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Abarth 124: A ópera do Escorpião!

O Abarth 124 é sem duvida alguma um dos automóveis mais impressionantes e marcantes que nos passou pelas mãos. Haverá de certeza automóveis mais potentes e dotados de boa performance, mas é o Abarth 124 que nos deixa a sonhar de noite e de dia. Um verdadeiro desportivo, cuja nota de escape italiana se torna a melhor ópera para os ouvidos de um verdadeiro “petrolhead”.

O design exterior é indiscutivelmente bonito. Conta com pormenores e requintes italianos que nos lembram o 124 de outrora. É no Abarth 124 que nos sentimos na pele dos nossos pais e avós, que noutros tempos, andavam serra abaixo, serra acima, a ouvir um belo de um ruído de escape pelo ecoar das árvores.

Se o Abarth 124 é uma recriação fiel do seu antepassado…? Infelizmente não vos saberemos responder a isso, pois nunca tivemos o privilégio de experimentar um. No entanto, podemos dizer que é uma experiência de condução absolutamente inesquecível e que se pode até tornar memorável, se nos lembrarmos de ir aos antigos troços do Rally de Portugal.

Ainda há quem satisfaça o preconceito existente para com a FIAT/Abarth/Alfa Romeo e Lancia… Para os que olham com desdém, sugerimos que leiam sobre os mundiais de Rallys dos anos 70, 80 e 90. Mundiais onde as máquinas italianas eram bravas e proporcionavam o delírio das multidões. Ainda tem espaço para pesquisar sobre a Formula 1 ou mesmo sobre um tal Alfa Romeo 155 que participava no campeonato alemão de Turismo.

O antigo Abarth 124 é um dos automóveis pelos quais ainda muitos aficionados nutrem carinho. Apesar do novo 124 ser ainda uma “recriação” do antigo, é um verdadeiro proporcionador de nostalgia.

Quando subimos e descemos a rampa da pena para tirar fotos, alguns dos traseuntes gritam bem alto: “A fundo!!” … “Que lindo!”… Enquanto uns quantos turistas se sentam nos muros da rampa da pena só para o ver passar mais uma vez! Este é o efeito que provoca o Abarth 124. Se procuram discrição… Este não é o vosso automóvel!

O capo preto foi noutrora uma forma de melhorar a visibilidade dos pilotos, que sofriam com o reflexo do sol na chapa, esta “opção” não é obrigatória no Abarth 124. Contamos com umas jantes de 17 polegadas em tom escuro e o centro das jantes vermelho com o escorpião bem visível, como “manda a lei”. Não poderiam faltar os estribos pintados a vermelho, retrovisores a vermelho, assim como o lábio do pára-choques dianteiro também a vermelho… Esta é a forma mais simples de dizer: “olhem para mim!”

Podemos continuar esta “chamada de atenção alheia” com uma traseira com quatro saídas de escape. Se pela restante carroçaria nos certificamos que não se trata do FIAT 124 Spider normal, é quando contemplamos as 4 saídas de escape que realmente nos apercebemos da maravilha que se encontra diante dos nossos olhos.

Deixando de parte o sofá da sala, a cama, ou quem sabe, a cadeira do computador… O Abarth 124 é o lugar onde quereríamos estar sentados a maioria do tempo. Neste modelo, tudo é exclusivo, invulgar e bastante intenso, desde os assentos com sistema de som BOSE e um excelente apoio lombar, até ao volante ergonómico e com a pega perfeita. Há claro tempo para contemplar pormenores como: conta-rotações vermelho, o apoio de braço em alcantara com o desenho do escorpião, ou mesmo a chapa com o número de produção e as palavras “Officine Abarth”… “Vettura nº”…

Assim que nos sentamos no Abarth 124 sentimos um verdadeiro arrepio na espinha, todos os órgãos do nosso corpo se deixaram intimidar e todos os nossos sentidos ficaram apuradissimos. Chegou a altura de carregar no botão “Start”!

O botão “mágico” faz tocar uma das mais belas melodias que já contemplamos até hoje. Quem diria que um motor 1.4 Litros poderia oferecer um ruído, capaz de fazer frente aos maiores “Tenores” italianos! É tão agradável, como a primeira vez que fazemos sexo. É tão agradável como ouvir a primeira palavra de um filho… E o 124 Abarth pergunta: “Papá? A que serra vamos hoje?” À qual temos a amabilidade de responder com o esmagar do pé direito no acelerador.

É quando nos sentamos num automóvel assim, que percebemos o real prazer de estar vivo. Imaginando uma bela vida a dois, com uma magnifica ópera italiana de fazer parar o transito. Este é o melhor anti-stress de sempre, um ruído de escape puro, quase sem filtros, que nos faz pensar que estamos ao volante do automóvel do Markku Alen, num qualquer troço do Rally de Portugal nos anos 70, com uma enorme multidão que vibra connosco. O Abarth 124 tem a capacidade de fazer feliz quem o conduz e quem o vê passar.

Não faria sentido falar no espaço do interior, nos consumos, insonorização ou espaço da bagageira. O que interessa é o turbilhão de emoções, que nos faz estar na vida de uma forma mais leve e descontraída, em que o mundo pode acabar, desde que haja combustivel para colocar no Abarth 124.

A direcção precisa, faz-se acompanhar por uma suspensão firme, uma caixa de velocidades bastante boa e uma resposta de motor capaz de colar os olhos à nuca. A isto juntamos um diferencial autoblocante e um chassi formidável herdado do Mazda MX-5.

Para os italianos é já normal colocar um motor 1.4 Litros com um Turbo Garret a debitar 170cv de potência e 250Nm de binário. Esta receita é capaz de nos levar dos 0 aos 100km/h em apenas 6,8 segundos e a uma velocidade máxima de 232km/h. Mas de números está o mundo cheio, por isso, sugerimos que experimentem logo que possível um Abarth 124. Será de certo diferente de tudo o que nos fornece apenas números…

A inserção e o comportamento em curva são perfeitos. O Abarth 124 provou ser um automóvel preciso, que faz com que nos orgulhemos de ser apaixonados por carros italianos.

Quando pensamos no Abarth 124, assumimos um compromisso com a nossa parte sentimental, deixamos a racionalidade de lado e tomamos muito provavelmente uma das decisões mais parvas da nossa vida. Haverá quem olhe de lado, como a esposa ou os pais, que nos assumem como autênticas crianças com um automóvel espampanante e ruidoso, é esse automóvel que nos coloca diariamente um sorriso de orelha-a-orelha em cada subida de rotação, rater ou troca de caixa.

Não podemos falar de consumos, até porque não conseguimos circular sem puxar uma segunda para ouvir o ruído maravilhoso acompanhado por raters que surgem quando largamos o pedal do acelerador. É um vicio que se “herda” ao estar ao volante deste roadster italiano.

Para uma felicidade eterna com uma miúda italiana que nos dá o equivalente ao atingir o nirvana da felicidade, teremos de despender pelo menos de 42.000€. Para a versão ensaiada teríamos de despender de cerca de 45.000€. O Abarth 124 paga de IUC: 166,65€

Fotos: José da Palma

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