e as pernas ficam esticadas, tal como acontece nos monolugares, é aqui que começamos a perceber que algo de muito diferente está para acontecer.

Porque é que tudo é tão puro? Porque tal como acontecia antigamente, não existem ajudas electrónicas ou um conforto muito notável. O som a bordo é o do escape, que se encontra logo à direita e faz questão de se fazer notar. Os pedais são rijos, juntos e não há cá “descanso” para ninguém. A direcção assistida ou o ABS são inexistentes e o ar-condicionado é pura miragem! Os picas são accionados por uma patilha e produzem um som realmente irritante, que parece uma camioneta a fazer marcha-atrás, percebemos o porquê, quando circulamos na auto-estrada com as rotações mais elevadas e uma maior deslocação do ar.

Espaço para arrumar coisas não é o seu forte e o conforto está longe de ser igual ao de um Maybach, embora as suspensões Bilstein sejam condescendentes q.b. No fim de contas, o que interessa isso quando estamos ao volante do automóvel mais divertido e puro da actualidade? Absolutamente nada!

Com o pack “S” passamos a contar com algumas “mordomias” que não teríamos na versão 275 sem qualquer pack. Falamos de: Interior alcatifado, Vidro dianteiro / capota / vidros laterais, Chave única / maneta de mudanças & instrumentação “S”, Banco em pele preta, Volante MOMO, Entrada 12V, Tampão de gasolina “Aero” e ainda a possibilidade de 4 tipos de pinturas (sugerimos a pintura original da Lotus, que aparece nas fotos).

Porque haveriam de dar 43.261,00€ por um automóvel que faz barulho, é desconfortável, imprevisível, não tem ajudas à condução, não tem rádio e não tem A/C? Porque provavelmente serão homens de barba rija, determinados, conquistadores do nirvana da felicidade ao volante e porque nunca na vida passarão por algo tão maravilhoso como conduzir Caterham. Falando por mim, não me importava de apanhar chuva todos os dias para o trabalho, de enfrentar o calor do verão e de abdicar de alguns bens de primeira necessidade como o meu Kart, para ter um Caterham. Já para não falar que é um desportivo que gasta pouco, permite-nos passear devagar a usufruir da paisagem de uma forma diferente, chama a atenção, ou não teríamos parado tantas vezes para os transeuntes tirarem fotografias e ainda pelo facto de não ter lugares suficientes para levar a sogra, o que é sempre bom! Para o frio e chuva temos uma capota de lona que cobre o Caterham Seven protegendo o interior da chuva.

Fotografias: José da Palma

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